quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Leviatã

Leviatã (Leviafan, Rússia, 2014) – Nota 7,5
Direção – Andrey Zvyagintsev
Elenco – Aleksey Serebryakov, Elena Lyadova, Vladimir Vdovichenkov, Roman Madyanov, Aleksey Rozin, Sergey Pokhodaev.

Numa decadente cidade litorânea da Rússia, Nikolay (Aleksey Serebryakov) luta contra o prefeito corrupto (Roman Madyanov) para impedir que sua casa seja desapropriada.

Ele recebe ajuda de um amigo advogado (Vladimir Vdovichenkov) que vive em Moscou e que tenta reverter a decisão da prefeitura na justiça local. 

A dificuldade em enfrentar a burocracia da justiça, seu casamento desgastado com Lilya (Elena Lyadova) e a relação complicada com o filho adolescente (Sergey Pokhodaev) levam Nikolay a um caminho sem saída. 

Este doloroso drama sobre a destruição de uma família desnuda o lado obscuro da sociedade russa. A corrupção entranhada no serviço público, a violência dos corruptos, a falta de perspectivas de vida em uma cidade menor e a bebida como válvula de escape são os ingredientes principais desse triste mundo. 

A história pesada pode não agradar a muitos, assim como a duração um pouco longa (duas horas e vinte minutos) e a narrativa em ritmo lento. 

É um filme indicado para quem gosta de dramas fortes que misturam crise familiar e crítica social. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas (Don’t Breathe, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Fede Alvarez
Elenco – Stephen Lang, Jane Levy, Dylan Minnette, Daniel Zovatto.

Os jovens Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) são ladrões que invadem casas de luxo enquanto os proprietários estão fora. 

A chance de roubar uma alta quantia surge quando Money descobre que um veterano de guerra (Stephen Lang) recebeu uma indenização pela morte da filha em um acidente automobilístico. 

O homem mora em um decadente bairro em que as casas ao redor estão vazias. Ao perceberem que o sujeito é cego, os jovens acreditam que será fácil entrar e sair do local. Eles não imaginam o inferno que enfrentarão. 

O diretor uruguaio Fede Alvarez estreou no cinema americano com a sangrenta e desnecessária refilmagem de “A Morte do Demônio” de Sam Raimi. Neste novo trabalho, Alvarez acerta mão no suspense, na violência e até na trama. Muito do acerto deve ser creditado ao diretor Sam Raimi, que aqui é o produtor. 

A ideia de transformar a casa em uma armadilha, explorando todos os cômodos para criar as cenas de suspense lembram bastante o original “A Morte do Demônio” e sua sequência “Uma Noite Alucinante”, com a diferença que naqueles filmes o “mal” era fruto de uma entidade, enquanto aqui a violência é totalmente humana. 

É um filme com uma violência que incomodará o espectador comum e que ao mesmo tempo agradará os fãs do gênero.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Rememory

Rememory (Rememory, Canadá / EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Mark Palansky
Elenco – Peter Dinklage, Julia Ormond, Martin Donovan, Anton Yelchin, Matt Ellis, Evelyne Brochu, Henry Ian Cusick, Chad Krowchuk.

Em um acidente de automóvel, o modelista Sam Bloom (Peter Dinklage) perde seu irmão (Matt Ellis). Algum tempo depois, Sam assiste uma palestra do psiquiatra Gordon Dunn (Martin Donovan), que criou um aparelho que consegue mapear e gravar as memórias das pessoas. 

Antes do revolucionário aparelho ser lançado, Gordon morre de forma suspeita. Uma determinada situação faz com que Sam roube o aparelho e decida investigar o que realmente aconteceu com Gordon. Ele sai a procura das pessoas que participaram dos testes do psiquiatra, além de se envolver com a mulher do falecido (Julia Ormond). 

Além da trama de suspense e os toques de ficção, a proposta do roteiro é colocar em discussão até que ponto nossas memórias são verdadeiras e como elas afetam nossa vida atual. Teóricamente o aparelho criado pelo personagem seria uma ferramenta para ajudar as pessoas a superarem seus traumas, porém ele não imaginava os efeitos colaterais de reviver essas memórias. 

Vale destacar a boa atuação de Peter Dinklage e a participação de Anton Yelchin em um dos seus últimos trabalhos. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As Horas Finais & Os Últimos na Terra


As Horas Finais (These Final Hours, Austrália, 2013) – Nota 7
Direção – Zak Hilditch
Elenco – Nathan Phillips, Angourie Rice, Jessica De Gow, Kathryn Beck, Daniel Henshall.

O sol se aproximou da Terra e destruiu parte do planeta. Faltando doze horas para a destruição chegar na região de Perth na Austrália, James (Nathan Phillips) abandona a namorada para aproveitar a última noite de vida em uma festa regada a sexo, bebidas e drogas. 

Ao atravessar a cidade, James testemunha eventos violentos e absurdos, até que cruza o caminho da garotinha Rose (Angourie Rice), que foi sequestrada por dois malucos. Ele resgata a menina, que deseja encontrar o pai antes do mundo acabar. É a chance de James fazer algo positivo no final da vida. 

O clima apocalíptico é potencializado pelo sinistra trilha sonora que acompanha a jornada do relutante protagonista em busca de uma espécie de redenção. Os absurdos cometidos pelos vários personagens que cruzam a tela são um exemplo do que as pessoas desesperadas fariam caso o mundo estivesse realmente para acabar. 

É basicamente um filme B que mistura drama e violência, além de explorar o exagero comum das produções australianas. Uma interessante opção para quem curte o gênero.

Os Últimos na Terra (Z For Zachariah, Islândia / Suiça / EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Craig Zobel
Elenco – Chiwetel Ejiofor, Margot Robbie, Chris Pine.

Após uma tragédia nuclear, o planeta entra em colapso. Sem explicação, Ann (Margot Robbie) sobreviveu sem que a radiação chegasse a um vale onde fica a casa de sua família, um pequeno mercado e uma capela. Sua solidão termina quando chega a região o cientista John (Chiwetel Ejiofor), que utilizou uma traje parecido com de um astronauta para se proteger da radiação. 

As enormes diferenciais entre os dois não atrapalham a vontade de tentar a seguir a vida. A situação fica estranha quando surge um terceiro sobrevivente. Caleb (Chris Pine) chega para modificar o pequeno mundo criado por Ann e John. 

A premissa de explorar a vida de poucos sobreviventes após uma catástrofe mundial já foi explorada diversas vezes pelo cinema, mas não deixa de ser algo intrigante. Infelizmente este ponto de partida não se desenvolve da melhor forma neste longa.

O roteiro não se preocupa em dar detalhes sobre o ocorrido, seu foco está na relação entre os três personagens, criando uma trama previsível voltada para o drama. O filme ganha alguns pontos pelas belíssimas locações, principalmente pelas cenas na pequena cachoeira. 

Finalizando, o “Z de Zacaria” do título original faz referência a um livro chamado “A de Adão” de uma coleção do alfabeto da bíblia que a personagem de Margot Robbie tem entre seus livros religiosos. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

Marcas do Passado

Marcas do Passado (Aloft, Espanha / Canadá / França, 2014) – Nota 6
Direção – Claudia Llosa
Elenco – Jennifer Connelly, Cilian Murphy, Mélanie Laurent, Peter McRobbie, William Shimell.

Na sequência inicial, Nana (Jennifer Connelly) segue com seus dois filhos pequenos para uma região gelada e isolada no norte do Canadá. Um dos filhos de Nana está doente. O objetivo é encontrar um sujeito conhecido como o Arquiteto (William Shimell), que aparentemente tem poderes de cura. 

