sábado, 22 de julho de 2017

Mal do Século

Mal do Século (Safe, Inglaterra / EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Todd Haynes
Elenco – Julianne Moore, Xander Berkeley, Peter Friedman, April Grace, James LeGros, Steven Gilborn.

Subúrbio de San Fernando Valley, Califórnia, 1987. Carol White (Julianne Moore) é uma dona de casa que aparentemente leva uma vida tranquila e confortável ao lado do marido (Xander Berkeley) e do enteado pré-adolescente. 

Sem motivo específico, Carol começa a ter ataques de pânico, demonstrando também desânimo e falta de apetite sexual. Ao lado do marido, ela inicia uma via sacra por médicos em busca da causa de seu problema. Sem respostas claras, ela decide procurar terapias alternativas, até encontrar um guru (Peter Friedman) que comanda um retiro no deserto. 

A premissa do roteiro escrito pelo diretor Todd Haynes deixa a impressão de que a proposta seria mostrar o sofrimento de pessoas que desenvolvem doenças psicossomáticas, muitas vezes para preencher o vazio da própria vida, mesmo que essa aparente ser perfeita. 

O problema do roteiro é que a história parece rodar, rodar e não sair do lugar. Mesmo quando a trama segue para o retiro no deserto, a história não avança. A narrativa fria é outro ponto negativo. No final, a trama não se aprofunda ou sequer cita a questão da síndrome do pânico. 

É um filme estranho, daqueles que o espectador precisa entrar no clima criado pelo diretor.   

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Regras da Atração & Segundas Intenções


Regras da Atração (The Rules of Attraction, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Roger Avary
Elenco – James Van Der Beek, Shannyn Sossamon, Ian Somerhalder, Kip Pardue, Jessica Biel, Clifton Collins Jr, Thomas Ian Nicholas, Jary Baruchel, Kate Bosworth, Eric Stoltz, Swoosie Kurtz, Faye Dunaway, Fred Savage.

Anos oitenta, Escola de Artes Camden. O jovem Sean Bateman (James Van Der Beek) é um pequeno traficante que se aproveita de sua aparência para conquistar e dispensar garotas. Quando começa a receber bilhetes de uma admiradora secreta, Sean imagina que a garota seja a bela Lauren (Shannyn Sossamon), que está guardando a virgindade para seu namorado (Kip Pardue) que está viajando. Sean também é alvo de Lara (Jessica Biel) e do bissexual Paul (Iam Somerhalder). 

Esta ciranda de desejos, traições e sexo é baseada numa obra de Bret Easton Ellis, escritor famoso por retratar o lado decadente dos jovens de classe alta americana. Por sinal, na obra de Ellis, o jovem Sean Bateman é irmão mais novo de Patrick Bateman, personagem principal de “Psicopata Americano”. Os dois personagens são frios, egoístas e amorais, quase como uma metáfora das mudanças de comportamento dos jovens à partir dos anos oitenta, quando a satisfação pessoal e a ambição se tornaram obrigatórias. 

O ator James Van Der Beek tentava aqui mudar sua imagem ao aceitar um papel completamente oposto ao protagonista certinho da série “Dawson’s Creek” que ele interpretava na época. Sua atuação é competente, assim com Ian Somerhalder como o afetado Paul e a curiosidade de ver o outrora astro infantil Fred Savage no papel de um drogado. Vale destacar ainda a ótima trilha sonora com músicas dos anos oitenta.

Segundas Intenções (Cruel Intentions, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Roger Kumble
Elenco – Ryan Phillippe, Sarah Michelle Gellar, Reese Witherspoon, Selma Blair, Sean Patrick Thomas, Joshua Jackson, Louise Fletcher, Christine Baranski, Swoosie Kurtz, Eric Mabius.

Os jovens Kathryn (Sarah Michelle Gellar) e Sebastian (Ryan Phillippe) se tornaram quase irmãos quando seus pais se casaram pela segunda vez. Vivendo em Manhattan, ricos e amorais, eles fazem uma aposta após Kathryn ser abandonada pelo namorado que a trocou pela ingênua Cecile (Selma Blair). Kathryn desafia Sebastian a seduzir Cecile. Ele aceita, mas aumenta a proposta. Sebastian diz que seduzirá também a jovem Annette (Reese Witherspoon), conhecida por ser virgem e que se conseguir o intento, terá direito de ir para cama com sua "irmã" Kathryn, que por seu lado aceita receber o carro do “irmão” caso ele não tenha sucesso no plano. 

