quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Matança em São Francisco & A Marca da Brutalidade


Matança em São Francisco (The Laughing Policeman, EUA, 1973) – Nota 6,5
Direção – Stuart Rosenberg
Elenco – Walter Matthau, Bruce Dern, Louis Gossett Jr, Anthony Zerbe, Albert Paulsen, Val Avery, Cathy Lee Crosby, Joanna Cassidy.

Em São Francisco, um desconhecido entra em um ônibus, saca uma pequena metralhadora e mata todos os passageiros, além do motorista. Entre as vítimas está um detetive. Seu parceiro (Walter Matthau) e outro detetive (Bruce Dern) são os encarregados de investigar o caso, que pode estar ligado a um assassinato ocorrido dois anos antes que ficou sem solução.

O longa começa muito bem, com o detetive assassinado seguindo um sujeito e entrando no ônibus antes de ocorrer a chacina. A partir daí, o roteiro explora a investigação com a dupla de detetives seguindo pistas, entrevistando testemunhas e pressionando suspeitos. Infelizmente a narrativa da investigação é um pouco cansativa, falta ação e emoção. Tudo é levado com frieza até a perseguição de automóveis na parte final, sequência habitual nos filmes policiais dos anos setenta.

O resultado é interessante, mas abaixo do potencial da premissa.

A Marca da Brutalidade (Prime Cut, EUA, 1972) – Nota 6
Direção – Michael Ritchie
Elenco – Lee Marvin, Gene Hackman, Angel Tompkins, Gregory Walcott, Sissy Spacek.

Nick Devlin (Lee Marvin) é uma espécie de cobrador de dívidas que presta serviço para um chefão do crime em Chicago. Ele é contratado para cobrar uma dívida de seu antigo parceiro Mary Ann (Gene Hackman), que usou o dinheiro para comprar uma matadouro de gado no Kansas. Junto com quatro capangas, Nick segue para Kansas e descobre que Mary Ann também está envolvido com prostituição, mantendo várias jovens como escravas sexuais. A visita de Nick terminará em um violento confronto. 

Este estranho longa dirigido pelo falecido Michael Ritchie é uma enorme exceção na carreira do diretor. Ritchie saiu da tv nos anos setenta e fez praticamente toda sua carreira com comédias, algumas divertidas como “Assassinato Por Encomenda” com Chevy Chase e “O Rapto do Menino Dourado” com Eddie Murphy. 

Este “A Marca da Brutalidade” é estranho não apenas pela violência dos tiroteios, mas também pelos coadjuvantes bizarros, as locações e a sequência inicial que mostra todo o processo de fabricação de salsicha e hamburger, imagens para fazer qualquer um desistir de comer este tipo de alimento. O longa também apresenta cenas de nudez não tão comuns para época, inclusive com uma bem jovem e desinibida Sissy Spacek mostrando o corpo. O grande Lee Marvin repete o papel habitual de durão, enquanto Gene Hackman aparece pouco. 

O melhor do filme é a sequência de perseguição e tiroteio no meio do matagal.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Equilibrium

Equilibrium (Equilibrium, EUA, 2002) – Nota 6
Direção – Kurt Wimmer
Elenco – Christian Bale, Emily Watson, Taye Diggs, Angus MacFadyen, Sean Bean, Sean Pertwee, William Fichtner, Dominic Purcell, Matthew Harbour.

No futuro, após a Terceira Guerra Mundial, o mundo é comandado por uma espécie de profeta conhecido como Pai (Sean Pertwee). Para manter a população sob controle evitando questionamentos, conflitos e uma nova guerra, foi criada uma droga denominada Prozium (Prozac + Lítio provavelmente). 

A pessoas são obrigadas a tomar doses diárias da droga para suprimir seus sentimentos. Aqueles que se negam a tomar ou tentam resistir, são caçados por uma policial especial e por detetives conhecidos como Clérigos. Um dos Clérigos é John Preston (Christian Bale), que após prender uma rebelde (Emily Watson), começa a questionar o porquê de caçar pessoas e decide parar de tomar a droga. 

O roteiro escrito pelo diretor Kurt Wimmer (do péssimo “Ultravioleta”) mistura ideias do cult "Matrix" com a sociedade futurista pensada por George Orwell no clássico da literatura “1984”. Apesar das boas críticas que o filme recebeu, várias situações não me agradaram. 

A narrativa fria que tenta ser um reflexo do mundo sem emoções criado para o filme incomoda um pouco. Fica difícil o espectador se envolver na história, também por ela ser bem previsível, com exceção de uma pequena surpresa próximo ao final. O visual cinza do futuro ajuda a aumentar a frieza. 