Vinte anos depois, Ivan (Cillian Murphy), que é um dos filhos de Nana, recebe a visita da jornalista Jannia (Mélanie Laurent) que deseja informações sobre a mulher. Afastado há anos da mãe, Ivan aceita acompanhar Jannia na busca por Nana. 

O roteiro intercala as duas narrativas como se fosse um quebra-cabeças que explica o porquê do afastamento entre mãe e filho. Ele explora ainda a questão da fé em momentos de desespero e como as pessoas se apegam ao curandeirismo em busca de um milagre. 

Apesar da premissa interessante e das belas locações na região gelada do Canadá, o longa perde pontos por causa da narrativa lenta e não se aprofunda no drama familiar. O final sem respostas tenta dar um ar de cult ao filme, mas não convence.

sábado, 9 de dezembro de 2017

A Informante

A Informante (The Whistleblower, Canadá / Alemanha, 2010) – Nota 7,5
Direção – Larysa Kondracki
Elenco – Rachel Weisz, Vanessa Redgrave, David Straithairn, Monica Bellucci, Nikolaj Lie Kaas, Roxana Condurache, Benedict Cumberbatch, David Hewlett, William Hope.

Lincoln, Nebraska, 1999. A policial Kathryn Bolkovac (Rachel Weisz) tenta sem sucesso conseguir uma transferência para a cidade onde seus filhos foram morar com o ex-marido. 

Precisando de dinheiro, ela se inscreve em um programa para trabalhar como agente das Nações Unidas na Bósnia, país que ainda tentava se recuperar após a Guerra dos Balcãs que destruiu a região nos anos noventa. 

Com a missão de auxiliar a polícia local, rapidamente Kathryn percebe que muitos policiais bósnios são corruptos. Quando ela decide ajudar duas garotas russas que fugiram de uma casa de prostituição que escravizava imigrantes, descobre estar diante de uma complexa rede de tráfico humano. 

Baseado em uma história real, este longa foca no tema tabu do tráfico de garotas, que infelizmente deve ser muito maior do que imaginamos. Assim como o tráfico de drogas e o contrabando, esse “ramo” do crime envolve pessoas poderosas e muito dinheiro. 

A investigação da protagonista é sabotada de todas as formas possíveis, o que transforma o longa em um suspense com bastante tensão, além de incluir cenas fortes de violência. 

Vale destacar ainda o roteiro muito bem amarrado, que não apela para heroísmos e que cria situações possíveis. 

É um bom filme sobre uma situação de absurda crueldade.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Duelo em Diablo Canyon, A Última Carroça & A Hora da Pistola


Duelo em Diablo Canyon (Duel at Diablo, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Ralph Nelson
Elenco – James Garner, Sidney Poitier, Bibi Andersson, Dennis Weaver, Bill Travers, William Redfield, Ralph Nelson, John Hoyt.

Em território apache, Jess Remsberg (James Garner) consegue salvar a jovem Ellen Grange (Bibi Andersson) que estava sendo perseguida pelos índios e a leva para uma cidade próxima. O objetivo de Jess é encontrar o assassino de sua esposa que era uma índia comanche. Antes de chegar ao assassino, Jess é contratado pelo tenente McAllister (Bill Travers) para escoltar um batalhão de soldados em busca do chefe apache Chata. Com ajuda do domador de cavalos Toller (Sidney Poitier), o grupo segue na caça aos índios. 

Com uma trama clássica do gênero que explora vingança, ódio, preconceito entre brancos e índios, além de ótimas sequências de ação, este competente western prende a atenção do início ao fim. Além dos ótimos James Garner e Sidney Poitier, vale destacar a curiosa presença da sueca Bibi Andersson, famosa por seus trabalhos com Ingmar Bergman. 

A Última Carroça (The Last Wagon, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Delmer Daves
Elenco – Richard Widmark, Felicia Farr, Tommy Rettig, Susan Kohner, George Matthews, Douglas Kennedy, James Drury.

Comanche Todd (Richard Widmark) é um homem branco que foi criado pelos comanches e que está sendo acusado de assassinar três sujeitos. Capturado pelo xerife (George Matthews) e sendo levado de trem para ser enforcado, o destino termina por salvar Comanche Todd. Um ataque dos apaches mata várias pessoas no local, mas Todd sobrevive. Mesmo sendo considerado um assassino, sua experiência se torna a única chance de sobrevivência para um grupo de colonos. 

O roteiro mescla com competência as ótimas cenas de ação com uma história sobre ódio e preconceito. O protagonista é odiado pelos brancos, culpado por ter vivido como comanche, porém ao longo da história os demais personagens descobrem o verdadeiro caráter do sujeito. A trama é valorizada pela interpretação do sempre sisudo Richard Widmark, um dos grandes atores dos anos cinquenta e sessenta. 

A Hora da Pistola (Hour of the Gun, EUA, 1967) – Nota 7
Direção – John Sturges
Elenco – James Garner, Jason Robards, Robert Ryan, Albert Salmi, Jon Voight.

Este curioso western tem como cena inicial o famoso tiroteio no OK Curral em que Doc Holliday (Jason Robards), Wyatt Earp (James Garner) e seus irmãos enfrentam a família Clanton liderada pelo patriarca Ike (Robert Ryan). Esta clássica sequência foi o clímax dos filmes “Paixão dos Fortes” e “Sem Lei e Sem Alma”. Aqui o tiroteio é a premissa, a proposta do roteiro é mostrar os fatos seguintes ao conflito. A vingança dos Clantons que sobreviveram é um destes fatos. É um western competente que utiliza todos os elementos do gênero. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Ghost Story

A Ghost Story (A Ghost Story, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – David Lowery
Elenco – Casey Affleck, Rooney Mara.

Um músico (Casey Affleck) morre em um acidente de automóvel ocorrido em frente de sua própria casa. Enquanto sua esposa (Rooney Mara) sofre com a perda e tenta seguir a vida, o fantasma do marido vaga pela casa tentando se conectar com ela. 

Com efeitos especiais simples e colocando o ator Casey Affleck debaixo de um lençol branco como se fosse um fantasma de uma brincadeira de criança, este longa é quase uma obra experimental. 

Com planos-sequências longos e pouquíssimos diálogos, a primeira impressão é de um filme monótono. O espectador que tiver a paciência para aguentar os extremamente lentos trinta minutos iniciais, vai se surpreender e até se emocionar com a história. 

Não é um filme de terror, a premissa do roteiro é fazer o público pensar sobre a questão do desapego após a morte, tanto das pessoas que ficam, como daquele que se foi. É uma interessante premissa que lembra a doutrina espírita. 

Vale citar ainda a ótima sequência do monólogo maluco de um personagem em uma festa. 

É um filme indicado para quem gosta de obras fora do comum.  

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Theodore Melfi
Elenco – Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monae, Kevin Costner, Kristen Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali, Aldis Hodge, Glen Powell, Kimberly Quinn, Olek Krupa.

Em 1961, o governo americano vivia o auge da disputa pela conquista espacial contra a União Soviética. O país ainda sofria com uma forte divisão racial. Na Nasa não era diferente. Funcionários negros trabalhavam separados dos brancos. 

Neste contexto, as amigas Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monae) eram funcionárias do departamento de cálculos. Com inteligência acima da média, as três amigas são obrigadas a enfrentar o preconceito para mostrar seu talento e tentar crescer na carreira. 

Baseado numa história real, este longa detalha a vida profissional de três mulheres que conseguiram vencer a barreira do racismo e se destacar em meio a um sistema perverso. Ao mesmo tempo em que vemos uma história de superação e sucesso, é possível imaginar quantas outras pessoas também foram importantes no desenvolvimento espacial da Nasa e que hoje estão esquecidas, independente da cor da pele. 

