quinta-feira, 25 de maio de 2017

Onde Mora a Esperança

Onde Mora a Esperança (Where God Left His Shoes. EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Salvatore Stabile
Elenco – John Leguizamo, Leonor Varela, David Castro, Samantha M. Rose, Jerry Ferrara, Manny Perez.

Frank Diaz (John Leguizamo) é um decadente boxeador que se vê descartado pelo empresário. Sem dinheiro para pagar o aluguel, sua família é despejada do apartamento onde vive. Frank é obrigado a levar a esposa Angela (Leonor Varela), o enteado Justin (David Castro) e a pequena filha Christina (Samantha M. Rose) para viverem em um abrigo público. 

Alguns meses depois, na véspera do Natal, ele é avisado que sua família tem direito a um novo apartamento popular, porém precisaria ter um emprego registrado. É o início da correria de Frank por Nova York em busca de um emprego. 

Um dos grandes acertos desta dolorosa história dirigida pelo desconhecido Salvatore Stabile é não transformar o filme em um melodrama lacrimoso. O roteiro foca na crítica social e na força da família. 

A saga do personagem de John Leguizamo na busca pelo emprego bate de frente com a burocracia, com a arrogância de algumas pessoas e com a falta de sensibilidade em relação ao próximo. 

A questão familiar é extremamente importante também, principalmente através do forte laço que se cria entre padastro e enteado durante a crise. 

O final pode não agradar a todos, mas a meu ver se mostra uma escolha real e sensível em relação a proposta do longa.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Máxima Precisão

Máxima Precisão (Good Kill, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Ethan Hawke, Bruce Greenwood, Zoe Kravitz, January Jones, Jake Abel, Dylan Kenin.

O major Thomas Egan (Ethan Hawke) é um veterano piloto que hoje tem como obrigação comandar drones de forma remota. Em uma base em Las Vegas, Egan monitora terroristas no Afeganistão e envia mísseis sempre que recebe uma ordem do oficial em comando (Bruce Greenwood). 

Esta vida tranquila incomoda Egan, que sente falta dos combates áereos reais. A frustração por estar em solo, mais os ataques à distância que muitas vezes atingem civis, são os fatores que influenciam negativamente seu comportamento e até mesmo o casamento com Molly (January Jones). 

Os créditos iniciais informam que este filme é baseado em eventos reais. O estranho é que o desenrolar da trama deixa claro que o longa é na verdade uma versão pálida de alguns acontecimentos, provavelmente uma coletânea de relatos sobre pilotos em crise. 

A premissa de mostrar como a guerra “gruda” em alguns soldados, que não conseguem ter uma vida normal longe das batalhas é comum ao gênero. O diferencial aqui é mostrar o novo tipo de guerra, em que alguém aperta um botão e acerta um alvo a milhares de quilômetros de distância. 

Este videogame verdadeiro e sangrento é discutido pelo protagonista e por outros pilotos em alguns diálogos sem muita profundidade. Enquanto alguns sofrem com que estão vendo e fazendo, outros preferem manter um sentimento de distância, como se eles não fossem responsáveis pelo que ocorre. 

Por mais que seja uma tema atual, o filme é frio e repetitivo. Os vários ataques não passam emoção, assim como algumas cenas violentas. 

No final, fica a impressão de que a história rodou, rodou e não saiu do lugar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

O Lamento

O Lamento (Goksung, Coreia do Sul / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Hong Jin Na
Elenco – Do Won Kwak, Jung Min Hwang, Jun Kunimura, Woo He Chun, Hwan Hee Kin.

Na vila de Goksung, interior da Coreia do Sul, uma família é assassinada de forma cruel e o único sobrevivente está catatônico e apresenta bolhas pelo corpo. 

Um policial subalterno (Do Won Kwak) e seu parceiro (Jung Min Hwang) se assustam ao testemunharem uma estranha mulher andando nua pela noite. 

Um novo crime faz com que os dois policial desconfiem de um japonês (Jun Kunimura) que vive solitário nas montanhas e que anteriormente foi acusado de tentar violentar um mulher. 

Estes fatos são apenas o início de uma série de acontecimentos bizarros e violentos que transformam a pequena comunidade em um inferno. 