Christian Bale é praticamente uma cópia do Neo de Keanu Reeves em “Matrix”, inclusive nas cenas de luta e tiroteios filmadas em câmera lenta. Os antagonistas vividos por Taye Diggs e Angus MacFadyen são caricatos. 

É um filme em que a casca é mais interessante que o conteúdo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Os Irmãos McMullen

Os Irmãos McMullen (The Brothers McMullen, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Edward Burns
Elenco – Edward Burns, Michael McGlone, Jack Mulcahy, Connie Britton, Maxine Bahns, Jennifer Jostyn, Elizabeth McKay, Shari Albert.

Em Long Island, Nova York, vivem os irmãos de origem irlandesa McMullen. Barry (Edward Burns) é o irmão do meio. Solteiro, ele deseja viver com liberdade e diz não acreditar no amor, mesmo após conhecer a bela Audrey (Maxine Bahns). 

O irmãos mais velho é Jack (Jack Mulcahy). Casado há bastante tempo com Molly (Connie Britton), Jack é cortejado por uma amiga da esposa (Elizabeth McKay) e sente-se atraído com a situação. O terceiro e mais novo irmão é o religioso Patrick (Michael McGlone), que está inseguro em casar com a namorada Leslie (Jennifer Jostyn), mesmo acreditando que a ama. 

Esta ciranda de relacionamentos marcou a promissora estreia no cinema do ator, diretor e roteirista Edward Burns, que na época tinha apenas vinte e sete anos. A expectativa de que um grande diretor estava nascendo não se concretizou. Por mais que seus trabalhos seguintes sejam filmes simpáticos como este, ele jamais alcançou um nível mais alto do que aqui.

O ponto principal deste longa são os diálogos que focam em conflitos de relacionamentos bem próximos da realidade. As dúvidas, frustrações e desejos são situações universais detalhadas com sensibilidade pelo roteiro. 

É um bom filme, indicado para quem gosta de histórias reais.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Acusados


Acusados (The Accused, Canadá / EUA, 1988) – Nota 7,5
Direção – Jonathan Kaplan
Elenco – Kelly McGillis, Jodie Foster, Bernie Coulson, Leo Rossi, Ann Hearn, Carmen Argenziano, Steve Antin.

Após beber e dançar alegremente em um decadente bar, a jovem Sarah Tobias (Jodie Foster) é violentada por alguns homens dentro do local. 

O caso vai para justiça e a promotora Kathryn Murphy (Kelly McGillis) aceita fazer um acordo para que os agressores cumpram uma pena mínima, pois ela acredita que por Sarah ter bebido e flertado com os sujeitos, o fato seria visto pelos jurados como culpa parcial da jovem. 

Pouco tempo depois, uma nova situação faz com que Sarah pressione Kathryn a rever o acordo e também acusar as pessoas que estavam no bar, que assistiram a violência e não fizeram nada para impedir. 

Baseado num fato real ocorrido no início dos anos oitenta, este longa tem como principal ponto mostrar a dificuldade em provar na justiça um crime de estupro. A história do filme é absurda por ter várias pessoas envolvidas no crime, outras como testemunhas e mesmo assim ocorrer a tentativa de desqualificar o depoimento da vítima. A cena do ataque é forte, daquelas que ficam na mente do espectador. O desempenho visceral de Jodie Foster rendeu o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz. 

Silêncio Cruel (When He's Not a Stranger, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – John Gray
Elenco – Annabeth Gish, Kevin Dillon, John Terlesky, Kim Myers, Nicole Mercurio, Paul Dooley.

Em uma universidade na Califórnia, a jovem Lyn (Annabeth Gish) está procurando sua amiga Melanie (Kim Dickens) quando encontra Ron (John Terlesky) nos corredores do local. Sendo namorado de Melanie, Lyn aceita o convite para esperar a amiga no quarto dele, sem imaginar a armadilha que está prestes a cair. Após ser atacada, Lyn a princípio tenta esquecer o acontecido, porém ao ser obrigada a ver o agressor levar uma vida normal a faz lutar contra a situação e enfrentar até mesmo contra a universidade. A bela Annabeth Gish tem como seu trabalho mais importante a participação na duas últimas temporadas da primeira fase de “Arquivo X”. Ela também é neta da estrela do cinema mudo Lilian Gish. 

Sem Permissão (Without Her Consent, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Sandor Stern
Elenco – Melissa Gilbert, Scott Valentine, Barry Tubb, Bebe Neuwirth, Richard Fancy.

