segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Silêncio de Melinda

O Silêncio de Melinda (Speak, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Jessica Sharzer
Elenco – Kristen Stewart, Michael Angarano, Steve Zahn, Elizabeth Perkins, D. B. Sweeney, Robert John Burke, Allison Siko, Hallee Hirsh, Eric Lively.

Após ser violentada em uma festa, em seguida chamar a polícia, mas mesmo assim fugir com medo de denunciar o agressor, Melinda (Kristen Stewart) volta para o colégio alguns dias depois tendo de enfrentar o desprezo das amigas que não sabem da violência ocorrida. 

Solitária, Melinda se torna uma garota fechada, mal humorada e de poucas palavras. O trauma afeta também sua vida em família e seu desempenho escolar. Sua única motivação surge nas aulas de arte ministradas por um excêntrico professor (Steve Zahn). 

Baseado em um livro de sucesso, este longa tem como um dos pontos altos a forma sóbria como a triste história é contada. Esta escolha da diretora se casa perfeitamente com a interpretação contida de Kristen Stewart, que passa toda a sua frustração e tristeza através de olhares e poucas palavras. 

Os momentos de maior tensão surgem naturalmente, sem exageros. Além da questão da violência, o roteiro foca também no difícil relacionamento de amizade entre adolescentes, que muitas vezes gera desentendimentos e conflitos. 

É uma opção para quem gosta deste estilo de drama.   

domingo, 24 de setembro de 2017

Novo Mundo

Novo Mundo (Sinsegye, Coreia do Sul, 2013) – Nota 7,5
Direção – Hoon Jung Park
Elenco – Jung Jae Lee, Min Sik Choi, Jung Min Hwang, Sung Woong Park, Ji Hyo Song.

O chefão de uma quadrilha morre em um suspeito acidente de automóvel, abrindo espaço para uma disputa interna entre dois grupos. Um dos postulantes ao cargo é o agitado Jung Chung (Jung Min Hwang) que tem como braço-direito Lee Ja Sung (Jung Jae Lee). 

Considerado um sujeito racional dentro da organização, Lee esconde sua verdadeira identidade. Ele é um policial infiltrado que tem como único contato o Capitão Kang (Min Sik Choi de “Oldboy”). Querendo abandonar o trabalho, Lee é pressionado pelo Capitão a ajudá-lo a colocar Jung no comando da organização, para facilitar a ação da polícia. 

Como é comum aos filmes do gênero, algumas reviravoltas mudam completamente a situação. O ponto principal do longa é o roteiro que explora as brigas, mortes e traições entre os bandidos que disputam o posto mais alto da organização. 

As reviravoltas citadas são interessantes, porém o filme perde alguns pontos pela narrativa irregular. Algumas passagens também são lentas. No geral, é mais um bom filme policial sul-coreano. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Uma Secretária de Futuro

Uma Secretária de Futuro (Working Girl, EUA, 1988) – Nota 6,5
Direção – Mike Nichols
Elenco – Harrison Ford, Melanie Griffith, Sigourney Weaver, Alec Baldwin, Joan Cusack, Philip Bosco, Nora Dunn, Oliver Platt, Kevin Spacey, Olympia Dukakis, Amy Aquino.

Tess (Melanie Griffith) trabalha como assistente em uma corretora de ações. Por se sentir desprezada, ela abandona o emprego e consegue uma recolocação como secretária em uma grande empresa. 

Sua nova chefe (Sigourney Weaver) a princípio se mostra interessada em Tess, como se fosse sua mentora. Uma ideia proposta por Tess muda completamente a relação. Percebendo o que está ocorrendo, a jovem tenta vender sua ideia diretamente para outro executivo (Harrison Ford), dando início a uma inusitada situação. 

Sucesso quando foi lançado, este longa que mistura comédia e drama envelheceu mal. Os percalços enfrentados pela protagonista são cada vez mais comuns no mercado de trabalho, seja com homens ou mulheres. 

Na época, a proposta era interessante por mostrar como as relações de trabalho estavam se modificando. Hoje, a história se mostra até mesmo ingênua. A “armação” montada pela protagonista e as cenas engraçadinhas deixam o longa com cara de comédia descartável. 

Mesmo com a presença de nomes como Harrison Ford e Sigourney Weaver, o destaque fica para Melanie Griffith, que estava no auge da carreira. 

É um filme mediano, nada mais que isso.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pássaro Branco na Nevasca

Pássaro Branco na Nevasca (White Bird in a Blizzard, França / EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Gregg Araki
Elenco – Shailene Woodley, Eva Green, Christopher Meloni, Shiloh Fernandez, Thomas Jane, Angela Bassett, Gabourey Sidibe, Mark Indelicato, Dale Dickey, Sheryl Lee.