É interessante fazer um paralelo com os dias atuais, não na questão racial, mas quanto a disputa entre funcionários dentro de qualquer empresa. A questão mostrada aqui com o personagem de Jim Parsons que prefere não dividir seus conhecimentos com a de Taraji P. Henson, infelizmente ainda é fato comum. Geralmente quem está em uma posição superior na hierarquia não gosta de passar conhecimentos para quem está abaixo com medo de perder seu cargo no futuro. 

O resultado é um bom filme com uma história que merece ser conhecida. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Velozes e Furiosos 8

Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious, China / EUA / Japão, 2017) – Nota 5
Direção – F. Gary Gray
Elenco – Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Charlize Theron, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Luke Evans, Elsa Pataky, Kristofer Hivju, Scott Eastwood, Patrick St. Espirit.

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão vivendo tranquilamente em Havana quando uma desconhecida (Charlize Theron) aborda Dom e o chantageia com algo misterioso. 

Em paralelo, Hobbs (Dwayne Johnson) é enviado pelo agente americano Sr. Ninguém (Kurt Russell) para uma perigosa missão. Hobbs convoca Dom, Letty e toda a equipe, sem imaginar que seria traído. Dom foge com um artefato e abandona Letty e os amigos, que tentarão descobrir o que realmente aconteceu. 

Os dois últimos filmes da série já demonstravam que a fórmula estava desgastada. Este novo filme empurra a série ladeira abaixo em termos de qualidade. A trama é totalmente maluca, com uma vilã megalomaníaca que lembra uma cópia pálida dos piores filmes de 007 e diálogos quase infantis. 

As cenas de ação que até o quinto filme variavam entre perseguições de automóveis e brigas, a partir do sexto se transformaram em sequências absurdas de carros voando, mega explosões e personagens que parecem super heróis. 

A morte terrível de Paul Walker é outro fator que deveria ter encerrado a série, mas a ganância por dinheiro gerou este longa, sem contar que ainda existem rumores para produção de mais dois filmes. Um absurdo tão grande quanto as cenas de ação vistas aqui.  

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Hangman & Busca Sem Limites


Hangman (Hangman, EUA, 2017) – Nota 5
Direção – Johnny Martin
Elenco – Al Pacino, Karl Urban, Brittany Snow, Sarah Shahi, Joe Anderson.

Os números dos distintivos de dois detetives são marcados em uma mesa no local de um assassinato brutal. Ruiney (Karl Urban) e o policial aposentado Archer (Al Pacino) se unem para investigar o caso e descobrir qual a ligação deles com o assassino. Uma jornalista (Brittany Snow) acompanha a dupla na busca pelo criminoso, que comete um novo assassinato por dia, sempre deixando pistas ligadas ao conhecido “Jogo da Forca”.  

É uma pena ver o grande Al Pacino em um filme tão ruim como este. O roteiro é um amontoado de clichês repleto de furos e soluções fáceis. Os diálogos fracos ficam ainda piores com as atuações do canastrão Karl Urban e da fraquinha Brittany Snow. O único ponto positivo é o ritmo da narrativa, que até prende a atenção com sua agilidade. 

O resultado é um filme totalmente descartável.

Busca Sem Limites (Collide, Inglaterra / Alemanha / China, 2016) – Nota 4
Direção – Eran Creevy
Elenco – Nicholas Hoult, Felicity Jones, Anthony Hopkins, Ben Kingsley, Marwan Kenzari.

Em Colônia na Alemanha, o jovem americano Casey (Nicholas Hoult) ganha a vida vendendo drogas para o traficante maluco Geran (Ben Kingsley). Ao conhecer a garçonete Juliette (Felicity Jones), que também é americana, ele se apaixona e decide abandonar o crime. Após algum tempo juntos, uma surpresa desagradável obriga Casey a conseguir dinheiro rapidamente. Ele decide aceitar um novo trabalho de Geran e termina por se envolver numa guerra entre chefões, tendo do lado contrário o milionário Hagen Kahl (Anthony Hopkins). 

As únicas explicações para grandes atores como Ben Kingsley e Anthony Hopkins aceitarem trabalhar num filme tão ruim quanto este é o dinheiro ou alguma obrigação contratual. Além da história ser um amontoado de clichês, os diálogos são constrangedores e as cenas de ação totalmente absurdas. A cereja do bolo surge com a patética reviravolta final. 

É uma bomba para o espectador passar longe.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Enfurecidos

Enfurecidos (Enragés, França / Canadá, 2015) – Nota 7,5
Direção – Eric Hannezo
Elenco – Lambert Wilson, Virginie Ledoyen, Guillaume Gouix, François Arnaud, Franck Gastambide, Laurent Lucas.

Uma quadrilha assalta um banco, algo dá errado e um dos bandidos é baleado e morre. Durante a fuga, os outros três assaltantes levam uma mulher como refém (Virginie Ledoyen) e sequestram um carro dirigido por um pai (Lambert Wilson) que estava indo para o hospital levar a filha para fazer um transplante. É o início de uma viagem infernal pelo interior da França. 

Em 1974, o diretor italiano Mario Bava filmou a mesma história, porém um problema com o produtor fez com o que longa fosse engavetado. Bava morreu em 1980 e seu filme foi resgatado somente nos anos noventa, se transformando em cult. Não assisti ao filme de Bava para comparar e acabei me surpreendendo de forma positiva com esta versão francesa. 

É um filme com uma tensão crescente entre os personagens em fuga dentro do carro e com sequências de violência muito bem filmadas, inclusive as cenas no estranho festival em um vilarejo. Vale destacar ainda a reviravolta na sequência final. Depois da surpresa, fica fácil lembrar das pistas que foram deixadas durante o desenvolvimento da trama. 

O resultado é uma competente mistura de drama e suspense com bastante violência.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Mindhunter

Mindhunter (Mindhunter, EUA, 2017)
Criação – Joe Penhall
Direção – David Fincher (4 episódios), Andrew Douglas (2), Asif Kapadia (2) & Tobias Lindholm (2)
Elenco – Jonathan Groff, Holt McCallany, Hannah Gross, Anna Torv, Cotter Smith, Cameron Britton, Joe Tuttle, Happy Anderson, Sonny Valicenti.

Em 1977, o agente do FBI Holden Ford (Jonathan Groff) ministra aulas para agentes em formação sobre negociação de reféns. Seu interesse em entender o aspecto psicológico dos criminosos chama a atenção do experiente agente Bill Tench (Holt McCallany), responsável pelo trabalho de análise de comportamento do FBI. 

Tench e Ford passam a trabalhar juntos fazendo palestras para policiais por todo o país. O interesse no assunto faz com que a dupla decida visitar na prisão o famoso assassino Ed Kemper (Cameron Britton). A conversa com Kemper leva a dupla a iniciar uma série de entrevistas com criminosos violentos. 

Esta ótima série em dez episódios produzida pela Netflix é inspirada em um livro escrito por Mark Olshaker e John Douglas sobre as entrevistas que o segundo fez com vários serial killers nos anos setenta. O resultado das entrevistas de Douglas ajudou o FBI e a polícia americana a entenderem melhor como funciona a mente de um serial killer e quais "armas" utilizar para enfrentar este tipo de assassino. 

Os agentes do FBI são personagens fictícios, enquanto os serial killers são baseados em assassinos reais, inclusive utilizando seus nomes verdadeiros e com atuações baseadas no comportamente real deles. É curiosa as pequenas participações de um sujeito (Sonny Valicenti) que parece alheio a trama, mas que será importante provavelmente na segunda temporada quando mostrará seu lado obscuro. É um personagem baseado num serial killer chamado Dennis Rader. 

