sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Fome

Fome (Hunger, Inglaterra / Irlanda, 2008) – Nota 7,5
Direção – Steve McQueen
Elenco – Michael Fassbender, Liam Cunningham, Stuart Graham, Brian Milligan, Liam McMahon.

Prisão Maze, Irlanda do Norte, 1981. Os detentos ligados ao IRA, o Exército Republicano Irlandês que defende a independência da Irlanda do Norte, se negam a usar os uniformes de presidiários e são tratados como terroristas, pois muitos foram detidos após cometerem assassinatos e atentados à bomba. 

Vivendo como animais em celas imundas e sendo espancados vez por outra pelos guardas, um dos seu líderes chamado Bobby Sands (Michael Fassbender), decide iniciar uma greve de fome como forma de protesto, sendo seguido por outros e resultando em tragédia. 

O diretor Steve McQueen, do posteriores “Shame” e “Doze Anos de Escravidão”, estreou em um longa com este drama pesadíssimo baseado em uma história real. É um filme para pessoas de estômago forte, daqueles em que o espectador é colocado à prova frente a situações limites, violência e humilhações. A lentidão proposital da narrativa transmite uma angústia ainda maior. 

Um dos destaques é a atuação visceral de Michael Fassbender, que repetiria o estilo em “Shame”. Uma sequência é sensacional. O diálogo entre o personagem de Fassbender e o padre vivido por Liam Cunnigham com a câmera focando os dois sentados em lados opostos de uma mesa, tem a duração de quinze minutos sem cortes, com direito a mais quatro ou cinco minutos de conversa posterior. O conteúdo da conversa é também uma belíssima explicação sobre o porquê da greve de fome e os sentimentos dos envolvidos em relação a luta do IRA contra o governo inglês. 

Está longe de ser um filme para o público comum.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O Homem do Tai Chi

O Homem do Tai Chi (Man of Tai Chi, EUA / China / Hong Kong, 2013) – Nota 5,5
Direção – Keanu Reeves
Elenco – Keanu Reeves, Tiger Hu Chen, Karen Mok, Hai Yu, Qing Ye.

O jovem “Tiger” Chen Lin Hu (Tiger Hu Chen) estuda a arte marcial Tai Chi com o mestre Yang (Hai You). O mestre procura ensinar Tiger a utilizar o Tai Chi para encontrar paz e harmonia entre corpo e mente, enquanto o jovem transforma o aprendizado em luta. 

Tiger se destaca durante um campeonato de artes marciais e chama a atenção do empresário Donaka Mark (Keanu Reeves), que comanda um clube de lutas clandestino em Hong Kong. Atraído pelo dinheiro e pela adrenalina das lutas, Tiger se envolve sem imaginar que pode ser um caminho sem volta. 

A estreia do ator Keanu Reeves como diretor se salva apenas pelas boas cenas de lutas. O roteiro é previsível, com direito a um clímax que comprova as motivações idiotas do personagem de Reeves, que interpreta o vilão da trama. 

As interpretações também são lamentáveis. Reeves está mais canastrão do que nunca e o até então dublê Tiger Hu Chen não demonstra carisma algum, tendo competência apenas nas cenas de luta. 

Quem gosta do gênero poderá se divertir com as lutas, mas mesmo assim, muitos longas semelhantes produzidos em Hong Kong são melhores até mesmo neste quesito.   

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Godzilla (1998 e 2014)


Godzilla (Godzilla, EUA / Japão, 1998) – Nota 5,5
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Hank Azaria, Kevin Dunn, Michael Lerner, Harry Shearer, Doug Savant, Vicky Lewis.

Na sequência inicial, vemos os testes nucleares realizados na Polinésia em 1954 e um lagarto com seus ovos. Décadas depois, o governo americano encontra enormes pegadas no Panamá, que não se assemelham a animal algum conhecido. Para analisar as pegadas é enviado o cientista Niko Tatopoulos (Matthew Broderick), especialista em mutações de DNA. Logo, ele descobre que o animal está seguindo em direção a Nova York. No rastro do animal, seguem o cientista, uma aspirante a jornalista (Maria Pitillo) e um cinegrafista (Hank Azaria), além do exército liderado por um oficial linha dura (Jean Reno). 