Emily (Melissa Gilbert) conhece Jason (Scott Valentine), que a princípio parece um sujeito tranquilo, mas que logo se mostra violento. Após o ataque sexual, Emily procura a polícia mas é tratada com desconfiança. As autoridades acreditam que o ato pode ter sido consensual, pois eles se conheciam. Quando outra garota também decide prestar queixa contra Jason, Emily volta a pressionar a promotoria em busca de justiça. A atriz Melissa Gilbert era famosa pelo trabalho na série clássica “Os Pioneiros”, quando ainda era adolescente e interpretava uma das filhas do protagonista vivido pelo falecido Michael Landon, que também era famoso por outra série, a divertida e sensível “O Homem Que Veio do Céu”. 

Meu Filho, o Estuprador (A Family Divided, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Donald Wrye
Elenco – Faye Dunaway, Cameron Bancroft, Stephen Collins, Judson Mills.

Uma jovem garçonete é violentada por cinco jovens estudantes durante uma festa. Um dos garotos é Chad (Cameron Bancroft), um atleta que disputa campeonatos de natação e que pertence a uma família de classe alta. Quando o crime vem à tona, o pai de Chad que é advogado (Stephen Collins), pede para o filho ficar calado sobre o que ocorreu, que ele fará de tudo para ajudá-lo. Por outro, sua mãe (Faye Dunaway), que é uma dona de casa, fica horrorizada com o crime e dividida entre apoiar a ideia do marido ou obrigar o filho a contar a verdade para a justiça. É um drama pesado que coloca os pais numa encruzilhada. O que fazer com um filho que cometeu um crime cruel?

Pecados do Silêncio (Sins of Silence, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Sam Pillsbury
Elenco – Lindsay Wagner, Holly Marie Combs, Cynthia Sikes, Victor Argo, Brian Kerwin, Jason Cadieux, Sean McCann.

Sophie (Holly Marie Combs) é violentada por um sujeito que conheceu em um bar. No hospital, ela não quer fazer queixa do ataque, mas acaba sendo convencida por uma psicóloga (Lindsay Wagner) que trabalha auxiliando mulheres que sofreram abuso. Quando o caso vai a julgamento, as duas são pressionadas pelo advogado da acusação a divulgarem o teor das sessões onde a jovem conta seus segredos pessoais, situação que ele acredita que poderá utilizar para salvar seu cliente da condenação. O roteiro explora a questão do sigilo entre médico e paciente, além do sofrimento duplicado que as vítimas de abuso são obrigadas a enfrentar no julgamento. 


domingo, 27 de agosto de 2017

Snowden

Snowden (Snowden, França / Alemanha / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Shailene Woodley, Melissa Leo, Zachary Quinto, Tom Wilkinson, Rhys Ifhans, Ben Schnetzer, Nicolas Cage, Scott Eastwood, Joely Richardson, Nicholas Rowe, Timothy Olyphant, Logan Marshall Green, Lakeith Stanfield, Ben Chaplin.

Conhecido por filmes políticos que criticam o governo americano e atraído por conspirações, era esperado que o diretor Oliver Stone fizesse um longa sobre a vida de Edward Snowden (Joseph Gordon Levitt), o analista da CIA que divulgou para o mundo o programa utilizado pelas autoridades americanas para espionar cidadãos de todos os países, numa espécie de Big Brother. 

Diferente do doc produzido em 2014 mostrando a entrevista do verdadeiro Snowden com os jornalistas que divulgaram a matéria, a proposta de Stone foi detalhar a carreira do analista dentro da CIA e como ele mudou seu pensamento durante uma década em que trabalhou para o governo. 

O roteiro explora o relacionamento do protagonista com a namorada Lindsay (Shailene Woodley) e seu relacionamento profissional com Corbin O’Brian (Rhys Ifhans), que foi seu mentor na CIA, com um jovem hacker (Ben Schnetzer) e um pequeno contato com outro agente (Nicolas Cage), que foi o primeiro a mostrar descontentamento com a agência. 

As ações as quais Snowden participou, chegando até a descoberta do programa de espionagem, levaram o jovem agente a colocar sua vida em risco para expor a verdade. Entre defeitos e virtudes, não se pode negar a coragem de Snowden. 

É um filme que segue o estilo biográfico e ainda cria algumas sequências interessantes de suspense, tendo como seu ponto principal a própria história.

sábado, 26 de agosto de 2017

Código Desconhecido

Código Desconhecido (Code Inconnu: Récit Incomplet de Divers Voyages, França / Áustria / Romênia, 2000) – Nota 7
Direção – Michael Haneke
Elenco – Juliette Binoche, Thierry Neuvec, Alexandre Hamidi, Luminita Gheorghiu, Bruno Todeschini, Ona Lu Yenke.