Meses finais de 1988. A jovem Kat (Shailene Woodley) precisa lidar com o desaparecimento da mãe (Eva Green). 

Aos dezessete anos, namorando um jovem vizinho (Shiloh Fernandez) e as vésperas de ir para universidade, Kat relembra momentos em que sua mãe mostrou frustração como marido (Christopher Meloni) e inveja da própria filha. Antes de mudar de cidade, Kat também se envolve sexualmente com um veterano policial (Thomas Jane). 

O diretor Gregg Araki é especialista em filmes que abordam o lado obscuro da juventude. Descobertas sexuais, drogas e conflitos de relacionamento são os temas explorados. Neste filme, mesmo tocando nos mesmos temas, Araki pega mais leve na trama, com exceção da descoberta na sequência final. 

O destaque do elenco fica para a desenvoltura da jovem Shailene Woodley, inclusive nas cenas de nudez. 

Resumindo, é um filme que mostra as frustrações nos relacionamentos, aquilo que se esconde nas aparentes famílias perfeitas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Polícia Federal: A Lei é Para Todos

Polícia Federal: A Lei é Para Todos (Brasil, 2017) – Nota 7,5
Direção – Marcelo Antunez
Elenco – Antonio Calloni, Marcelo Serrado, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevsy, Ary Fontura, João Baldasserini, Rainer Cadete, Roberto Berindelli, Roney Facchini, Leonardo Medeiros.

A enorme teia de corrupção que tomou conta do nosso país veio à tona graças a Operação Lava Jato. 

A investigação que prendeu um doleiro especializado em “lavar” dinheiro abriu o caminho para se chegar em políticos e empresários que utilizavam suas posições para conseguir vantagens lesando os cofres públicos. 

Para os brasileiros que desejam viver em um país com menos corrupção e um pouco mais de justiça, este filme vai além do cinema, resultando num verdadeiro registro histórico de uma operação que tem tudo para mudar os rumos do Brasil . 

A grande quantidade de fatos e personagens é resumida através de um roteiro que aborda os principais acontecimentos da operação, desde seu início até a chamada “condução coercitiva” que obrigou o ex-presidente a depor. 

A operação segue forte e deverá continuar ainda por um bom tempo, com fatos para render pelo menos uma sequência. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Uma Viagem Extraordinária

Uma Viagem Extraordinária (The Young and Prodigious T.S. Spivet, França / Austrália / Canadá, 2013) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre Jeunet
Elenco – Kyle Catlett, Helena Bonham Carter, Callum Keith Rennie, Judy Davis, Niamh Wilson, Jakob Davies, Dominique Pinon, Julian Richings.

T.S. Spivet (Kyle Catlett) é um garoto de dez anos que vive com a família em um rancho em Montana. A mãe (Helena Bonham Carter) é uma pesquisadora de insetos e o pai (Callum Keith Rennie) um fazendeiro nato, assim como Layton (Jakob Davies), o irmão gêmeo de T.S. A família ainda tem uma filha (Niamh Wilson) que sonha em se tornar atriz. 

A aparente fragilidade de T.S. esconde um garoto prodígio que é ignorado pela família e por seus professores. Sua genialidade o leva a enviar um projeto para um famoso prêmio científico. Ele vence o prêmio sem que os organizadores saibam que o projeto foi feito por uma criança. Para receber o prêmio, T.S. inicia uma jornada de trem entre Montana e Nova York. 

O ótimo diretor francês Jean Pierre Jeunet novamente entrega um longa com uma belíssima fotografia e uma história sensível narrada pelo protagonista que mistura drama familiar, aventura e comédia, como se fosse uma fábula moderna. 

O ponto alto do longa é a viagem do protagonista, incluindo a pequena participação do ator francês Dominique Pinon, parceiro habitual do diretor Jeunet. Vale destacar a ainda atuação do garoto Kyle Catlett e a ótima Helena Bonham Carter, especialista em papéis extravagantes. 

Para quem gosta do estilo de Jeunet, este longa é mais uma ótima opção. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Ameaça

A Ameaça (The Harvest, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – John McNaughton
Elenco – Samantha Morton, Michael Shannon, Natasha Calis, Charlie Tahan, Peter Fonda, Leslie Lyles, Meadow Williams.

A médica Katherine (Samantha Morton) e seu marido Richard (Michael Shannon) passam por uma crise no casamento por conta da doença do filho Andy (Charlie Tahan). 