Massacrado pela crítica, este blockbuster tem o estilo Roland Emmerich de cinema, com uma explosão de efeitos especiais, muito barulho, correria e diálogos engraçadinhos, além de personagens mal desenvolvidos. Apesar de Matthew Broderick ser um bom ator, seu habitat natural é a comédia. Sua escolha para ser o protagonista de uma ficção de ação foi um grande erro. Não se pode esquecer também dos constrangedores “Bebês Godzillas”. 

É um filme totalmente esquecível.

Godzilla (Godzilla, EUA / Japão, 2014) – Nota 6
Direção – Gareth Edwards
Elenco – Aaron Taylor Johnson, Ken Watanabe, Bryan Cranston, Elizabeth Olsen, Sally Hawkins, Juliette Binoche, David Straithairn, Richard T. Jones, Victor Rasuk.

Em 1999, um grupo de cientistas liderados pelo Dr. Serizawa (Ken Watanabe) descobre o corpo de um enorme animal pré-histórico em uma ilha das Filipinas. Aparentemente, o animal deu a luz a um filhote que desapareceu no mar. No mesmo período, um terremoto atinge uma usina nuclear no Japão. Quinze anos depois, Joe Brody (Bryan Cranston), um dos sobreviventes da tragédia da usina, ainda investiga o caso. Obcecado em descobrir a verdade, Joe praticamente arrasta seu filho Ford (Aaron Taylor Johnson) para ajudá-lo. 

Esta nova versão de “Godzilla” começa muito bem, com um clima de tensão e suspense durante o desastre da usina, em sequências valorizadas pelas ótimas presenças de Bryan Cranston e Juliette Binoche. Por sinal, o personagem de Cranston é o melhor do filme. 

Infelizmente, a sequência da história é repleta de furos, situações absurdas e personagens mal desenvolvidos. O talentoso japonês Ken Watanabe e a ótima inglesa Sally Hawkins são totalmente desperdiçados. A parte final melhora um pouco quando a ação se torna o ponto principal e o Godzilla o protagonista. 

O resultado é mais um blockbuster vazio.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Renascido das Trevas

Renascido das Trevas (Blood Creek, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Henry Cavill, Dominic Purcell, Emma Booth, Michael Fassbender, Rainer Winkelvoss, Shea Whigham.

Em 1936, a família alemã Wollner recebe em sua fazenda na região de West Virginia, o historiador Richard Wirth (Michael Fassbender), que foi enviado pelo governo de Hitler aparentemente para uma pesquisa. O que eles não imaginavam é que a missão de Wirth é encontrar uma enorme pedra nórdica que está escondida na fazenda e supostamente utilizar seus poderes para criar a vida eterna. 

A trama pula para os dias atuais, quando o paramédico Evan (Henry Cavill) recebe em sua casa a inesperada visita de seu irmão Victor (Dominic Purcell), que estava desaparecido há dois anos. Desesperado, Victor procura armas e praticamente arrasta Evan para uma caçada num local afastado. 

Joel Schumacher é um diretor que não segue estilo algum. Ele já se aventou por todos os gêneros, do drama exagerado ao gore, do romance ao terror adolescente e do musical até a guerra. Considero seus dois melhores filmes o divertido “Os Garotos Perdidos” e o ótimo “Um Dia de Fúria”, provavelmente o trabalho pelo qual ele será lembrado no futuro. 

A premissa deste “Renascido das Trevas” é ao mesmo tempo maluca e intrigante ao misturar nazistas, ocultismo e runas nórdicas no meio de uma zona rural americana. Mesmo numa fase decadente da carreira, Schumacher consegue imprimir um ritmo alucinante com cenas de ação recheadas de sangue e violência. O problema principal é o roteiro maluco cheio de falhas e as explicações que não convencem. 