Em Paris, uma discussão entre um adolescente francês (Alexandre Hamidi) e um jovem filho de imigrantes (Ona Lu Yenke), resulta na deportação de uma mulher romena ilegal (Luminita Gheorghiu). 

O fato é apenas a introdução para o roteiro explorar situações aleatórias na vida de vários personagens ligados a três núcleos. No lado francês, uma atriz (Juliette Binoche) tem um relacionamento complicada com um fotógrafo de guerra (Thierry Neuvec), que é irmão do adolescente brigão. 

Temos a família de imigrantes africanos que enfrenta problemas diários relacionados a sua condição. O terceiro elo segue a vida da senhora romena que luta para superar a pobreza em seu país e que decide tentar voltar para França. 

Não espere uma história linear, o roteiro escrito por Michael Haneke mostra fragmentos da vida destas pessoas, detalhando problemas de relacionamento, falta de perspectiva e os conflitos e preconceitos relacionados a imigração, além da violência, tema comum nas obras do diretor. 

Não está entre seus melhores filmes, mas mesmo assim algumas sequências são impactantes, como a discussão inicial e o conflito dentro do vagão do metrô.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Norman: Confie em Mim & O Encontro


Norman: Confie em Mim (Norman: The Moderate Rise and Tragic Fall of a New York Fixer, Israel / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Joseph Cedar
Elenco – Richard Gere, Lior Ashkenazi, Michael Sheen, Steve Buscemi, Yehuda Almagor, Neta Riskin, Josh Charles, Dan Stevens, Harrus Yulin, Charlotte Gainsbourg, Tali Sharon, Isaach De Bankolé, Hank Azaria, Scott Shepherd.

Norman Oppenheimer (Richard Gere) costuma se apresentar como consultor financeiro para empresários e autoridades com o objetivo de oferecer facilidades e assim criar uma relação pensando em lucrar com algum negócio. Insistente, Norman muitas vezes se torna inconveniente e termina tratado com desprezo. Sua única relação de amizade é com o sobrinho (Michael Sheen), um advogado que tenta ajudá-lo, mas que não quer seu nome ligado aos “negócios” de Norman.

A aparente sorte grande surge quando Norman cruza o caminho de um político israelense (Lior Ashkenazi), que sem grandes motivos, termina por tratá-lo como amigo. Três anos depois, o sujeito se torna Primeiro-Ministro de Israel e Norman uma espécie de assessor informal. A relação levará Norman para o centro de uma rocambolesca investigação criminal.

O interessante roteiro escrito pelo diretor Joseph Cedar divide a história em atos e retrata com leveza e até bom humor o trabalho dos facilitadores que vivem para suprir as necessidades dos poderosos. O personagem de Richard Gere é a contradição em pessoa. Ele é ao mesmo tempo manipulador, leal e patético. Sua vontade de querer resolver problemas para as pessoas é quase uma obsessão. É como se ele vivesse para montar um quebra-cabeças em que as peças são as pessoas ao seu redor.

O filme ganha pontos pela interpretação marcante de Richard Gere. Vale destacar ainda o ator israelense Lior Ashkenazi como o político dividido entre a lealdade e a ambição e o sempre competente Steve Buscemi no papel do rabino amigo do protagonista.

O Encontro (Time Out of Mind, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Oren Moverman
Elenco – Richard Gere, Ben Vereen, Jena Malone, Steve Buscemi, Jeremy Strong, Kyra Sedgwick, Michael Buscemi.

Na sequência inicial, um sujeito (Steve Buscemi) entra com sua equipe de reforma em um velho apartamento e encontra um homem (Richard Gere) dormindo na banheira vazia. Um pouco atrapalhado e perguntando sobre uma mulher, o desconhecido termina por aceitar sair do local. A partir, descobrimos que o homem é George Hammond (Richard Gere). Ele vive pelas ruas de Nova York em busca diária de comida, de trocados para comprar bebida, de roupas e de um local para dormir. 

O roteiro escrito pelo diretor Oren Moverman (“O Mensageiro” e “Rampart”) detalha a vida de alguém que perdeu tudo. A saga diária do protagonista vivido por Richard Gere passa por dormir no metrô, se esconder do frio sentado em uma cadeira na recepção da emergência de um hospital, conseguir casacos na igreja para passar a noite e vendê-los durante o dia para comer e beber, além da burocracia para ser aceito em um abrigo e também para conseguir auxílio do governo. 