Obcecada em cuidar da saúde do filho e mantê-lo longe de qualquer perigo, Katherine trata o marido com desprezo por conta da diferença de profissões. Richard abandonou o emprego de enfermeiro para cuidar de Andy. 

Katherine se mostra ainda mais radical quando a garota Maryann (Natasha Calis), que mora na vizinhança, se aproxima de Andy querendo fazer amizade. 

A primeira metade do longa é aparentemente um drama sobre doença, daqueles em que adolescentes sofridos criam um laço de amizade. Na metade final o roteiro apresenta uma sinistra surpresa e transforma o filme em um suspense absurdo, lembrando uma produção para tv dos anos oitenta e noventa.

 O ótimo Michael Shannon não tem muito espaço para se destacar, enquanto Samantha Morton chama a atenção pelo exagero. 

O diretor John McNaughton foi elogiado pela crítica pelo violento “Henry – Retrato de um Assassino” de 1986, porém nos trabalhos posteriores jamais conseguiu comprovar seu potencial.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Onda

A Onda (Bolgen, Noruega, 2015) – Nota 7
Direção – Roar Uthaug
Elenco – Kristoffer Joner, Ane Dahl Torp, Jonas Hoff Oftebro, Edith Haagerund Sande, Fridtov Saheim.

Kristian (Kristoffer Jones) é um geólogo que está em seu último dia de trabalho em uma estação de observação numa pequena cidade da Noruega. 

Ele mudará com a esposa (Ane Dahl Torp) e o casal de filhos (Jonas Hoff Oftebro e Edith Haagerund Sande) para uma cidade maior onde trabalhará na indústria de petróleo. 

No fatídico dia, os sensores que monitaram a montanha que beira a cidade detecta estranhas movimentações. Considerado um sujeito que se preocupa demais com o trabalho, Kristian tenta convencer os colegas de que pode ocorrer um deslizamento e que se nada for feito rapidamente uma tragédia será inevitável. 

Esta competente longa norueguês segue a cartilha dos filmes-catástrofe. Temos um protagonista obcecado, as pistas de que a catástrofe está prestes a ocorrer e finalmente as criativas cenas de destruição. 

A trama é totalmente previsível, porém o longa ganha pontos pelas cenas citadas e pelo suspense criado nestas sequências. A onda criada pelo tsunami é assustadora e as sequências dos personagens submersos são angustiantes. 

Vale destacar ainda a belíssima fotografia que explora os cenários naturais da região. 

domingo, 17 de setembro de 2017

Cardboard Boxer

Cardboard Boxer (Cardboard Boxer, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Knate Lee
Elenco – Thomas Haden Church, Terrence Howard,  Boyd Holbrook, Rhys Wakefield, Marlo Thomas, David Henrie, Macy Gray.

Willie (Thomas Haden Church) é um solitário morador de rua que sobrevive procurando sobras no lixo. Numa destas procuras, ele encontra um diário que está queimado em parte. Ao começar a ler diário, Willie descobre ser de uma criança que perdeu a mãe. 

Ao mesmo tempo, Willie faz amizade com um veterano soldado que perdeu as pernas (Boyd Holbrook) e se envolve com alguns jovens ricos e mimados que oferecem trocados para ele brigar contra outros moradores de rua. 

O roteiro escrito pelo diretor estreante Knate Lee foca na triste vida dos moradores de rua, que além da violência, da fome e do desprezo das pessoas, muitos ainda precisam enfrentar seus próprios demônios. O protagonista vivido por Thomas Haden Church busca basicamente a amizade, alguém para conversar, ou seja, sonha como uma simples vida normal. 

Mesmo não sendo um astro, a carreira de Thomas Haden Church é extremamente curiosa. Somente com quase trinta anos de idade, o ator conseguiu seus primeiros papéis de coadjuvante na tv. Sua grande chance chegou com a série “Ned and Stacey” ao lado da atriz Debra Messing. A série foi cancelada após duas temporadas e Haden Church voltou aos pequenos papéis, até que em 2004 o diretor Alexander Payne o escalou para o ótimo e surpreendente “Sideways” que fez sucesso, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante e assim colocou sua carreira de volta nos trilhos.

sábado, 16 de setembro de 2017

Cosmópolis

Cosmópolis (Cosmopolis, Canadá / França / Portugal / Itália, 2012) – Nota 5
Direção – David Cronenberg
Elenco – Robert Pattinson, Sarah Gadon, Juliette Binoche, Paul Giamatti, Kevin Durand, Samantha Morton, Emily Hampshire, Jay Baruchel, Mathieu Amalric, Patricia McKenzie, Abdul Ayoola.