O roteiro escrito pelo diretor Roger Kumble é uma adaptação moderna da famosa obra “Ligações Perigosas”, que rendeu dois ótimos filmes de época no final dos anos oitenta. O ponto principal da história é a total falta de caráter dos protagonistas, que brincam com a vida das pessoas ao seu redor. Para eles não basta ter uma vida de luxo, o prazer está também em manipular as pessoas. 

O elenco de jovens em início de carreira na época tem ótimas atuações, por sinal, Ryan Phillippe e Sarah Michelle Gellar tem provavelmente seus melhores momentos no cinema. A então coadjuvante Reese Witherspoon é quem mais sucesso obteve na sequência da carreira.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Cidadão Ilustre

O Cidadão Ilustre (El Ciudadano Ilustre, Argentina / Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Gaston Duprat & Mariano Cohn
Elenco – Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio, Nora Navas, Manuel Vicente.

Vivendo há quase quarenta anos na Europa, o escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martinez) recebe um convite para visitar sua cidade natal, a pequena Salas no interior do país. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Mantovani aceita o convite e decide viajar sem avisar a imprensa. 

Desde a confusa viagem de carro entre Buenos Aires e Salas, Mantovani enfrenta tudo o que ele sempre quis manter distância. A princípio tratado como celebridade na pequena cidade, aos poucos ele precisa lidar com bajuladores, pedidos de ajuda, inveja e até com um antigo amigo (Dady Brieva) que se casou com sua ex-namorada de adolescência (Andrea Frigerio). 

Os diretores Gaston Duprat & Mariano Cohn focaram na hipocrisia da classe emergente no interessante “O Homem do Lado”. Aqui, o ponto principal é mostrar que a aparente hospitalidade das pessoas nas cidades pequenas é uma lenda, na verdade os defeitos e preconceitos são iguais em qualquer lugar. 

O protagonista é tratado com respeito enquanto suas atitudes agradam as pessoas. A partir do momento em que diz não em algumas situações, ele se torna persona non grata. É como se ele fosse obrigado a doar vários pedaços de si mesmo para as pessoas da cidade. 

Vale destacar ainda o ótimo Oscar Martinez como o protagonista que precisa ter jogo de cintura para lidar com várias situações complicadas. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Juventude em Fúria

Juventude em Fúria (Hesher, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Spencer Susser
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Devin Brochu, Rainn Wilson, Piper Laurie, Natalie Portman, Brendan Hill, John Carroll Lynch.

TJ (David Brochu) é um adolescente que sofre pela perda da mãe e pela apatia do pai (Rainn Wilson), que entrou em depressão após a morte da esposa. 

Enfrentando também problemas com um colega de escola, TJ cruza o caminho do jovem maluco Hesher (Joseph Gordon Levitt), que sem ter onde morar, se muda para a casa do garoto. 

A estranha relação que se cria inclui ainda a avó de TJ (Piper Laurie) e uma solitária jovem que trabalha como caixa de supermercado (Natalie Portman). 

O enganoso título nacional passa a impressão de ser um filme sobre violência de gangues ou algo do gênero, porém o longa é basicamente um drama independente sobre personagens perdidos na vida, com um roteiro que explora suas frustrações e insere pitadas de violência, além de algumas cenas exageradas. 

Os destaques do elenco ficam para o maluco interpretado por Joseph Gordon Levitt e a participação de Natalie Portman, que na época tinha vinte e nove anos de idade e um rosto de dezesseis. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Corra!

Corra! (Get Out, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Jordan Peele
Elenco – Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, Bradley Whitford, Caleb Landry Jones, Lil Rel Howery, Marcus Henderson, Betty Gabriel, Lakeith Stansfield, Stephen Root.

Chris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) estão namorando há pouco tempo. Rose decide levar Chris para passar um final de semana na casa dos pais, que vivem em uma região de pessoas brancas e ricas. 

Preocupado por ser negro e por sua namorada não ter contado o fato para os pais, Chris se mostra apreensivo ao chegar no local. A princípio sendo bem recebido, aos poucos ele percebe que existe algo de errado com as pessoas que ali moram, inclusive dois estranhos serviçais. 

Jordan Peele é um ator com a carreira voltada para séries de comédia que estreia aqui como diretor e roteirista em um longa que foge do lugar comum. A história mistura terror, ficção e preconceito de uma forma bizarra e interessante. A primeira metade do longa deixa claro que aquele estranho mundo em que o protagonista se envolveu esconde algo desagradável. Quando começa o terror, a trama revela uma surpresa maluca, que lembra um filme de terror B. 