A princípio, este sinistro longa sul-coreano passa a impressão de ser um thriller sobre um serial killer ou algo parecido. O desenrolar da trauma transforma a história em um suspense misturado com terror, inclusive com algumas cenas com bastante sangue. 

O complexo roteiro explora ideias do clássico “O Exorcista”, com a violência dos filmes de zumbis e por fim até uma analogia religiosa referente a luta do bem contra o bem. 

O filme perde pontos em duas situações. A principal falha é a longa duração. São mais de duas horas e meia, resultando num filme irregular, com alguns momentos mortos. Uns trinta minutos a menos deixariam a trama mais concisa e o filme menos cansativo. 

Outro ponto que não me agradou por completo é o final ambíguo. Por mais que dê para entender o que ocorreu, a dúvida que o roteiro deixa na cabeça do espectador até a cena final se revela com furos. Analisando passagens do filme, fica claro que algumas situações não se encaixam com a surpresa final. 

Apesar destes problemas, a história é instigante e o clima de tensão é forte em várias sequências. 

Vale a sessão para quem gosta de fugir da mesmice do gênero e também para quem curte o cinema sul-coreano.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Homem dos Olhos de Raio-X, O Incrível Homem que Encolheu & O Mundo em Perigo


O Homem dos Olhos de Raio X (X, EUA, 1963) – Nota 6,5
Direção – Roger Corman
Elenco – Ray Milland, Diana Van Der Vlies, Harold J. Stone, John Hoyt, Don Rickles, Dick Miller.

O Dr. James Xavier (Ray Milland) é um cientista que trabalha em uma fórmula para aumentar a capacidade da visão humana. Ele decide experimentar a fórmula nele mesmo. O teste é um sucesso e Xavier descobre que pode enxergar através de qualquer objeto. A princípio, ele pensa em utilizar a descoberta para melhorar a vida das pessoas, mas aos poucos, percebe as vantagens do poder que conseguiu e passar a explorar a extraordinária visão para seu próprio prazer. 

Esta produção de baixo orçamento dirigida pelo mestre Roger Corman apresenta ideias interessantes, como a questão da mudança de comportamento das pessoas quando elas conseguem algum poder e o próprio egoísmo do ser humano, que sempre coloca seus interesses a frente de tudo. As sequências em que o protagonista interpretado pelo então astro Ray Milland utiliza sua visão são curiosas, inclusive uma em que durante uma festa ele vê todas as pessoas peladas. 

O Incrível Homem que Encolheu (The Incredible Shrinking Man, EUA, 1957) – Nota 7
Direção – Jack Arnold
Elenco – Grant Williams, Randy Stuart, April Kent, Paul Langton.

Scott (Grant Williams) e sua esposa Louise (Randy Stuart) estão passeando em um barco. Enquanto ela está dentro da cabine, ele é atingido por uma estranha nuvem de partículas. Em casa, um acidente faz com que Scott tenha contato com inseticida. A partir daí, Scott percebe que está encolhendo. Dias depois, ele se torna minúsculo e termina por utilizar uma casa de bonecas para se proteger do gato e de pequenos animais enquanto não descobre como voltar ao tamanho normal. 

Baseado em conto de Richard Matheson, criador do seriado “Além da Imaginação”, este longa se tornou cult pela trama inusitada e pelos curiosos efeitos especiais que colocam o protagonista em perigo ao enfrentar animais que são insignificantes para o ser humano. Em 1981, foi produzida uma nova versão em formato de comédia com a atriz Lily Tomlin no papel principal.

O Mundo em Perigo (Them! EUA, 1954) – Nota 7
Direção – Gordon Douglas
Elenco – James Whitmore, Edmund Gwenn, Joan Weldon, James Arness.

No deserto do Novo México, um xerife (James Whitmore) encontra uma criança andando sozinha. Logo, ele descobre que aranhas gigantes destruíram o local onde a criança vivia. O governo é acionado e envia um agente do FBI (James Arness), um cientista (Edmund Gwenn) e sua filha (Joan Weldon) para investigarem a situação. Eles descobrem que testes nucleares feitos há uma década transformaram as formigas em mutantes e que as mesmas estariam a caminho de Los Angeles. 