Além de enfrentarem o desafio de conversar com assassinos malucos, os protagonistas também precisam convencer seus superiores e os policiais que eles ajudam a compreenderem algo que até então não existia. Um assassino deste porte era visto apenas como um maluco, policial algum tinha o interesse de entender o porquê do seu comportamento. 

Não espere cenas de ação, o foco é a análise psicológica que se aprofunda principalmente nas conversas com os assassinos. O grande destaque fica para o assustador Cameron Bright que interpreta o assassino Ed Kemper, conhecido como Big Ed. Um sujeito gigante, de fala doce, muito bem articulado, porém autor de crimes assustadores.

Vale citar que um dos nomes por trás da série é David Fincher, diretor de longas como "Clube da Luta" e "Zodíaco", que aqui dirige os dois primeiros episódios e os dois últimos.

Agora é esperar pela segunda temporada.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Hóspede

O Hóspede (The Guest, EUA / Inglaterra, 2014) – Nota 7
Direção – Adam Wingard
Elenco – Dan Stevens, Maika Monroe, Brendan Meyer, Sheila Kelley, Leland Orser, Lance Reddick, Tabatha Shaun.

Um sujeito (Dan Stevens) bate à porta da casa da família Peterson e se apresenta para Laura (Sheila Kelley) como David, um ex-companheiro de exército de seu filho que faleceu no Iraque. 

O choque inicial pela lembrança da morte do filho dá lugar a uma nova esperança de saber algo mais sobre o que aconteceu na guerra. Mesmo sem a aprovação do marido Spencer (Leland Orser), Laura deixa que David fique alguns dias na casa da família. 

Não demora para a filha mais velha Anna (Maika Monroe) perceber que existe algo de errado com David, enquanto o irmão mais novo Luke (Brendan Meyer) vê o sujeito como um amigo. 

O mais interessante deste filme é a reviravolta que o roteiro explora na metade final. Fica claro desde o início que a situação não terminaria bem, porém a explicação para o caso é inesperada e resulta numa agitada meia-hora final. 

É um filme que prende a atenção e entrega até mais do que o esperado pela premissa. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Que Está Por Vir

O Que Está Por Vir (L’Avenir, França / Alemanha, 2016) – Nota 7
Direção – Mia Hansen Love
Elenco – Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka, Edith Scob.

Nathalie (Isabelle Huppert) é uma professora de filosofia e escritora que aparentemente tem uma vida tranquila ao lado do marido Heinz (André Marcon). Seu casal de filhos tem suas próprias vidas. Seu maior problema é dar atenção a mãe (Edith Scob), um pessoa carente e complicada. 

Respeitada em seu trabalho e também sendo uma espécie de tutora para um ex-aluno (Roman Kolinka) que pretende lançar seu primeiro livro, aos poucos, situações inesperadas abalam sua vida pessoal e profissional. 

O roteiro escrito pela diretora Mia Hansen Love foca nas mudanças que ocorrem à revelia nas vidas das pessoas. A protagonista de meia-idade precisa enfrentar estas mudanças e se adaptar as novas situações. O roteiro explora também as questões políticas e sociais. As reuniões da protagonista com seus editores deixam claro que cultura só interessa quando gera lucro. As conversas com o ex-aluno também são outro ponto alto. 

É um filme interessante com situações bem próximas da realidade.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Secuestro

Secuestro (Secuestro, Espanha, 2016) – Nota 7,5
Direção – Mar Targarona
Elenco – Blanca Portillo, Antonio Dechent, Jose Coronado, Vicente Romero, Marc Domenech, Nausicaa Bonnin, Andrés Herrera, Macarena Gomez.

Um garoto (Marc Domenech) é encontrando perdido em uma estrada com um pequeno ferimento no rosto. Levado para delegacia, o inspetor Requena (Antonio Dechent) entra em contato com a mãe do garoto, a importante advogada Patricia de Lucas (Blanca Portillo). 

O garoto que é surdo e tem dificuldade na fala, alega que foi sequestrado por um homem na porta da escola e que conseguiu fugir do cativeiro. O retrato falado leva a polícia a acreditar que o culpado é o ex-presidiário Charlie (Andrés Herrera), que nega sua participação crime. 

Quando a notícia do sequestro é divulgada na mídia, o fato dá início uma série de desencontros e mentiras. 

Mesmo não tendo o mesmo impacto dos ótimos "El Cuerpo" e “Contratiempo” dirigidos por Oriol Paulo, que aqui escreveu apenas o roteiro, este longa é competente na proposta de criar suspense através de uma trama complexa. 

O emaranhado de situações leva até um surpreendente final, especialidade do roteirista e diretor Oriol Paulo. O roteiro explora todos os pontos habituais do gênero. A trama policial envolve corrupção, manipulação, mentiras e violência. 

É mais uma boa opção para quem curte o gênero.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Uma Dia Difícil

Um Dia Difícil (Kkeut-Kka-Ji-Gan-Da, Coreia do Sul, 2014) – Nota 7,5
Direção – Seong Hun Kim
Elenco – Sun Kyun Lee, Jin Woong Jo, Man Sik Jeong, Dong Young Kim.

Seguindo para a funerária para tratar do enterro da mãe, o detetive Go Geon Soo (Sun Kyun Lee) atropela e mata um sujeito. Desesperado, ele esconde o corpo no porta-malas. 

Na mesma noite, policiais da corregedoria encontram dinheiro de suborno na sua gaveta, incriminando Go e seus parceiros detetives. É o início de uma corrida desesperada para para tentar escapar da cadeia e se livrar do corpo. 

Com toques de humor negro, este criativo longa sul-coreano brinca com a “teoria do caos” em um primeiro momento, quando um fato desencadeia uma sequência de situações que complicam a vida do protagonista. Na segunda metade, a trama insere um perigoso personagem e transforma a trama num jogo de gato e rato. 

Tirando de lado alguns exageros, principalmente no clímax, o longa prende a atenção do início do fim e ainda faz o espectador rir com alguma peripécias do protagonista. 

Vale que citar que o título nacional é enganoso, a trama começa em uma noite e se desenrola por mais de um dia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O Sistema & Matem-me Se Puderem


O Sistema (The Glass House, EUA, 1972) – Nota 7,5
Direção – Tom Gries
Elenco – Alan Alda, Vic Morrow, Clu Gulager, Billy Dee Williams, Dean Jagger.

O professor universitário Jonathon Paige (Alan Alda) é condenado a prisão após cometer um assassinato sem intenção. Levado para uma prisão de segurança máxima, Paige encontra um terrível mundo de violência, injustiças e corrupção, além de ter de ser proteger contra um perigoso bandido (Vic Morrow). 

Este drama sobre a vida na cadeia é baseado numa história escrita pelo famoso Truman Capote em parceria com Wyatt Cooper, que fizeram uma pesquisa com detentos verdadeiros. 

A narrativa seca imposta pelo diretor Tom Gries resulta num clima de assustadora realidade. Enquanto o protagonista tenta sobreviver, se torna também testemunha das atrocidades cometidas no local. Um personagem jovem que é perseguido e estuprado é o exemplo do desespero daqueles que caíram no inferno. 

Este é sem dúvida um dos filmes mais realistas sobre a vida na prisão, mesmo sendo apenas uma produção para TV. 

Matem-me Se Puderem (Kill Me If You Can, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Buzz Kulik
Elenco – Alan Alda, Talia Shire, John Hillerman, Barnard Hughes, John P. Ryan, John Randolph, Philip Baker Hall, James Sikking.

Em 1948, a polícia de Los Angeles prendeu Caryl Chessman (Alan Alda) com acusações de roubo, sequestro e estupro. Extremamente inteligente e arrogante, Chessman dispensou advogados e se defendeu sozinho perante a justiça, alegando inocência até ser executado em 1960. 