É um filme que vale a sessão pelo clima sinistro e pela crescente tensão.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

John Wick: Um Novo Dia Para Matar

John Wick: Um Novo Dia Para Matar (John Wick: Chapter Two, EUA / Hong Kong / Itália / Canadá, 2017) – Nota 7,5
Direção – Chad Stahelski
Elenco – Keanu Reeves, Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Ruby Rose, Common, Claudia Gerini, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Tobias Segal, John Leguizamo, Bridget Moynahan, Thomas Sadoski, David Patrick Kelly.

Após os acontecimentos do filme anterior, quando voltou a ativa para vingar a morte de seu cachorro e agora ao resgatar seu carro que fora roubado, o assassino aposentado John Wick (Keanu Reeves) é procurado por um membro do “Sindicato do Crime” (Riccardo Scamarcio) que deseja cobrar uma dívida de trabalho. 

O sujeito pressiona John para assassinar sua irmã e assim se tornar ainda mais poderoso no alto escalão dos criminosos. John é obrigado a aceitar a proposta para honrar seu nome, mesmo sabendo que o “serviço” poderá o transformar em alvo de outros assassinos. 

O filme anterior foi uma agradável surpresa ao misturar violência, narrativa cínica e uma boa história. Esta inevitável sequência mantém a qualidade em todos os quesitos. A história novamente é bem amarrada, deixando inclusive um final em aberto preparando um terceiro filme. As cenas de ação são outro ponto alto. Keanu Reeves se diverte e também apanha bastante enfrentando vários assassinos. 

Vale destacar a participação de Laurence Fishburne num papel que lembra um pouco o Morpheus de “Matrix”, fato explicado pelo diretor Chad Stahelski ter sido o dublê de Keanu Reeves na famosa trilogia. As sequências em que Reeves e Fishburne contracenam juntos é uma pequena homenagem aos filmes dos irmãos Wachowski. 

Agora é esperar o terceiro filme. 

domingo, 16 de julho de 2017

Uma Mulher Contra Hitler

Uma Mulher Contra Hitler (Sophie Scholl – Die Letzen Tage, Alemanha, 2005) – Nota 7
Direção – Marc Rothemund
Elenco – Julia Jentsch, Alexander Held, Fabian Hinrichs, Johanna Gastdorf, André Hennicke.

Alemanha, fevereiro de 1943. Sophie Scholl (Julia Jentsch) e seu irmão Hans (Fabian Hinrichs) são membros de um movimento estudantil clandestino denominado “A Rosa Branca”. 

Eles escrevem manifestos e imprimem panfletos criticando Hitler e o nazismo. Ao distribuírem panfletos na universidade de Munique, os irmãos terminam presos. Interrogados separadamente pela Gestapo, eles tentam livrar da prisão os outros membros do movimento. 

Baseado numa história real, este longa deixa um pouco de lado o movimento de “A Rosa Branca” para focar em Sophie Scholl, que após a guerra se tornou mártir da resistência alemã contra o nazismo. 

O roteiro cria uma versão romanceada da garota, que tinha apenas vinte e anos e que é mostrada com uma força interior difícil de acreditar. Esta escolha do roteiro deixa de lado os outros participantes do movimento, inclusive seu irmão Hans. 

O ponto mais interessante da história é a relação que se cria entre Sophie e um interrogador (Alexander Held), resultando em ótimos diálogos sobre escolhas e crenças individuais. 

Para quem tem interesse na história detalhada do movimento, existe um filme chamado “A Rosa Branca” dirigido por Michael Verhoeven em 1982.    

sábado, 15 de julho de 2017

A Assombração de Enfield & A Troca


A Assombração de Enfield (The Enfield Haunting, Inglaterra, 2015) – Nota 7
Direção – Kristoffer Nyholm
Elenco – Timothy Spall, Matthew Macfadyen, Juliet Stevenson, Eleonor Worthington Cox, Fern Deacon, Rosie Cavaliero.

Londres, bairro de Enfield, agosto de 1977. Peggy Hogdson (Juliet Stevenson) cria sozinha duas filhas adolescentes e dois filhos menores após ser abandonada pelo marido. A vida fica muito mais complicada quando estranhos fenômenos começam a ocorrer na casa. Móveis se movimentam, portas batem e objetos voam pela casa. 