Explorando o tema da ameaça e das consequências dos testes nucleares, comum ao filmes de ficção dos anos cinquenta e sessenta, este longa apresenta ótimas cenas de ação e efeitos especiais competentes,  levando em conta a época em que foi produzido. Por sinal, o filme foi indicado ao Oscar de Efeitos Especiais e perdeu para o clássico “20 Mil Léguas Submarinas”.

domingo, 21 de maio de 2017

Inferno

Inferno (Inferno, EUA / Hungria, 2016) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Tom Hanks, Felicity Jones, Omar Sy, Irrfan Khan, Sidse Babett Knudsen, Ben Foster, Ana Ularu, Ida Darvish.

Em Paris, o milionário Bertrand Zobrist (Ben Foster) comete suicídio ao ser perseguido por um grupo de homens. Dias depois, o professor Robert Langdon (Tom Hanks) acorda com um ferimento na cabeça em um hospital de Florença, sem lembrar como chegou até aquele local. 

Com ajuda de uma médica (Felicity Jones), Langdon escapa de ser assassinado por um mulher disfarçada de policial. É o início de uma correria por Florença para descobrir porque ele está sendo perseguido. 

Este terceiro longa protagonizado pelo herói criado pelo escritor Dan Brown é razoável como filme de ação e confuso por causa da história mirabolante que lembra as aventuras de James Bond. 

O mistério da trama precisa ser decifrado através das obras de Dante Alighieri, o que faz o protagonista correr por museus atrás de pistas. O problema é que a trama é tão confusa, que em determinado momento um coadjuvante explica didaticamente o que aconteceu, como se apenas a narrativa não fosse suficiente para o espectador e o protagonista entenderem a situação. 

Vale destacar Tom Hanks brincando de herói, Ben Foster novamente interpretando um maluco e a belíssima produção que explora os museus italianos e os cenários naturais do país.

sábado, 20 de maio de 2017

Frank & Lola

Frank & Lola (Frank & Lola, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Matthew Ross
Elenco – Michael Shannon, Imogen Poots, Michael Nyqvist, Justin Long, Rosanna Arquette, Emmanuelle Devos.

Em Las Vegas, Frank (Michael Shannon) é um chefe de cozinha e Lola (Imogen Poots) é uma jovem designer de moda em busca de emprego. As diferenças são deixadas de lado e eles decidem morar juntos. Uma traição e um trauma do passado desencadeiam uma terrível crise entre o casal. 

Este curioso drama envolvendo sexo, traição e vingança detalha um relacionamento que beira a obsessão. Frank é um sujeito frio de poucas palavras, que tenta racionalizar os sentimentos, enquanto Lola é um turbilhão de emoções. Por mais que ele se amem, a dificuldade em lidar com estes sentimentos e com o passado se tornam os grandes obstáculos para ficarem juntos. 

A personagem Lola remete ao clássico "Lolita", em que uma adolescente atormenta a vida de um sujeito de meia-idade. Aqui, a personagem de Imogen Poots varia do angelical a mulher fatal, sempre deixando o espectador e o parceiro em dúvida sobre seu caráter. 

Como é habitual em seus trabalhos, Michael Shannon se destaca no papel do sujeito que vê seu mundo virar de cabeça para baixo por causa da paixão.

Destaque para as sequências em Paris na segunda metade do longa, tanto pela belíssima fotografia noturna, quanto pelas cenas na boate. 

Mesmo com a premissa sendo interessante, o filme não engrena, em alguns momentos a história parece rodar no mesmo lugar. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Da Ambição ao Crime

Da Ambição ao Crime (Crime of Passion, EUA, 1957) – Nota 6,5
Direção – Gerd Oswald
Elenco – Barbara Stanwick, Sterling Hayden, Raymond Burr, Fay Wray, Virginia Gray, Royal Dano, Stuart Whitman.

Kathy Ferguson (Barbara Stanwick) é uma conhecida colunista de jornal em San Francisco. Independente e segura, ela surpreende ao abandonar a profissão para se casar com o detetive Bill Doyle (Sterling Hayden) e se mudar para uma casa de subúrbio em Nova York. 

Não demora para a vida ordinária de dona de casa a deixar entediada. Ela decide então transferir sua ambição profissional para a carreira do marido, criando situações com o objetivo de conseguir uma promoção para Bill dentro do departamento de polícia. 