Em Nova York, o empresário bilionário Eric Packer (Robert Pattinson) ignora as sugestões de seu chefe de segurança (Kevin Durand) e decide atravessar a cidade em uma limousine somente para cortar o cabelo com seu barbeiro. 

A passagem do presidente americano pela região e os protestos de pessoas contra a crise financeira que assola o país, transformam a cidade em um caos e colocam em risco sua própria vida. 

Durante sua saga pela cidade, Packer recebe na limousine jovens especialistas em tecnologia digital, faz sexo com mulheres, conversa sobre economia e filosofia, além de tentar convencer sua esposa (Sarah Gadon) a transar com ele. 

O roteiro escrito por David Cronenberg tenta fazer uma crítica a especulação financeira capitalista e ao avanço da tecnologia, porém a verborragia exagerada com diálogos filosóficos tornam o longa extremamente cansativo.

Por mais que a ideia de dividir o mundo entre a segurança dentro da limousine e o caos da ruas seja interessante, tudo se perde nos diálogos. 

As interpretações também são estranhas, os personagens parecem recitar diálogos de um teatro do apocalipse.

Mesmo com o capricho na parte técnica, na minha opinião é o pior trabalho de Cronenberg.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Tráfico de Órgãos & A Fraude


Tráfico de Órgãos (Inhale, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Dermot Mulroney, Diane Kruger, Sam Shepard, Vincent Perez, Jordi Molla, Rosanna Arquette, Cesar Ramos, Kristyan Ferrer, David Selby, Mia Stallard.

Paul Stanton (Dermot Mulroney) é um promotor enfrentando um dilema pessoal e outro profissional. No âmbito profissional, ele precisa decidir se processa ou entra em acordo com um pai de família que atirou em um pedófilo que teria abusado de seu filho. Na vida pessoal, Paul e sua esposa Diane (Diane Kruger) sofrem com a doença da filha (Mia Stallard) que precisa urgentemente de um transplante de pulmão. 

Desesperado por saber que a chance da filha ser salva é pequena, ao descobrir que um amigo que é político (Sam Shepard) pagou por um transplante clandestino de coração, Paul decide seguir o mesmo caminho. Uma pequena pista o leva até a violenta cidade de Juarez na fronteira do México com os Estados Unidos. É o início de uma descida ao inferno em busca da salvação da filha. 

Por mais que sejam tratados como lenda urbana, o tráfico de órgãos e os transplantes clandestinos são realidades que de tempos em tempos são investigados por algum jornalista corajoso, mas que logo se tornam temas esquecidos. 

Este bom filme dirigido pelo islandês Baltasar Kormakur explora o tema como um thriller. O protagonista vivido por Dermot Mulroney se infiltra no submundo violento da cidade fronteiriça de Juarez, batendo de frente com membros de gangue, garotos de rua e a corrupção de agentes oficiais. 

O roteiro deixa claro a ineficiência do sistema oficial para quem está na fila esperando a doação de um órgão. E sempre que um determinado nicho oficial não consegue suprir a procura, surge o mercado paralelo, mesmo sendo uma questão de saúde. 

É um filme que prende a atenção, cumpre o papel de deixar o espectador tenso e ainda faz uma crítica social.

A Fraude (A Little Trip To Heaven, Islândia / EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Forest Whitaker, Julia Stiles, Jeremy Renner, Peter Coyote.

Na cena inicial, uma viúva é enganada por dois funcionários de uma empresa de seguros. O investigador Abe (Forest Whitaker) e o supervisor Frank (Peter Coyote) manipulam a pobre mulher para favorecer a seguradora. 

Em seguida, a trama pula para um bar de beira de estrada, onde um sujeito (Jeremy Renner) forja um acidente de carro fatal que deixa uma vítima irreconhecível. Seu objetivo é fazer sua irmã (Julia Stiles) receber um milhão de dólares do seguro. Abe segue para a pequena cidade em busca de evidências de que o acidente tenha sido uma fraude. 

A instigante premissa que mistura investigação e fraude de seguros se perde em um roteiro previsível e uma narrativa irregular. O roteiro não consegue criar suspense ou reviravoltas, pois as cartas são colocadas na mesa rapidamente. O que resta de qualidade é a investigação feita pelo meticuloso personagem de Forest Whitaker. 