Para analisar a situação, a polícia indica uma associação que envia o inventor Maurice Grosse (Timothy Spall) e o especialista em fenômenos paranormais Guy Playfair (Matthew Macfadyen). Os dois se assustam com os acontecimentos e acreditam que eles estejam ligados a uma das filhas, a esperta Janet (Eleanor Worthington Cox). 

Esta minissérie em três episódios explora de forma mais realista a mesma história real abordada em “Invocação do Mal 2”. O roteiro aqui é baseado no livro do verdadeiro Guy Playfair, que detalha como a família Hogdson enfrentou a situação, a questão da dúvida se os acontecimentos eram mesmo verdadeiros ou invenção das adolescentes e por fim a crise pessoal que Maurice Grosse enfrentava com a esposa (Juliet Stevenson). Grosse entrou para a associação após perder a filha em um acidente. Um dos seus objetivos era tentar contato com o espírito da jovem. 

A minissérie perde alguns pontos pelo ritmo irregular e pelos poucos momentos de tensão. Vale a sessão para quem gosta do tema e pela competente e sensível interpretação de Timothy Spall.

A Troca ou O Intermediário do Diabo (The Changeling, EUA, 1980) – Nota 7
Direção – Peter Medak
Elenco – George C. Scott, Trish Van Devere, Melvyn Douglas, Jean Marsh, John Colicos, Barry Morse.

O compositor John Russell (George C. Scott) perde esposa e filha em um acidente durante uma viagem de férias. Pouco tempo depois, John tente retomar a vida como professor de música em Seattle. Por indicação de uma corretora de imóveis (Trish Van Devere), ele se muda para uma enorme casa colonial. Não demora pra John perceber que algo estranho ocorre no local. Ruídos inexplicáveis como portas fechando e janelas batendo o levam a investigar o passado da casa e dos antigos moradores. 

O longa explora o estilo do terror clássico, em que fatos sobrenaturais e o passado do lugar são as peças de um sinistro quebra-cabeças. Não chega a ter grandes sustos, mesmo com um final explosivo. O ponto principal é o roteiro que amarra muito bem a história. É um longa indicado para que curte o terror estilo anos sessenta e setenta. 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Circuito Fechado

Circuito Fechado (Closed Circuit, EUA / Inglaterra, 2012) – Nota 6
Direção – John Crowley
Elenco – Eric Bana, Rebecca Hall, Ciaran Hinds, Riz Ahmed, Jim Broadbent, Kenneth Cranham, Anne Marie Duff, Julia Stiles, Denis Moschitto.

Um atentado no centro do Londres mata cento e vinte pessoas. Uma denúncia anônima leva para prisão o terrorista que seria o mentor do plano. Seu advogado indicado pelo governo comete suícidio. Para substituí-lo é chamado Martin Rose (Eric Bana). 

Por ser terrorismo, algumas provas não poderão se tornar públicas e para isso uma advogada especialista em processos secretos (Rebecca Hall) também defenderá o acusado. Quando os advogados começam a investigar a fundo o caso, logo são pressionados por agentes governo para facilitar a condenação do sujeito e enterrar a verdadeira história. 

A premissa de explorar os bastidores sujos do serviço de espionagem e a verdade por trás de um atentado são interessantes, mas infelizmente o roteiro deixa a desejar. O filme flui razoavelmente bem até metade da história, enquanto os advogados tentam decifrar as pistas do caso. A partir do momento em que os segredos começam a vir à tona, as soluções apresentadas pelo roteiro se mostram ingênuas em alguns momentos e previsíveis no desfecho. 

A questão da vigilância tecnológica que pelo título seria um dos pontos principais, acaba se mostrando apenas um complemento da trama. O atentado na sequência inicial é criativo ao mostrar várias imagens do mesmo momento divididas na tela. As demais cenas de ação e tensão são poucas e no máximo razoáveis. O resultado é uma boa trama mal explorada.     

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Perigo Extremo & A Lâmina Fatal


Perigo Extremo (Lung Foo Fong Wan ou City on Fire, Hong Kong, 1987) – Nota 7,5
Direção – Ringo Lam
Elenco – Chow Yun Fat, Danny Lee, Sun Yueh, Roy Cheung.

Um policial infiltrado em uma quadrilha especializada em roubos de joalherias tem sua identidade descoberta e termina assassinado. Para tentar desbaratar a violenta quadrilha, o inspetor de polícia Lau (Sun Yueh) convence seu sobrinho Ko Chow (Chow Yun Fat) a tomar o lugar do policial assassinado. Chow é um policial que trabalha disfarçado nas ruas e que pretendia se aposentar para se casar. Ele aceita a proposta do tio na condição de ser seu último trabalho.