O título nacional deste drama policial entrega boa parte da história, que por sinal se mostra atual. A ambição por crescimento na carreira é algo habitual nos dias de hoje, inclusive levando as pessoas a deixarem a ética e até a honestidade de lado. O conflito principal aqui surge da honestidade do personagem de Sterling Hayden em contrapartida com a ambição de Barbara Stanwyck. 

O filme em sí é razoável. A narrativa é um pouco lenta e a atuação de Stanwyck exagerada em alguns momentos. Vale destacar ainda o sempre sisudo Raymond Burr como o inspetor de polícia. Burr ficaria famoso pela série de tv “Perry Mason” que foi ao ar de 1957 a 1966. O personagem retornou em vários telefilmes de 1985 até 1993, ano em que o ator faleceu.  

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ponto de Partida

Ponto de Partida (Powder Blue, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Timothy Linh Bui
Elenco – Jessica Biel, Ray Liotta, Forest Whitaker, Eddie Redmayne, Lisa Kudrow, Patrick Swayze, Kris Kristofferson, Sanaa Lathan, Don Swayze.

Em Los Angeles, quatro personagens tem suas vidas cruzadas pelo destino. 

Rose (Jessica Biel) é um mãe solteira que trabalha como stripper e sofre pelo filho que está em uma cama de hospital. 

O ex-detento Jack (Ray Liotta) tem pouco tempo de vida e deseja resolver uma pendência afetiva antes de falecer. 

Charlie (Forest Whitaker) roda pela cidade em busca de alguém para matá-lo. Ele carrega a culpa pela morte da esposa. 

Querty (Eddie Redmayne) é um solitário agente funerário que precisa lidar com as dívidas deixadas pelo pai. 

Gosto de filmes com vários personagens que se cruzam através de pequenas histórias. A premissa aqui é bem interessante, os quatro protagonistas precisam resolver seus problemas que parecem sem solução. O problema é que a história se mostra previsível, assim como os personagens. É aquele filme que jamais engrena, mesmo mantendo o interesse de quem gosta do gênero. 

O longa será lembrado por ser o último trabalho de Patrick Swayze, que interpreta o agitado dono da boate.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Carvão Negro, Gelo Fino

Carvão Negro, Gelo Fino (Bai Ri Yan Huo, China, 2014) – Nota 5,5
Direção – Yi’nan Diao
Elenco – Fan Liao, Lun Mei Gwei, Xuebing Wang.

China, 1999. Partes do corpo de um homem são encontradas em vários locais distantes uns dos outros.

O detetive Zhang (Fan Liao) descobre que a vítima era casada com a jovem Wu (Lun Mei Gwei), funcionária de uma tinturaria. 

Ao prender um suspeito, algo dá errado e dois policiais terminam assassinados sem que o crime original tenha sido solucionado. 

Cinco anos depois, Zhang se tornou um policial alcoólatra e desleixado, que renova sua vontade de viver quando dois novos corpos são encontrados nas mesmas condições do crime anterior e as vítimas também estão ligadas a Wu. 

A premissa e a forma dos crimes são instigantes, porém o interesse do espectador dura menos de meia-hora. A narrativa é arrastada e a história parece não sair do lugar. Para piorar, algumas situações são mal explicadas. Não espere ação e nem suspense. 

Por mais curioso que pareça, o filme ganhou o Urso de Ouro em Berlim.  

terça-feira, 16 de maio de 2017

Um Homem Chamado Ove

Um Homem Chamado Ove (Em Man Som Heter Ove, Suécia, 2015) – Nota 8
Direção – Hannes Holm
Elenco -  Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Borje Lundberg.

Ove (Rolf Lassgard) é um viúvo solitário e ranzinza que decide acabar com a própria vida após ser dispensado do emprego onde trabalhava há mais de quarenta anos. 

Vivendo em um condomínio de casas, sempre que Ove se prepara para cometer o suicídio, algo acontece ao seu redor, fazendo com que desista da tentativa para resolver a situação 

Ove perdeu também o cargo de síndico do condomínio, mas mesmo assim continuou a fazer sua “ronda” diária para manter a ordem no local. A chegada de uma imigrante iraniana grávida (Bahar Pars), casada com um sueco e mãe de duas meninas, também resulta em consequências na vida do viúvo. 

O aparente ódio que o protagonista carrega é explicado aos poucos, através de flashbacks que detalham os desafios que ele enfrentou na vida desde criança até a morte da esposa. 