Chessman ficou conhecido como “O Bandido da Luz Vermelha”, denominação que a imprensa brasileira copiou para um criminoso que atuou em São Paulo nos anos sessenta e que ficou preso por trinta anos, até ser assassinado poucos meses depois de ser posto em liberdade em 1998. 

O longa é um interessante drama sobre a vida no corredor da morte e principalmente sobre um personagem forte como Chessman, que chegou a escrever livros durante os doze anos em que ficou preso. Vale citar que Chessman foi condenado com provas circunstanciais, deixando dúvidas até hoje no processo. 

A interpretação do ótimo Alan Alda é outro destaque neste longa produzido para TV.

domingo, 26 de novembro de 2017

O Mistério de Stella

O Mistério de Stella (The Driftless Area, Canadá / EUA, 2015 – Nota 6
Direção – Zachary Sluser
Elenco – Anton Yelchin, Zooey Deschanel, John Hawkes, Alia Shawkat, Frank Langella, Ciaran Hinds, Aubrey Plaza.

Em uma pequena cidade americana na fronteira com o Canadá, o destino liga a vida de três personagens. O assaltante Shane (John Hawkes), o barman Pierre (Anton Yelchin) e a enigmática Stella (Zooey Deschanel). 

A história é narrada por Carrie (Alia Shawkat), que é amiga de Pierre e ainda abre espaço para outros personagens estranhos como o solitário Tim Geer (Frank Langella), um vendedor de carros corrupto (Ciaran Hinds) e sua funcionária (Aubrey Plaza). 

Alguns filmes são tão estranhos que fica difícil até mesmo escrever uma simples sinopse. É o caso deste longa que mistura drama, crime e até ficção com toques de espiritismo. A trama não é toda linear, com a narrativa explorando algumas idas e vindas na história. Não é difícil acompanhar a trama, o problema está na explicação da situação. O espectador precisa comprar a ideia para aceitar o final totalmente fora do comum. 

É basicamente um filme independente e esquecível.

sábado, 25 de novembro de 2017

Z - A Cidade Perdida

Z – A Cidade Perdida (The Lost City of Z, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – James Gray
Elenco – Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Sienna Miller, Tim Holland, Edward Ashley, Angus Macfadyen, Ian McDiarmid, Clive Francis.

Irlanda, 1906. O major e também cartógrafo Percy Fawcett (Charlie Hunnam) recebe uma proposta da Sociedade de Geografia Real da Inglaterra para viajar até a Amazônia e mapear a fronteira entre Brasil e Bolívia.

Mesmo sabendo dos perigos, Fawcett deixa esposa (Sienna Miller) e um filho pequeno para enfrentar o desafio. Ao lado do explorador Henry Costin (Robert Pattinson), Fawcett fica encantado com a floresta e com a possibilidade de existir uma cidade perdida. Ele dedicará boa parte de sua vida para procurar a cidade. 

O diretor James Gray se baseou em um livro que conta a fantástica história real do explorador Percy Fawcett e sua busca pela cidade perdida que ele mesmo batizou de Z. Não espere uma aventura agitada, o ritmo é cadenciado, focando nas pequenas descobertas e nos perigos básicos de uma expedição selvagem. Este enfoque desagradou o público que procurava ação. 

Mesmo tendo duas horas e vinte minutos de duração, a história é recheada de acontecimentos que poderiam render um filme ainda mais longo. O diretor preferiu inserir pulos no tempo para diminuir a duração, solução que deixou o filme um pouco irregular, além de resumir a quantidade de viagens do protagonista. O verdadeiro Fawcett participou de sete expedições ao Amazonas. 

No geral, é um filme muito bom na parte técnica, com um bonita fotografia que explora aos cenários naturais da floresta e uma história intrigante. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Regressão

Regressão (Mindscape ou Anna, Espanha / EUA / Inglaterra / França, 2013) – Nota 7
Direção – Jorge Dorado
Elenco – Mark Strong, Taissa Farmiga, Brian Cox, Saskia Reeves, Richard Dillane, Indira Varma, Alberto Ammann, Noah Taylor.

Num futuro próximo, uma empresa desenvolveu uma máquina que utiliza sensitivos para acessarem as memórias de pessoas comuns. Os resultados das “viagens” na memória servem até mesmo para elucidar crimes. 

Um destes detetives da memória é John Washington (Mark Strong), que volta ao trabalho algum tempo após perder a esposa. Ele recebe a missão de fazer a adolescente Anna (Taissa Farmiga) interromper uma espécie de greve de fome. 

A garota é filha de milionários e tem um QI extremamente elevado, porém se envolveu em diversos problemas. Conforme John se aprofunda no caso, surge a dúvida se as memórias da garota são verdadeiras ou se ela está manipulando suas lembranças. 

A premissa é muito interessante. Por mais que tentar descobrir o gatilho para traumas através do passado seja algo comum na psicologia e psicanálise, a chance das lembranças pessoais serem distorcidas é enorme. 

As pessoas tendem a lembrar de algum fato importante de sua vida de acordo com o tipo de sentimento que ele traz, ou seja, muitas vezes amplificando o que realmente aconteceu. As sessões mostradas no filme seguem este caminho. 

Por outro lado, mesmo com a dúvida sobre quem está dizendo verdade, o roteiro se mostra previsível e até um pouco apressado e confuso no final. 

É um filme que vale a sessão pela interessante ideia e pelo clima de suspense que se mantém por boa parte da história.  

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Tarde para la Ira

Tarde para la Ira (Tarde para la Ira, Espanha, 2016) – Nota 7,5
Direção – Raul Arévalo
Elenco – Antonio de la Torre, Luis Callejo, Ruth Diaz, Raul Jimenez, Manolo Solo.

Jose (Antonio de la Torre) é um sujeito calado que divide seu tempo entre visitar o pai em coma no hospital e passar algumas horas no bar de Juanjo (Raul Jimenez). 

A princípio, Jose parece visitar o bar porque está interessado na irmã de Juanjo, Ana (Ruth Diaz), que tem um filho pequeno e que está esperando o marido sair da cadeia. 

Curro (Luis Callejo) é libertado após cumprir oito anos de prisão por ter participado de um violento assalto em que os outros três comparsas fugiram. Assim que Curro volta para casa, o verdadeiro objetivo de Jose vem à tona. 

Vencedor do Goya de 2016, o prêmio de melhor filme espanhol, este competente longa sobre vingança marcou a estreia na direção do ator Raul Arévalo (“Pecados Antigos, Longas Sombras” e “Cem Anos de Perdão”). 

O roteiro escrito por Arévalo em parceria com David Pulido revela aos poucos a motivação do protagonista e ainda guarda uma pequena surpresa no final. 

Vale destacar a atuação de Antonio de la Torre, perfeito como o sujeito frio e obcecado em conseguir o que deseja.  

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sangue Jovem

Sangue Jovem (Son of a Gun, Austrália / Inglaterra / Canadá, 2014) – Nota 7
Direção – Julius Avery
Elenco – Ewan McGregor, Brenton Thwaites, Alicia Vikander, Matt Nable, Tom Budge, Jacek Koman.

O jovem JR (Brenton Thwaites) é condenado a cumprir uma pena de seis meses em um presídio numa cidade do interior da Austrália. 

Ao tentar defender um outro jovem detento, JR termina por se aproximar do famoso ladrão Brendan Lynch (Ewan McGregor), se tornando seu protegido. Após sair da cadeia, JR precisa cumprir uma missão para Lynch e assim entra de vez no mundo do crime. 