Quando Quentin Tarantino lançou “Cães de Aluguel”, citou que sua inspiração foi este “Perigo Extremo”. Vários situações são semelhantes, inclusive a clássica cena de três sujeitos apontando as armas entre si. O sucesso de Tarantino fez com que as obras de Ringo Lam fossem descobertas no ocidente e o próprio diretor convidado para dirigir “Risco Máximo” com Jean Claude Van Damme. O filme fracassou, assim como mais dois trabalhos que ele faria em parceria com Van Damme.

Para quem conhece e gosta do cinema de Hong Kong dos anos oitenta e início dos noventa, sabe que diretores como John Woo e Tsui Hark comandaram longas sensacionais em termos de violência e ação. O trabalho de Ringo Lam é um pouco diferente. O filme é muito mais um drama policial sobre lealdade com algumas boas cenas de perseguição, chegando ao clímax no explosivo tiroteio final.

Vale destacar a presença de Chow Yun Fat, o grande astro dos filmes de John Woo em Hong Kong e que fez também bons filmes americanos como “O Corruptor” e “Assassinos Substitutos”.

A Lâmina Fatal (Shao Lin Men, Hong Kong, 1976) – Nota 6
Direção – John Woo
Elenco – Tao Liang Tan, James Tien, Jackie Chan, Sammo Hung, John Woo.

Shih (James Tien) é um ex-aluno do templo de Shaolin que abandonou seu mestre e formou se próprio exército denominado Manchu. Ela envia seus homens liderados por Tu Ching (Sammo Hung) para destruir o templo e matar todos que estiverem lá. Um aluno, Yun Fei (Tao Liang Tan), consegue escapar e abraça a missão de vingar os amigos assassinados. Ele se une a um jovem que deseja vingar a morte do irmão (um jovem Jackie Chan) e mais a alguns renegados para derrotar Shih e seu bando. 

Nos anos noventa, quando o diretor John Woo e os atores Jackie Chan e Sammo Hung se tornaram astros internacionais, este curioso longa rodado nos anos setenta foi resgatado e lançado em dvd. Diferente dos filmes explosivos dirigidos por Woo nos anos oitenta e noventa em Hong Kong e das coreografias divertidas das lutas protagonizadas por Chan e Hung também naquela época, este longa segue o estilo das obras de Kung Fu dos anos setenta, com trama clássica, lutas sérias e muitos gritos. 

Poucos acreditariam que os envolvidos neste razoável longa transformariam o cinema de Hong Kong em sucesso internacional anos depois.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Que Dios Nos Perdone

Que Dios Nos Perdone (Que Dios Nos Perdone, Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Rodrigo Sorogoyen
Elenco – Antonio de la Torre, Roberto Álamo, Javier Pereira, Luis Zahera, Raul Prieto.

Madrid, 2011. Uma idosa é encontrada morta com sinais de violência sexual. Os detetives Valverde (Antonio de la Torre) e Alfaro (Roberto Álamo) são os responsáveis pela investigação. 

Após ocorrer um segundo crime semelhante, os detetives acreditam que um serial killer esteja agindo. Como faltam poucos dias para o Papa visitar a cidade, o chefe de polícia pressiona os detetives para resolverem o caso e principalmente para a história não vazar para a imprensa. 

A clássica premissa de caçada a um serial killer ganha pontos pelo ótimo roteiro que esconde a identidade do assassino até o terço do final do longa, pelo realismo da narrativa e pela violência que surge de várias formas. 

O desenvolvimento dos personagens é outro ponto positivo. Valverde é o detetive gago, minucioso e inseguro, enquanto Alfaro é o falastrão de pavio curto que enfrenta problemas no casamento. O assassino também é assustador, principalmente por aparentar ser uma pessoa normal. Sua motivação para os crimes é muito bem detalhada. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma ótima pedida e comprova mais uma vez o alto nível do cinema espanhol  

terça-feira, 11 de julho de 2017

Não Ultrapasse

Não Ultrapasse (Trespass Againt Us, Inglaterra, 2016) – Nota 6
Direção – Adam Smith
Elenco – Michael Fassbender, Brendan Gleeson, Lyndsey Marshal, Rory Kinnear, Georgie Smith, Killian Scott, Sean Harris, Kingsley Ben Adir.