O final ainda deixa um gancho para a sequência da história, porém o fracasso do longa enterrou qualquer possibilidade de continuação.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bicho de Sete Cabeças & O Beijo da Mulher Aranha


Bicho de Sete Cabeças (Brasil, 2001) – Nota 7,5
Direção – Lais Bodanzky
Elenco – Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss, Daniela Nefussi, Jairo Mattos, Caco Ciocler, Gero Camilo, Altair Lima, Marcos Cesana, Luís Miranda.

No início dos anos setenta, Neto (Rodrigo Santoro) é um jovem rebelde de classe média. Ele é detido após cometer um pequeno delito, fato que obriga seu pai (Othon Bastos) a buscá-lo na delegacia. Ao voltar para casa, seu pai encontra um cigarro de maconha no quarto de Neto e junto com a mãe (Cássia Kiss) e a filha mais velha (Daniela Nefussi), eles decidem internar o jovem em um manicômio. É o início do inferno na vida do garoto, que terá de enfrentar descaso, violência e maus tratos dentro da instituição. 

Este drama pesado é baseado na vida real de Austregésilo Carrano Bueno, que foi internado num manicômio por seu próprio pai, numa época em que qualquer menção as drogas levava os pais a histeria. 

O longa foi premiado em alguns festivais e a interpretação de Rodrigo Santoro bastante elogiada. O resultado é um retrato cruel das instituições psiquiátricas brasileiras. 

O Beijo da Mulher Aranha (Kiss of the Spider Woman, Brasil / EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Hector Babenco
Elenco – William Hurt, Raul Julia, Sonia Braga, Nuno Leal Maia, José Lewgoy, Denise Dumont, Miriam Pires.

Durante uma ditadura em um país qualquer da América do Sul, dois prisioneiros são obrigados a conviver em uma cela e acabam se aproximando apesar das diferenças entre si. Valentin (Raul Julia) é um preso político que foi torturado, enquanto Molina (William Hurt) é um homossexual que cumpre pena por ter se relacionado com um menor. Para manter sua sanidade, Molina cria histórias como se fossem filmes românticos, fato que a princípio irrita o militante Valentin. 

O longa foi indicado ao Oscar de Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator (William Hurt), chamando grande atenção na época do lançamento por causa da história que misturava temas polêmicos como homossexualismo e ditadura. 

Apesar de ter muitos fãs, principalmente entre os críticos de cinema, visto hoje o impacto é bem menor. Pessoalmente prefiro outros filmes de Babenco como “Pixote”, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” e até o criticado “Carandiru”.

domingo, 21 de agosto de 2016

Forsaken

Forsaken (Forsaken, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Jon Cassar
Elenco – Kiefer Sutherland, Donald Sutherland, Brian Cox, Michael Wincott, Aaron Poole, Demi Moore, Jonny Rees.

Dez anos após o final da Guerra da Secessão, John Henry Clayton (Kiefer Sutherland) volta para casa e descobre que sua mãe faleceu. John Henry se tornou um conhecido pistoleiro após a guerra, fato que não é aceito por seu pai, o Reverendo Clayton (Donald Sutherland). 

Sua volta para casa é uma tentativa de retomar a vida normal, porém tudo fica ainda mais complicado ao descobrir que um sujeito (Brian Cox) contratou assassinos para pressionar os fazendeiros da região a venderem suas terras, pois em breve a ferrovia passará no local. 

Sou fã de westerns e considero sempre bom assistir novos filmes do gênero, o problema é que muitas vezes os diretores não apresentem nada de novo em relação ao tema. É o que acontece neste longa, que apesar de ter um boa produção, uma bela fotografia e algumas cenas legais de tiroteios, a história é clichê do começo ao fim. Com quinze minutos filme já dá para saber o que acontecerá no final. 