O diretor islandês Baltasar Kormakur faria filmes melhores em Hollywood como “Evereste”, “Contrabando” e o comentado anteriormente “Tráfico de Órgãos”.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ao Cair da Noite

Ao Cair da Noite (It Comes at Night, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Trey Edward Shults
Elenco – Joel Edgerton, Christopher Abbott, Carmen Ejogo, Riley Keough, Kelvin Harrison Jr., Griffin Robert Faulkner, David Pendleton.

Um idoso muito doente é “sacrificado” por três pessoas utilizando máscaras contra gás. Logo, descobrimos que a vítima estava infectada por algo desconhecido. 

Seu genro Paul (Joel Edgerton), sua filha Sarah (Carmen Ejogo) e o neto Travis (Kelvin Harrison Jr.) tentam se manter isolados da praga ficando em casa no meio de um bosque. 

Quando um estranho (Christopher Abbott) chega ao local procurando comida e água para sua esposa (Riley Keough) e o filho pequeno, tudo muda. As duas famílias aparentemente se unem para defender a casa, mas no fundo o que cresce é um clima de desconfiança entre eles. 

O melhor deste longa de suspense é o clima de apocalipse que permeia toda a narrativa. O problema é que o roteiro não desenvolve o potencial da trama, deixando um monte de perguntas no ar e entregando uma história previsível. 

Não existe explicação para a infecção ou qualquer coisa que dê uma pista. Os sonhos do personagem vivido por Kelvin Harrison Jr praticamente entregam o que aconteceria no final. Além disso, as várias cenas noturnas no escuro são mais cansativas do que assustadoras. 

Mesmo com a curta duração, a impressão é que faltou história.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Suburra

Suburra (Suburra, Itália / França, 2015) – Nota 8,5
Direção – Stefano Sollima
Elenco – Pierfrancesco Favino, Claudio Amendola, Elio Germano, Alessandro Borghi, Greta Scarano, Giulia Gorietti, Jean Hugues Anglade, Adamo Dionisi.

Em Roma, após uma noite de sexo e drogas, o deputado Malgradi (Pierfrancesco Favino) e a prostituta Sabrina (Giulia Gorietti) se desesperam quando outra prostituta que é menor de idade passa mal e morre no quarto do hotel. 

Sabrina chama um amigo para se livrar do corpo, enquanto Malgradi volta para casa acreditando que o problema está encerrado. A morte da jovem é o fato que desencadeia uma complexa trama que envolve vários personagens, um rastro de corrupção para aprovação de uma lei e uma guerra entre duas quadrilhas. 

O diretor Stefano Sollima entrega um ótimo filme de gângster que explora traição, vingança, sexo, drogas, prostituição, violência e corrupção. Todos estes itens clássicos do gênero estão inseridos no roteiro que amarra pelo menos três histórias paralelas que convergem para o Dia do Apocalipse. No início do filme, é citada uma contagem de dias para a chegada do apocalipse. 

O único ponto que poderia ter sido melhor explorado é a questão da participação religiosa na corrupção. O cardeal corrupto vivido por Jean Hugues Anglade e a decisão do Papa são situações que ficam à margem da trama, sem uma grande explicação. 

Mesmo assim, o resultado é sensacional longa que lembra os trabalhos de Martin Scorsese. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Estranha Vida de Timothy Green

A Estranha Vida de Timothy Green (The Odd Life of Timothy Green, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Peter Hedges
Elenco – Jennifer Garner, Joel Edgerton, CJ Adams, Odeya Rush, Shohreh Aghdashloo, Rosemarie DeWitt, David Morse, M. Emmet Walsh, Lois Smith, Lin Manuel Miranda, Dianne Wiest, Ron Livingston, James Rebhorn, Common.

Após anos tentando engravidar sem sucesso, Cindy (Jennifer Garner) e Jim Green (Joel Edgerton) são obrigados a enfrentar a notícia de que somente uma milagre faria eles terem um filho. 

O sonho despedaçado renasce em uma noite de tempestade quando um garoto chamado Timothy (CJ Adams) aparece na porta da casa dos Green. Sem falar de onde veio e tendo algumas estranhas folhas presas na perna, Timothy assume o papel de filho, para alegria de Cindy e Jim, que terão de aprender a lidar com a paternidade. 

O roteiro escrito pelo diretor Peter Hedges mistura drama, comédia e fantasia para contar uma história sensível em alguns momentos, porém previsível e até bobinha em várias sequências, principalmente na forma como os pais participam da vida do novo filho, tentando protegê-lo de sua ingenuidade. 

As histórias paralelas dos empregos de Jim na fábrica de lápis e de Cindy no museu são clichês, assim como o relacionamento complicado do primeiro com o pai durão (David Morse). 

É um filme no máximo razoável, em que a aparência bonitinha engana.