Apesar de guardar uma pequena surpresa para o final, o roteiro deste competente longa é previsível. Isso não chega a atrapalhar. O que faz o filme ganhar pontos são as cenas de violência, a sequência do assalto e a relação que é ao mesmo paternal e de desconfiança entre os personagens de Ewan McGregor e Brenton Thwaites. Vale destacar ainda beleza de Alicia Vikander. 

É um filme indicado para quem gosta de uma trama policial básica e direta.  

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Centurião & A Legião Perdida


Centurião (Centurion, Inglaterra / França / EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Neil Marshall
Elenco – Michael Fassbender, Dominic West, Olga Kurylenko, Imogen Poots, Liam Cunnigham, David Morrissey, Ulrich Thomsen. JJ Feild, Paul Freeman, Noel Clarke, Riz Ahmed.

No ano 117 D.C., o centurião Quintus Dias (Michael Fassbender) consegue escapar de uma tribo selvagem no norte da Bretanha após seu batalhão ser dizimido. Ele termina salvo pelo Nona Legião comandada pelo general Virilus (Dominic West), que tem a missão de enfrentar os selvagens para montar uma colônia romana na região. Desconhecendo o perigoso e inóspito território, a Nona Legião se torna alvo dos selvagens. Os poucos soldados que sobrevivem ao ataque tentam fugir a todo custo. 

O roteiro escrito pelo diretor Neil Marshall utiliza como ponto de partida a história real da Nona Legião romana que desapareceu sem deixar vestígios numa região montanhosa que hoje pertence a Escócia. O mistério do desaparecimento da legião deu espaço para inúmeras teses sobre o que realmente aconteceu, porém prova alguma foi encontrada até hoje. 

O roteiro não apresenta grandes surpresas, seguindo o estilo dos filmes de ação, como muita violência, batalhas bem filmadas e sangue jorrando aos montes. As belas paisagens naturais da região são um dos pontos alto do longa. É um filme que agrada quem curte o estilo, porém para quem tiver curiosidade, procure o assustador e claustrofóbico “Abismo do Medo”, o melhor trabalho do diretor Neil Marshall até o momento.

A Legião Perdida (The Eagle, Inglaterra / EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Kevin Macdonald
Elenco – Channing Tatum, Jamie Bell, Donald Sutherland, Mark Strong, Tahar Rahim, Ned Dennehy, Denis O’Hare.

Vinte anos após a Nona Legião Romana desaparecer no norte da Bretanha e perder a águia dourada símbolo do império, o oficial Marcus (Channing Tatum) é enviado por Roma para liderar o exército na região. Marcus é filho do comandante da legião desaparecida. Ele acredita que poderá descobrir o que aconteceu com o pai. Após uma terrível batalha, Marcus é ferido e em seguida dispensado do exército por sua bravura. O destino faz com que ele se alie ao escravo Esca (Jamie Bell) e juntos encarem a jornada de tentar encontrar a águia perdida. 

Baseado em um romance de Rosemary Sutcliff, que por sua vez utilizou como inspiração o mistério do desaparecimento da Nona Legião, este longa resulta em um novelão repleto de clichês, principalmente na segunda metade da trama. 

A forma como o oficial romano e o escravo enfrentam o perigo na parte final é totalmente inverossímil, com soluções fáceis demais. Uma cena forte com uma criança que surge do nada também é uma exemplo das falhas do roteiro. Fica como ponto positivo a primeira parte, até a sequência da batalha no forte. O restante do filme é descartável.

domingo, 19 de novembro de 2017

O Sol da Noite

O Sol da Noite (That Evening Sun, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Scott Teems
Elenco – Hal Holbrook, Ray McKinnon, Walton Goggins, Mia Wasikowska, Carrie Preston, Barry Corbin, Dixie Carter.

Aos oitenta anos, Abner Meechum (Hal Holbrook) abandona a casa de repouso onde vive e viaja de volta para sua fazenda no Tennessee.

Chegando ao local, ele se surpreende ao descobrir que seu filho vendeu a fazenda para Lonzo Choat (Ray McKinnon), um sujeito com fama de bêbado e vagabundo. Morando com sua esposa (Carrie Preston) e filha (Mia Wasikowska), Lonzo se nega a desfazer o negócio, enquanto Abner decide ficar na cabana ao lado da casa, afirmando que jamais sairá de sua antiga propriedade.

Este drama é um daqueles filmes em que personagem algum está totalmente certo ou errado. Decisões unilaterais, circunstâncias complicadas e destino levam os personagens a um conflito que parece não ter solução.

O roteiro explora também os conflitos familiares e os problemas da terceira idade. É difícil para uma pessoa idosa aceitar abandonar sua casa porque os familiares não querem que ela fique sozinha, assim como um sujeito frustrado pode descontar seu sofrimento nas pessoas que estão próximas.

Vale destacar a sensível e sóbria interpretação do veteraníssimo Hal Holbrook, que na época estava com oitenta e quatro anos. Atualmente, o ator continua na ativa em pequenos papéis no alto do seus noventa e dois anos.

sábado, 18 de novembro de 2017

The Ardennes

The Ardennes (D’Ardennen, Bélgica, 2015) – Nota 7
Direção – Robin Pront
Elenco – Kevin Janssens, Jeroen Perceval, Veerle Baetens, Jan Bijvoet.

Um assalto não sai como planejado e leva o violento Kenny (Kevin Janssens) para a cadeia. Seu irmão Dave (Jeroen Perceval) e Sylvie (Veerle Baetens), que era namorada de Kenny, escapam e iniciam um romance. 

Quatro anos depois, Kenny sai da cadeia e volta para casa querendo reativar o relacionamento com Sylvie, sem saber que ela e seu irmão estão juntos. O temperamento violento de Kenny levará Dave e Sylvie a um beco sem saída. 

O ponto principal deste longa é o clima de tragédia anunciada que permeia toda a história. O roteiro explora a clássica premissa de pessoas que tentam sair do mundo do crime, mas que são atraídos pelo destino ou por algum personagem que os empurram de volta para o buraco. 

É um filme simples e violento, que apresenta uma surpresa no final e que se mostra extremamente eficiente em sua proposta.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Conflito das Águas

Conflito das Águas (También la Lluvia. Espanha / França / México, 2010) – Nota 7
Direção – Iciar Bollain
Elenco – Luis Tosar, Gael Garcia Bernal, Juan Carlos Aduviri, Karra Elejalde, Raul Arévalo, Carlos Santos, Cassandra Ciangherotti.

Cochabamba, Bolívia, 2000. Uma equipe de cinema está na cidade para filmar um longa sobre a vida de Cristovão Colombo na América. 

O produtor Costa (Luis Tosar) e o diretor Sebastian (Gael Garcia Bernal) escolhem moradores locais para papéis de figurantes indígenas e um sujeito chamado Daniel (Juan Carlos Aduviri) para ser o líder destes personagens que lutaram contra a colonização espanhola. 

Enquanto Costa pensa apenas no dinheiro que está sendo investido, Sebastian vê o filme como a principal obra de sua vida. Tudo começa a desmoronar quando a população de Cochabamba inicia um protesto contra a privatização da distribuição de água e Daniel se torna um dos líderes do movimento. 

O roteiro explora a história real da revolta popular ocorrida na Bolívia, para criar uma trama de ficção sobre a visão dos estrangeiros que estavam no país na época. A forma como as pessoas da equipe de filmagem encaram a situação é interessante, enquanto alguns fecham os olhos pensando apenas no filme, outros querem sair país e somente um realmente se envolve no conflito. 

Não é um grande filme analisando a parte técnica ou as interpretações, mas ganha força por abordar uma violenta e complexa história real, que mostra a importância da água e como ela poderá ser um fator decisivo para conflitos no futuro.  