Acredito que o filme tenha sido um projeto pessoal do astro Kiefer Sutherland e uma chance de contracenar com o pai Donald, que completou oitenta anos de idade em 2015. A presença de pai e filho é um dos pontos principais deste trabalho correto, porém totalmente previsível. 

Como informação, uma envelhecida Demi Moore interpreta a ex-namorada do personagem de Kiefer Sutherland, uma personagem pequena para uma atriz que já foi uma das mais famosas do cinema.  

sábado, 20 de agosto de 2016

Appropriate Adult

Appropriate Adult (Appropriate Adult, Inglaterra, 2011) – Nota 8
Direção – Julian Jarrold
Elenco – Emily Watson, Dominic West, Robert Glenister, Sylvestra Le Touzel, Monica Dolan.

Gloucester, Inglaterra, 1994. A polícia detém para interrogatório o casal Fred (Dominic West) e Rosemary West (Monica Dolan), que são suspeitos de terem assassinado uma das filhas. 

Os detetives consideram Fred um sujeito com sérios problemas psicológicos, por este convocam uma espécie de assistente social civil para acompanhar o interrogatório. A pessoa enviada para o trabalho é Janet Leach (Emily Watson), uma mulher comum mãe de quatro filhos, que vive com o segundo marido que é bipolar. 

Mesmo sendo o primeiro trabalho do tipo que enfrentará, Janet aceita o desafio. Logo na primeira conversa, ela se assusta ao ouvir Fred contar friamente como matou a filha e a enterrou no quintal de casa. Fred tenta esconder a participação da esposa no crime, mas deixa a entender que outras mortes ocorreram. 

Produzido em formato de minissérie para tv inglesa, esta obra descreve a história real de uma série de crimes cometidos pelo casal West que abalaram a cidade de Gloucester. 

Utilizando informações de conhecimento público, a minissérie explora ainda a relação quase de amizade que surge entre Fred e Janet, sendo que a segunda enfrenta um verdadeiro maremoto de sentimentos a cada nova revelação do assassino. 

A terrível história por si só é extremamente interessante, sendo valorizada ainda mais pelas ótimas interpretações da dupla principal.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

No Coração do Mar & Moby Dick


No Coração do Mar (In the Heart of the Sea, EUA / Austrália / Espanha / Inglaterra / Canadá, 2015) – Nota 8
Direção – Ron Howard
Elenco – Chris Hemsworth, Benjamin Walker, Cillian Murphy, Brendan Gleeson, Ben Whishaw, Michelle Fairley, Tom Holland, Paul Anderson, Frank Dillane, Jordi Molla.

Em 1850, o escritor Herman Melville (Ben Whishaw) viaja até a ilha de Nantucket para encontrar Tom Nickerson (Brendan Gleeson), o último sobrevivente da tragédia do navio Essex que ainda está vivo. Melville deseja saber a verdade sobre o ocorrido. Mesmo relutante, Nickerson decide contar a história. 

A partir daí, a trama volta para 1820, quando o navio comandado pelo novato capitão George Pollard (Benjamin Walker) e o experiente primeiro-imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) segue para alto mar com o objetivo de caçar baleias para conseguir óleo, que na época era o principal combustível. 

O roteiro explora ao mesmo tempo o livro de Nathaniel Philbrick, que conta a história real do Essex, com o lado ficcional da visita de Herman Melville a Nantucket para saber os detalhes da história. Realmente Herman Melville utilizou o livro de Philbrick como inspiração para escrever o clássico “Moby Dick”, mas o encontro dele com Nickerson aparentemente é ficção. 

Apesar de ter fracassado nas bilheterias, o filme é extremamente competente, com um narrativa que mescla aventura e drama na medida certa, criando uma disputa de egos entre Pollard e Chase, dois sujeitos de classes diferentes, porém igualmente ambiciosos. 

Os efeitos especiais são outro destaque. A sequência do navio em meio a tormenta e as aparições da enorme baleia branca são assustadoras. 