Chad (Michael Fassbender) vive com a esposa Kelly (Lyndsey Marshal) e um casal de filhos pequenos em um campo de trailers no interior do Inglaterra comandado por seu pai Colby (Brendan Gleeson). 

Colby é um veterano ladrão que fez Chad e um outro filho que está preso seguirem o mesmo caminho do crime. No local, vivem outros sujeitos, dois deles casados que também trabalham para Colby. 

Mesmo sonhando em mudar de vida e sendo perseguido por um policial (Rory Kinnear), Chad aceita participar de um novo assalto planejado pelo pai. 

Era para se esperar bem mais de um drama sobre uma família de criminosos tendo os ótimos Michael Fassbender e Brendan Gleeson como protagonistas. 

A história até que começa bem ao mostrar a péssima e violenta influência do pai sobre o filho, mas infelizmente o roteiro se perde na meia-hora final quando a situação sai do controle por um motivo muito mais psicológico do que real. Esta escolha leva a um final ingênuo, diferente da proposta dramática inicial. 

É um daqueles filmes que ficam no meio do caminho e que rapidamente são esquecidos. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Neve Negra

Neve Negra (Nieve Negra, Argentina / Espanha, 2017) – Nota 7
Direção – Martin Hodara
Elenco – Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa, Federico Luppi, Dolores Fonzi.

A morte do pai faz com que Marcos (Leonardo Sbaraglia) volte da Espanha para a Argentina com sua esposa Laura (Laia Costa) que está grávida. 

O pai deixou uma enorme propriedade na região da Patagônia, local onde vive Salvador (Ricardo Darin), o recluso irmão mais velho de Marcos que sofre há décadas pela morte acidental de um irmão menor durante uma caçada. A família tem ainda a irmã Sabrina (Dolores Fonzi), que está internada em um hospital psiquiátrico. O reencontro entre os irmãos reabre as feridas do passado. 

Além da narrativa principal que se passa nos dias atuais, o diretor utiliza flashbacks para mostrar detalhes da vida dos irmãos quando eles eram adolescentes e principalmente para desvendar aos poucos o que realmente ocorreu na caçada que vitimou o irmão mais novo da família. Para o cinéfilo acostumado ao gênero fica fácil descobrir o que aconteceu, a surpresa fica para a motivação do ato. 

O filme ganha pontos pela bonita fotografia que explora as paisagens naturais da gelada Patagônia e pelo ótimo elenco. Assim como a locação, a narrativa também é fria e um pouco irregular. Não está entre as melhores produções argentinas dos últimos anos, mas mesmo assim é uma obra competente. 

domingo, 9 de julho de 2017

A Troca

A Troca (Changeling, EUA, 2008) – Nota 8
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Michael Kelly, Amy Ryan, Colm Feore, Denis O’Hare, Jason Butler Harner, Peter Gerety.

Los Angeles, 1929. Christine Collins (Angelica Jolie) é uma mãe solteira que trabalha como supervisora de telefonistas em uma empresa do ramo. 

Ao voltar para casa após um dia normal de trabalho, Christine fica desesperada ao não encontrar o filho pré-adolescente. A polícia é acionada, mas não consegue pista alguma sobre o paradeiro criança. 

Meses depois, uma criança é deixada em uma lanchonete na zona rural e a polícia o identifica como o filho de Christine. Precisando mostrar eficiência para o povo, a polícia decide entregar o garoto para a mãe na presença de jornalistas. Na hora, ela percebe que não é seu filho, mas pressionada pelo capitão Jones (Jeffrey Donovan), Christine aceita a criança sem imaginar que a decisão transformará sua vida em um inferno. 

Baseado numa absurda história real, este longa foi mais um belo trabalho na carreira de Clint Eastwood como diretor. O roteiro vai além da troca da criança, se aprofundando em outros temas. Temos a questão política em relação a polícia que era vista como violenta e corrupta, motivo pelo qual era quase impossível aceitarem corrigir o erro e se desculparem. 

Vemos ainda o tratamento desumano em um hospital psiquiátrico e por fim o sinistro caso que é descoberto por acaso por um policial honesto (Michael Kelly) e que se mostra ligado ao desaparecimento do garoto. 

Vale destacar a marcante interpretação de Angelina Jolie, que passa todo o desespero da mãe que perdeu o filho e o sempre competente John Malkovich como o pastor que tem importância enorme na trama. 

É um belo drama indicado para quem gosta do gênero e também dos trabalhos do grande Clint Eastwood.