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Terra Selvagem

Terra Selvagem (Wind River, Inglaterra / Canadá / EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Taylor Sheridan
Elenco – Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Graham Greene, Jon Bernthal, Gil Birmingham, Tantoo Cardinal, Kelsey Abile.

O caçador Cory Lambert (Jeremy Renner) encontra uma jovem morta numa reserva indígena denominada “Wind River”. Localizada numa região gelada e montanhosa do Wyoming, Cory e o xerife indígena (Graham Greene) esperam o FBI para investigar o caso. 

Para surpresa da dupla, é enviada a agente novata Jane Banner (Elizabeth Olsen), que além da falta de experiência, não conhece absolutamente nada sobre a região. A agente termina por pedir ajudar para Cory, que aceita a missão também pensando em encontrar respostas para uma tragédia que acabou com seu casamento. 

Não espere um filme de ação ou suspense agitado, a narrativa é sóbria com o roteiro dando as respostas aos poucos. O interessante desenvolvimento da dupla de protagonistas eleva a qualidade do longa. 

O roteiro ainda explora a falta de perspectivas dos descendentes indígenas que vivem na reserva, inclusive com o envolvimento de alguns com drogas e violência. 

Outro ponto alto são paisagens naturais da região, que são ao mesmo tempo belíssimas e duras para quem vive o dia a dia. As locações já valem a sessão.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Desafio no Gelo & Estrada Para Glória


Desafio no Gelo (Miracle, Canadá / EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Kurt Russell, Patricia Clarkson, Noah Emmerich, Sean McCann, Kenneth Welsh, Eddie Cahill, Patrick O’Brian Demsey, Michael Mantenuto, Nathan West, Kenneth Mitchell, Eric Peter Kaiser.

Em 1979, Herb Brooks (Kurt Russell) é escolhido para treinar a seleção americana de hóquei no gelo que no início de 1980 disputaria a Olimpíada de Inverno em Lake Placid, Nova York. Na época, era proibido que jogadores profissionais disputassem a Olimpíada, o que obrigava os americanos a montarem uma seleção com atletas universitários. 

Por outro lado, comunistas alegavam que os esportes em seus países não eram profissionais e por este motivo convocavam seus melhores atletas para disputar a competição. Neste contexto, a então União Soviética era praticamente imbatível no hóquei no gelo. 

Tratado com desprezo até mesmo pelo comitê olímpico americano, o obcecado Herb Brooks enfrenta o desafio de tentar vencer os soviéticos. Extremamente exigente nos treinamentos, Brooks precisa também ganhar a confiança dos jovens jogadores. 

Baseado numa belíssima história real, este longa relata um daqueles milagres que de tempos em tempos acontece no esporte. A dura jornada em busca da vitória é detalhada nas discussões, nas contusões e nas eletrizantes sequências dos jogos, principalmente a partida contra os soviéticos que é retratada por quase trinta minutos. Mesmo com as cenas de jogos cansando um pouco, não se pode negar que elas são emocionantes. 

É um filme competente na proposta de emocionar ao retratar um feito fora do comum. 

Estrada Para Glória (Glory Road, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – James Gartner
Elenco – Josh Lucas, Derek Luke, Austin Nichols, Jon Voight, Evan Jones, Schin A.S. Kerr, Sam Jones III, Alphonso McAuley, Mehcad Brooks, Damaine Radcliff, Al Shearer, Emily Deschanel, Red West.

Em 1966, o então treinador de uma equipe feminina de basquete Don Haskins (Josh Lucas), recebe uma proposta para treinar a equipe masculina da universidade de Western Texas. Pela falta de tradição da universidade no esporte e com poucos atletas, Haskins decide enfrentar o preconceito da região e oferece bolsas de estudo para sete jogadores negros. 

A princípio tratados com desprezo pelos adversários e torcedores rivais, a cada nova vitória a equipe mostra seu valor, até conseguir um feito inédito que abriu caminho para os jogadores negros se tornarem os protagonistas do basquete americano. 

Baseado em uma surpreendente história real, o longa segue a fórmula dos filmes sobre esporte. Acompanhamos a montagem do time, os conflitos entre os jogadores e com o próprio técnico e por fim a superação. O roteiro não se aprofunda em algumas situações mais polêmicas, seguindo uma narrativa linear e até previsível. O filme ganha pontos pelas boas cenas das partidas e pela emoção do clímax. 

É um filme correto, que vale como registro de uma sensacional história real.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Pandora

Pandora (Pandora, Coreia do Sul, 2016) – Nota 8
Direção – Jong Woo Park
Elenco – Nam Gil Kim, Yeo Ji, Do Bin Baek, , Jung Hee Moon, Yeong Ae Kim, Myung Min Kim.

Numa pequena cidade do interior da Coreia do Sul, cinco crianças conversam ingenuamente sobre a usina nuclear que foi construída no local. 

Anos depois, quase toda a população trabalha na usina, inclusive o jovem Jae Hyeok (Nam Gil Kim), que planeja sair da cidade em busca de dinheiro para dar uma vida melhor para sua família. 

Quando um terremoto atinge a região, a usina é afetada e precisa ser reparada com urgência antes de entrar em colapso. É o início de um inferno. 

Este ótimo blockbuster sul-coreano não deixa nada a dever em comparação aos semelhantes americanos. Cenas de ação caprichadas, tensão crescente, drama familiar, corrupção política e uma trilha sonora assustadora são os ingredientes principais. 

O estilo de atuação oriental pode desagradar um pouco quem não está acostumado, assim como a duração um pouco longa, mas por outro lado, os personagens são muito mais próximos da realidade do que os heróis das produções de Hollywood. A sequência final mostra toda a fragilidade do ser humano frente a morte, mesmo em um momento de heroísmo. 

Cada vez mais o cinema sul-coreano se firma entre os melhores do mundo.  

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Doidão

Doidão (The Wackness, Inglaterra / EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Jonathan Levine
Elenco – Josh Peck, Ben Kingsley, Famke Janssen, Olivia Thirlby, Mary Kate Olsen, Jane Adams, Method Man, Aaron Yoo, Talia Balsam, David Wohl.

Nova York, verão de 1994. O jovem Luke Shapiro (Josh Peck) ganha a vida traficando drogas escondidas em um carrinho de sorvete, enquanto espera o início das aulas na universidade. 

Solitário, Luke tem como único amigo o psiquiatra Dr. Squires (Ben Kingsley). De paciente, Luke se transformou em fornecedor de drogas e amigo do maluco Squires, que vive um casamento falido (Famke Janssen é a esposa) e que sonha em reviver os tempos de juventude. 

Luke também sofre com a dificuldade financeira dos pais e pela atração que sente por Stephanie (Olivia Thirlby), que é enteada de Squires. 

Não se deixe enganar pelo título nacional que lembra uma comédia rasgada, na verdade o longa é um drama independente sobre amizade, juventude e frustrações, com pitadas de humor a cargo do inusitado personagem de Ben Kingsley. 

É muito interessante a relação entre o jovem traficante e o psiquiatra. Enquanto o primeiro acredita estar deprimido, o segundo diz que a o remédio para se sentir bem é viver da melhor forma possível, ou seja, de um lado temos um jovem que sofre por não ter vivido e do outro um homem de meia-idade que sabe que seus melhores anos de vida não voltarão. 

É um filme bem mais profundo do que aparenta, com destaque para a atuação da dupla principal.

domingo, 12 de novembro de 2017

Guerreiro

Guerreiro (Warrior, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Joel Edgerton, Tom Hardy, Nick Nolte, Jennifer Morrison, Frank Grillo, Kevin Dunn, Maximiliano Hernandez, Denzel Whitaker, Gavin O’Connor.