Talvez a explicação para a falta de interesse do público seja a própria história que segue um estilo clássico, lembrando obras antigas sobre marinheiros em luta com os perigos do mar, como a própria adaptação de John Huston para “Moby Dick”. O longa de Huston era muito mais drama e um pouco superior, mas surpreendentemente, este longa de Ron Howard se mostra um belo filme também.

Moby Dick (Moby Dick, EUA, 1956) – Nota 8,5
Direção – John Huston
Elenco – Gregory Peck, Richard Basehart, Leon Genn, Frederich Ledebur, James Robertson Justice, Harry Andrews, Royal Dano, Bernard Miles, Noel Purcell, Orson Welles.

Anos após ter perdido a perna no ataque de uma enorme baleia branca, o capitão Ahab (Gregory Peck) organiza uma nova expedição em busca de vingança. Carregado de ódio e obcecado em encontrar a baleia, Ahab segue para alto mar sem se preocupar se voltará vivo, seu único objetivo é matar o animal. Os problemas naturais do mar e a loucura do capitão que aumenta com o passar do tempo, aos poucos transformam a expedição em um inferno, com os tripulantes se revoltando com a situação. 

O diretor John Huston explora o lado insano da obra de Herman Melville adaptada pelo escritor Ray Bradbury, tanto na obsessão do protagonista, quanto na ganância dos tripulantes, pontos habituais na filmografia do diretor. Vale destacar ainda os efeitos especiais em maquetes que eram comuns na época e que ainda impressionam, mesmo levando em conta quando o filme foi produzido. 

A atuação assustadora de Gregory Peck outro ponto alto, assim como o ótimo Richard Basehart que vive Ishmael, o primeiro em comando após o capitão. Como curiosidade, Orson Welles tem uma pequena participação interpretando um padre no início do longa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Uma Noite de Crime 3: O Ano da Eleição

Uma Noite de Crime 3: O Ano da Eleição (The Purge: Election Year, França / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – James DeMonaco
Elenco – Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge, Kyle Secor.

Após muitos anos causando a morte de pessoas através de milhares de assassinatos, em sua maioria tendo como vítima a população pobre, a lei da “Noite do Expurgo” é alvo de protestos de grupos e também da senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), que é candidata a presidente e que promete revogar a lei caso seja eleita. 

Um dia antes de uma nova “Noite do Expurgo”, o governo altera a lei autorizando que até mesmo os políticos possam ser assassinados, lembrando que a lei original autoriza todo tipo de crime das sete da noite até a sete da manhã em apenas um dia do ano, quando as pessoas podem acertar as contas com inimigos e colocar todo seu ódio para fora. 

Mesmo tendo uma equipe de segurança reforçada comandada por Leo Barnes (Frank Grillo), a senadora se torna alvo de assassinos contratados pelo governo. Ela e Leo precisam fugir para tentar sobreviver e assim manter viva a chance de concorrer a presidência. 

Esta franquia é um exemplo de uma premissa extremamente interessante e uma realização pouco mais que razoável. O filme original é o melhor, com uma trama mais bem desenvolvida. A sequência é um filme de ação razoável, assim como esta terceira parte. 

A franquia tem algumas boas ideias, como a questão principal da liberação dos crimes em um determinado dia, assim como o novo governo que utiliza a indigesta mistura de patriotismo e religião. 

É basicamente uma série de filmes para o espectador se divertir com a trama e as cenas de ação, sem se preocupar com as falhas no roteiro e os exageros.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Jogo do Dinheiro

Jogo do Dinheiro (Money Monster, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Jodie Foster
Elenco – George Clooney, Julia Roberts, Jack O’Connell, Dominic West, Caitriona Balfe, Giancarlo Esposito, Christopher Denham, Lenny Venito, Chris Bauer, Dennis Boutsikaris, Emily Mead, Condola Rashad, Aaron Yoo.

Lee Gates (George Clooney) é um agitado apresentador de uma programa sensacionalista sobre investimentos, o “Money Monster” do título original. 