A forma sensível como o roteiro descreve a vida do protagonista é um exemplo de como a “casca das pessoas” muitas vezes esconde seu melhor lado. Alegrias, sofrimentos e frustrações moldam o caráter e as atitudes de cada um. 

Vale destacar ainda a ótima atuação de Rolf Lassgard. 

É um belíssimo filme sobre a vida.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Espião Que Sabia Demais

O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, França / Inglaterra / Alemanha, 2011) – Nota 6,5
Direção – Tomas Alfredson
Elenco – Gary Oldman, John Hurt, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy, Mark Strong, Toby Jones, David Dencik, Ciaran Hinds, Simon McBurney, Stephen Graham, Kathy Burke, Stuart Graham, Konstantin Khabensky, Katrina Vasilieva.

Londres, 1973. Um grupo de espiões ingleses conhecido como Circus sofre um revés quando um de seus agentes (Mark Strong) é assassinado durante uma missão na Hungria. O líder do grupo conhecido como Control (John Hurt) é dispensado junto com seu braço direito, o agente George Smiley (Gary Oldman).

Pouco tempo depois, Smiley é convocado pelo governo para investigar o próprio grupo, que teria um espião russo infiltrado. Com ajuda de um jovem agente (Benedict Cumberbatch), Smiley fará de tudo para encontrar o traidor. 

Baseado em um livro de John Le Carré, este longa apresenta os mesmos problemas de algumas adaptações de obras de espionagem do autor para o cinema. A história é extremamente confusa. São diversos personagens suspeitos, situações não muito bem explicadas, além de alguns flashbacks que deixam ainda mais dúvidas no espectador. 

A narrativa fria e lenta e outro ponto negativo. A única emoção é uma rápida cena com tiros no início. O filme ganha alguns pontos pela caprichada reconstituição de época e pela interpretação contida de Gary Oldman como o frio e racional agente. 

O diretor sueco Tomas Alfredson é responsável por um filme bem melhor, o original “Deixa Ela Entrar”.

domingo, 14 de maio de 2017

A Mosca da Cabeça Branca & O Retorno da Mosca


A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, EUA, 1958) – Nota 7
Direção – Kurt Neumann
Elenco – David Hedison, Patricia Owens, Vincent Price, Herbert Marshall, Kathleen Freeman.

A história começa com Helene (Patricia Owens) avisando seu cunhado François (Vincent Price) que seu marido Andre (David Hedison) se matou. A partir daí conheceremos a história em flashback, com os irmãos François e Andre trabalhando como cientistas numa máquina de teletransporte sem muito sucesso. 

Num certo momento Andre resolve ser a cobaia, mas quando entra na máquina uma mosca o acompanha. O experimento dá certo em parte, pois o matéria de Andre e da mosca se misturam, com o sujeito ficando com a cabeça e um braço da mosca. A única chance de reverter a situação é Andre encontrar a mosca que ficou com parte do seu corpo e levá-la de volta para máquina junto com ele. 

Este longa de pequeno orçamento e efeitos especiais precários ganhou status de cult com o passar do tempo, principalmente após a sangrenta refilmagem de David Croneneberg em 1986. Além da insólita história, o destaque vai também para o elenco, que tem o grande Vincent Price e o astro do seriado “Viagem ao Fundo Mar” David Hedison, que aqui em início de carreira assinava como Al Hedison.

O Retorno da Mosca (Return of the Fly, EUA, 1959) – Nota 6
Direção – Edward Bernds
Elenco – Vincent Price, Brett Halsey, David Frankham, John Suttom, Danielle De Metz.

Esta continuação do clássico de ficção B “A Mosca da Cabeça Branca” se passa vários anos após o original, quando a viúva do cientista que criou a máquina de teletransporte morre e seu filho Phillippe (Brett Halsey) decide continuar o trabalho do pai, mesmo contra a vontade do tio François (Vincent Price), que também é cientista e viu todo o sofrimento do irmão após se transformar em mosca como consequência uma experiência mal sucedida. 

Após muita discussão, François resolve ajudar o sobrinho que tem como assistente o traiçoeiro Alan Hinds (David Frankham), sujeito que tem como objetivo roubar o projeto e vendê-lo para ficar rico, situação que causará uma nova tragédia. 