Muitos anos após ter partido com a mãe, Tommy (Tom Hardy) retorna a Pittsburgh e reencontra o pai Paddy (Nick Nolte). Mesmo tendo abandonado a bebida e se mostrando arrependido por ter sido um péssimo marido e pai, Paddy não é perdoado por Tommy. 

Em paralelo, Brendan (Joel Edgerton), que também é filho de Paddy, sofre com a possibilidade de perder sua casa por causa de uma dívida bancária. A única coisa que liga a família é o gosto pela luta. Paddy era treinador, enquanto Tommy e Brendan foram lutadores. O destino da família se cruza quando um torneio de MMA em Atlantic City que dará cinco milhões ao vencedor se torna o objetivo dos irmãos. 

Eu não assisto MMA, mas por outro não é necessário ser fã do esporte para gostar deste ótimo longa que une conflitos familiares e lutas de uma forma emocionante. O sofrido relacionamento entre pai e irmãos carrega uma forte carga dramática, que é potencializada pelas ótimas lutas filmadas de uma forma extremamente realista, com destaque para as atuações no ringue de Tom Hardy e Joel Edgerton. 

De uma forma inusitada, eu diria que o filme é uma mistura de “Rocky” com “O Grande Dragão Branco”.

sábado, 11 de novembro de 2017

O Jogo do Exterminador

O Jogo do Exterminador (Ender’s Game, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Gavin Hood
Elenco – Asa Butterfield, Harrison Ford, Hailee Steinfeld, Ben Kingsley, Abigail Breslin, Viola Davis, Aramis Knight, Suraj Partha, Moises Arias, Nonso Anozie.

Cinquenta anos após a Terra ter sido atacada por alienígenas e conseguir deter o que seria uma invasão, os governos criaram um programa de defesa para evitar um novo ataque. O programa recruta crianças para desenvolverem estratégias de ataque e defesa em simuladores especiais e que tenham potencial para enfrentarem batalhas reais. 

Ender Wiggin (Asa Butterfield) é um destes garotos, que rapidamente demonstra uma inteligência acima da média para situações complexas e perigosas. Tendo o Coronel Graff (Harrison Ford) como uma espécie de tutor, Ender é preparado para liderar uma frota contra o inimigo. 

Este longa é mais uma adaptação de um livro de ficção infanto-juvenil, gênero que se tornou comum nos últimos anos. Por mais que a produção seja caprichada e agrade principalmente a geração que curte games, o filme é um amontoado de clichês que mistura disciplina militar, técnicas de liderança e disputa por poder. 

Para quem é um pouco mais velho, a premissa lembra o explosivo “Tropas Estelares” de Paul Verhoeven, porém diferente daquele longa repleto de cenas de ação, aqui praticamente toda a história se passa durante o treinamento do protagonista em simuladores, o que torna o filme cansativo. 

O final também deixa a desejar e chega a ser piegas, tudo para deixar um gancho. Como o longa fracassou nas bilheterias, não acredito que a sequência saia do papel.  

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Prece Para um Condenado & Agenda Secreta


Prece Para um Condenado (A Prayer for the Dying, Inglaterra, 1987) – Nota 5,5
Direção – Mike Hodges
Elenco – Mickey Rourke, Bob Hoskins, Alan Bates, Sammi Davis, Christopher Fulford, Liam Neeson, Camille Coduri, Alison Doody.

Na Irlanda do Norte, um grupo de terroristas do IRA falha ao tentar explodir um comboio do exército inglês e termina por atingir um ônibus cheio de crianças. Martin Fallon (Mickey Rouke) e Liam Docherty (Liam Neeson) conseguem fugir. Fallon segue para Londres onde deseja conseguir novos documentos e dinheiro para fugir aos Estados Unidos, porém seu contato na cidade faz uma proposta. 

Ele deverá assassinar um sujeito para conseguir o que deseja, senão terá de se virar sozinho para fugir. Fallon aceita a missão e ao matar o homem dentro de um cemitério, percebe em seguida que um padre (Bob Hoskins) testemunhou a execução. Mesmo usando a criatividade para não matar o padre e fazer com que ele não o entregue à polícia, Fallon se torna alvo do mandante do crime (Alan Bates) e de seus antigos parceiros do IRA. 

Por mais incrível que pareça hoje, Mickey Rourke era um dos maiores astro do cinema em 1987. Infelizmente, a derrocada da carreira de Rourke começou com este equivocado trabalho. A premissa de explorar uma trama política que era atual na época parecia interessante, o problema surgiu na execução. A narrativa lenta e irregular, além do roteiro previsível não ajudaram em nada. A situação piora com as péssimas atuações. Com exceção de Bob Hoskins, perfeito como padre, o restante do elenco parece interpretar uma peça de teatro ruim. Rourke com o cabelo pintado quase ruivo para parecer irlandês, com um sotaque falso e exagerando na pose chega a ser patético. 

Finalizando, ainda escolheram para diretor Mike Hodges, que durante anos trabalhou apenas na tv após ter feito o péssimo “Flash Gordon” em 1980. 

Agenda Secreta (Hidden Agenda, Inglaterra, 1990) – Nota 7
Direção – Ken Loach
Elenco – Frances McDormand, Brian Cox, Brad Dourif, Mai Zetterling.

Apesar de serem americanos, a advogada Ingrid Jessner (Frances McDormand) e o ativista político Paul Sullivan (Brad Dourif) lutam para levar a público as provas da ação violenta do governo britânico contra os separatistas da Irlanda da Norte. O trabalho da dupla incomoda o governo e resulta no assassinato de Sullivan. 

Decidido a continuar seu trabalho, Jessner recebe a ajuda de um investigador inglês Peter Kerrigan (Brian Cox), que se mostra inconformado com as atitudes do governo britânico e dos colegas de polícia. 

Neste trabalho, o cinema político de Ken Loach vai além da crítica social. O roteiro explora o ódio entre ingleses e irlandeses separatistas através de uma conspiração que envolve poderosos. É um drama policial que lembra os filmes de espionagem. O ritmo lento e a falta de ação atrapalham um pouco o resultado. O ponto principal termina sendo a própria história.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Despedida em Grande Estilo

Despedida em Grande Estilo (Going in Style, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Zach Braff
Elenco – Michael Caine, Morgan Freeman, Alan Arkin, John Ortiz, Matt Dillon, Ann Margret, Joey King, Maria Dizzia, Christopher Lloyd, Anthony Chisholm, Siobhan Fallon Hogan, Josh Pais, Peter Serafinowicz, Kenan Thompson.

O aposentado Joe (Michael Caine) se sente encurralado quando recebe um aviso do banco ameaçando tomar sua casa por conta de uma hipoteca em atraso. 

Sua situação fica pior quando a empresa em que trabalhou durante trinta anos avisa que fechará as portas no país e deixará de pagar os pensionistas. O problema da empresa atinge também seus amigos Willie (Morgan Freeman) e Al (Alan Arkin). Acreditando não ter nada a perder, Joe convence os amigos a assaltarem o banco que está tentando tomar sua casa. 

Esta simpática sessão da tarde é uma refilmagem de um longa de 1979. O ponto principal é o elenco recheado de veteranos, que se divertem com os diálogos bem humorados que brincam com a questão da idade. 

A cena do assalto ao banco, assim como “o teste” no supermercado são bizarros, mas dentro do esperado pela proposta do longa. 

Além do trio principal, no elenco temos outros veteranos como Christopher Lloyd e Anthony Chisholm, além da estrela dos anos sessenta e setenta Ann Margret. 

Como se dizia antigamente, este é um filme para toda a família.