Durante um programa ao vivo, um sujeito armado (Jack O’Connell) invade o palco, ameaça matar Gates e explodir o estúdio caso o megainvestidor Walt Camby (Dominic West) não apareça para explicar como perdeu as economias de milhares de pessoas em apenas um dia. 

O programa continua ao vivo enquanto Gates, sua produtora Patty (Julia Roberts) e a polícia tentam encontrar uma solução para a situação. 

Este longa dirigido pela atriz Jodie Foster começa como uma espécie de comédia que aparentemente criticaria os programas sensacionalistas de tv e o absurdo mundo dos investimentos financeiros que pessoa alguma sabe explicar realmente como funciona. 

Em um segundo momento, a história se volta para o drama, quando descobrimos sobre a vida do jovem desesperado e as falcatruas financeiras começam à vir tona. Até esta parte a narrativa e os personagens seguram a boa história, que infelizmente perde pontos com a reviravolta na parte final. 

Por outro lado, a forte cena do clímax e a última conversa entre os personagens de Clooney e Julia Roberts são perfeitas em relação a proposta principal do roteiro, que é mostrar que o dinheiro está acima de tudo na sociedade em que vivemos.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Redemoinho

Redemoinho (Maelstrom, Canadá, 2000) – Nota 7,5
Direção – Denis Villeneuve
Elenco – Marie Josée Croze, Jean Nicolas Verreault, Stephanie Morgenstern, Kliment Denchev.

Na primeira cena, a jovem Bibiane (Marie Josée Croze) se prepara para um aborto. Após o procedimento, descobrimos que Bibiane é filha de uma celebridade e que herdou com o irmão uma rede de lojas de grife. 

Percebemos também que a jovem está em crise. Ela se mostra desleixada no trabalho, procura conversa com uma amiga (Stephanie Morgenstern) e por fim curte a noite em baladas regadas a bebida e sexo. Um acontecimento inesperado aumenta ainda mais a crise de Bibiane, resultando em consequências que afetam algumas pessoas. 

O diretor Denis Villeneuve cria uma narrativa entrecortada, em algumas sequências se aproveitando de pontos de vistas diferentes, mostrando a mesma situação por vários ângulos e assim cruzando o destino de três personagens.

A história é narrada por um sinistro peixe prestes a ser abatido por um sujeito coberto de sangue. Esta bizarrice está ligada ao trabalho e ao destino de um determinado personagem que surge no meio do trama e que mesmo sem falar uma única palavra, se revela extremamente importante. 

É um longa diferente, sendo na época o segundo trabalho do ótimo diretor canadense Dennis Villeneuve, hoje famoso por trabalhos como "Incêndios" e "Os Suspeitos".

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Outcast - 1º Temporada

Outcast (EUA, 2016)
Criador - Robert Kirkman
Elenco - Patrick Fugit, Philip Glenister, Wrenn Schmidt. David Denman, Reg E. Cathey, Brent Spiner.

Kyle Barnes (Patrick Fugit) volta a morar em sua casa de infância na área rural da pequena cidade de Rome em West Virginia após um complexo incidente que fez sua esposa se afastar levando a filha do casal.

Kyle é visto com desconfiança na cidade, tanto por causa do problema com a esposa, como por seu passado. Quando criança, sua mãe surtou, tentou matá-lo e acabou catatônica em uma cama de hospital.

Os únicos amigos de Kyle são sua irmã de criação Megan (Wrenn Schmidt) e o controverso reverendo Anderson (Philip Glenister), que dedica sua vida a exorcizar pessoas que ele acredita estarem possuídas pelo demônio. A quantidade de pessoas com atitudes estranhas na cidade, faz com que Anderson tenha certeza que a região sofra com alguma maldição. Anderson e Kyle se tornam peças-chaves na aparente luta do bem contra o mal.

Criada por Robert Kirkman, um dos responsáveis pela sensacional "The Walking Dead", esta nova série é mais focada no suspense, mesmo estando recheada de cenas violentas e sangue.