Este longa tem um roteiro que complementa bem o filme original, misturando a obsessão do jovem cientista com a ambição do seu assistente desonesto, porém as atuações são fracas, com exceção de Vincent Price. Para muitos, Price era um grande canastrão, mas suas interpretações nestes clássicos de terror e suspense se casam perfeitamente com o gênero.

sábado, 13 de maio de 2017

Kong: A Ilha da Caveira

Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, EUA / China / Austrália / Canadá, 2017) – Nota 7
Direção – Jordan Vogt Roberts
Elenco – Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John C. Reilly, John Goodman, Corey Hawkins, John Ortiz, Tian Jing, Toby Kebbell, Jason Mitchell, Shea Whigham, Thomas Mann, Richard Jenkins.

Em 1973, no dia em que o então presidente Nixon declara que estará retirando as tropas americanas do Vietnã após a fracassada guerra, o explorador Bill Randa (John Goodman) e o geólogo Houston Brooks (Corey Hawkins) conseguem convencer um senador (Richard Jenkins) a liberar verbas para uma expedição a uma ilha do Pacífico. 

Randa alega que seria uma expedição geológica. O senador consegue também que a expedição seja protegida por um grupo de soldados liderados pelo coronel Packard (Samuel L. Jackson). Juntam-se ao grupo o mercenário inglês James Conrad (Tom Hiddleston) e a fotógrafa Mason Weaver (Brie Larson). 

Esta versão de King Kong utiliza elementos dos filmes anteriores para criar uma nova história. O ponto principal aqui são as cenas de ação, que não chegam a ser tão violentas quanto a versão de Peter Jackson e nem tão interessantes quanto o original dos anos trinta, este na minha opinião o melhor de todos. 

Este novo longa peca pelo desenvolvimento raso do personagens. O protagonista Tom Hiddleston está apagado, deixando as melhores cenas para um maluco John C. Reilly. Os muitos cortes e o ritmo acelerado lembram os trabalhos de Michael Bay, o que demonstra a mão fraca do quase desconhecido Jordan Vogt Roberts na direção. 

É um blockbuster que prende a atenção, mas passa longe de ser marcante. 

Após os créditos, ainda surge uma cena que seria um gancho para uma sequência.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ithaca

Ithaca (Ithaca, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Meg Ryan
Elenco – Alex Neustaedter, Sam Shepard, Hamish Linklater, Meg Ryan, Tom Hanks, Jack Quaid, Gabriel Basso, Molly Gordon, Spencer Howell.

Cidade de Ithaca, Califórnia, 1942. Homer (Alex Neustaedter) consegue um emprego como mensageiro da empresa de telégrafos local. Com sua bicicleta, Homer atravessa a cidade para entregar todo tipo de mensagem, inclusive avisando famílias da morte de filhos que estão lutando na Segunda Guerra. 

O próprio Homer sofre pelo irmão (Jack Quaid) que foi convocado e também pela recente morte do pai (Tom Hanks). Sua mãe (Meg Ryan) tenta enfrentar as tristezas com serenidade. As dificuldades da época terminam por moldar o caráter de Homer, que ainda cria um laço de amizade com um velho funcionário do telégrafo (Sam Shepard). 

A estreia da atriz Meg Ryan na direção desperdiça uma sensível história baseada em livro de William Saroyan. A proposta da história é mostrar o amadurecimento de um adolescente e o sofrimento das pessoas que ficaram na América enquanto seus filhos, irmãos e netos foram defender o país na Segunda Guerra. 

Infelizmente, o filme falha em vários aspectos. O roteiro parece ter sido escrito como um simples resumo do livro, deixando pontas em aberto e com pulos no tempo que deixam o espectador perdido, além da coincidência das “chegadas” na cena final. 

Os personagens são mal desenvolvidos. Meg Ryan se mostra apática nas poucas cenas em que aparece e a minúscula presença de Tom Hanks é entendida apenas por ele ser um dos produtores do filme. 

É uma pena, além da história, a reconstituição de época é muito bem feita e dois personagens se destacam. O protagonista vivido por Alex Neustaedter dá conta do recado como o jovem que começa a entender como o funciona o mundo e o garotinho Spencer Howell de apenas quatro anos de idade que interpreta o irmão mais jovem chamado Ulysses. Com graça e espontaneidade, o menino rouba as cenas em que aparece.