A inspiração da premissa é claramente o clássico "O Exorcista", que por sinal rende algumas cenas assustadoras de exorcismo durante os dez episódios da primeira temporada.

Um dos pontos altos é que as subtramas convergem para amarrar a trama principal, com destaque para as surpresas sinistras do dois últimos episódios, além das perguntas sem respostas que se tornaram ganchos para a próxima temporada.

A série perde alguns pontos no elenco. O protagonista Patrick Fugit é apenas correto, sendo algumas vezes ofuscado pelo reverendo obcecado interpretado por Philip Glenister, O xerife vivido por Reg E. Cathey é um destaque, enquanto o restante do elenco não mostra carisma algum.

A primeira temporada foi satisfatória, com uma crescente de tensão que deixa a curiosidade do espectador aguçada para a segunda temporada. Agora é esperar para conferir qual rumo tomará a história.

domingo, 14 de agosto de 2016

Rosetta

Rosetta (Rosetta, França / Bélgica, 1999) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Emilie Dequenne, Fabrizio Rongione, Anne Yernaux, Olivier Gourmet.

Rosetta (Emilie Dequenne) é uma jovem que vive com a mãe alcoólatra (Anne Yernaux) numa espécie de trailer em um camping. 

Logo no início do filme, a garota é dispensada de um emprego temporário e causa um grande tumulto na empresa. O desespero da jovem em conseguir trabalho e ter uma vida normal resulta em vários problemas, inclusive com Riquet (Fabrizio Rongione), um rapaz que tenta ajudá-la. 

Os irmãos Dardenne venceram a Palma de Ouro de Cannes com este drama que foca na falta de oportunidade de trabalho para os jovens, situação que já era comum no final dos anos noventa e principalmente nas consequências de uma família desestruturada. 

A interpretação espontânea e ao mesmo tempo nervosa da estreante Emilie Dequenne é perfeita. A agitação da garota fica mais assustadora com a escolha dos diretores em filmar com a câmera na mão, com muitas cenas em close e outras em ângulos inusitados, com o objetivo de fazer o espectador sentir o mesmo desconforto dos personagens. 

Visto hoje, não tem o mesmo impacto da época, mas mesmo assim ainda é um drama forte com uma protagonista complexa e desesperada.

sábado, 13 de agosto de 2016

Philomena

Philomena (Philomena, Inglaterra / EUA / França, 2013) – Nota 8
Direção – Stephen Frears
Elenco – Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Anna Maxwell Martin, Ruth McCabe, Peter Herman, Sean Mahon.

Londres, ano 2000. O jornalista Martin Sixmith (Steve Coogan) perde o emprego numa emissora de tv e fica sem saber o que fazer da vida. Durante uma festa, ele é abordado por uma jovem (Anna Maxwell Martin) que o convida a conhecer sua mãe Philomena (Judi Dench) para escrever uma matéria sobre ela. 

Nos anos cinquenta, ainda adolescente, Philomena foi deixada pelo pai em um convento, sendo criada por freiras. Ela engravidou e deu a luz a um garoto, que pouco tempo depois foi entregue pelas freiras para um casal. Mesmo relutante, Sixmith aceita a oferta e aos poucos descobre uma triste e surpreendente história. 

Baseado numa história real contada em livro pelo próprio Martin Sixmith, este sensível longa aborda mais um tema polêmico relacionado aos pecados que a Igreja Católica tenta esconder debaixo do tapete. 

São vários destaques no filme. A inusitada química entre o contido Steve Coogan e a simplicidade da personagem de Judi Dench é valorizada pelos ótimas interpretações e os diálogos afiados, alguns até engraçados. É o tipo de relação em que duas pessoas completamente diferentes criam um laço de amizade e aprendem sobre a vida na troca de experiências. 

A história também é surpreendente à partir do momento em que a dupla principal descobre a identidade do filho desaparecido. 

Depois de alguns filmes com qualidade abaixo de seu talento, o inglês Stephen Frears voltou a acertar a mão neste belo trabalho.