O roteiro foca também na tentativa de reaproximação com a filha (Jena Malone) e a amizade com outro morador de rua (Ben Vereen). 

Por mais que seja um drama triste, a narrativa se mostra fria, sem apelar para cenas emotivas ou grandiosas. A proposta é mostrar a luta diária de um sem teto em uma grande cidade de forma sóbria.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Christine

Christine (Christine, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Antonio Campos
Elenco – Rebecca Hall, Michael C. Hall, Tracy Letts, Maria Dizzia, J. Smith Cameron, Timothy Simons, Kim Shaw, John Cullum.

Sarasota, Flórida, 1974. Christine Chubbuck (Rebecca Hall) é repórter de um canal de televisão local e também apresentadora de um pequeno programa de entrevistas. 

Conhecida por fazer reportagens com temas inofensivos, Christine é incitada por seu chefe (Tracy Letts) a procurar histórias fortes e até violentas, para tentar aumentar a audiência do canal. 

Ao mesmo tempo, o dono da emissora (John Cullum) pretende levar um jornalista para ser âncora em seu novo canal na cidade de Baltimore. A chance de conseguir a tão sonhada promoção na carreira, junto com um problema de saúde e a difícil relação com a mãe (J. Cameron Smith), fazem com que Christine sinta-se pressionada ao extremo. 

Baseado numa trágica história real, este longa mostra como uma pessoa perturbada pode reagir de forma extrema a um nível de pressão elevado. A atuação de Rebecca Hall é perfeita. Ela é ao mesmo tempo competente no trabalho, mas exigente de forma exagerada consigo mesma. 

O roteiro também acerta ao mostrar aos mudanças que começavam a ocorrer no jornalismo televisivo. As reportagens fúteis passavam a dividir o espaço com as notícias violentas. O sangue e a tragédia estavam se tornando notícia comum enquanto as pessoas assistiam tv e jantavam. Hoje, estes dois tipos de notícia se transformaram em espetáculo, andando de mãos dadas e tendo um público cativo. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Pequenos Delitos

Pequenos Delitos (Small Crimes, Canadá / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Evan Katz
Elenco – Nikolaj Coster Waldau, Robert Forster, Jacki Weaver, Molly Parker, Gary Cole, Macon Blair, Michael Kinney, Pat Healy, Shawn Lawrence.

Após cumprir seis anos de cadeia pela tentativa de assassinato a um detetive (Michael Kinney), o ex-policial Joe Denton (Nikolaj Coster Waldau) deseja retomar a vida se reaproximando do pai (Robert Forster) e da mãe (Jackie Weaver), além de reencontrar as duas filhas que estão morando com a ex-esposa. 

Os planos de Joe começam a ruir rapidamente. Ele é procurado por um detetive corrupto (Gary Cole) que deseja assassinar um antigo associado da dupla. O velho criminoso está à beira da morte e também prestes a fazer um acordo com a promotoria. 

O roteiro escrito em parceria entre o diretor Evan Katz e o ator Macon Blair tem semelhanças com os filmes do diretor Jeremy Saulnier (“Sala Verde” e “Ruína Azul”), parceiro habitual de Blair. São histórias bizarras que exploram pequenos criminosos e muita violência. 

A trama aqui segue este estilo. O protagonista tenta mudar de vida, porém é pressionado por todos os lados para continuar no caminho do crime, como se o destino o empurrasse para a tragédia. 

O bom ator dinamarquês Nikolaj Coster Waldau se mostra cada vez mais a vontade em produções americanas. 

O resultado é um filme policial curioso e violento. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Filme da Minha Vida

O Filme da Minha Vida (Brasil, 2017) – Nota 7
Direção – Selton Mello
Elenco – Johnny Massaro, Vincent Cassel, Selton Mello, Bruna Linzmeyer, Ondina Clais, Bia Arantes, Rolando Boldrin, Martha Nowill, João Prates, Antonio Skármeta.

Remanso, interior do Rio Grande do Sul, 1963. Após se formar professor, Tony (Johnny Massaro) volta para sua cidade e se surpreende ao ver seu pai (Vincent Cassel) partir de volta para França. 

Enquanto sonha com a volta do pai, ele se envolve com a jovem Luna (Bruna Linzmeyer) e convive com a tristeza da mãe (Ondina Clais). Sua amizade com Paco (Selton Mello) e com o garoto Augusto (João Prates), o levam também a visitar um prostíbulo na cidade vizinha. 

Esta terceira incursão do ator Selton Mello na direção pode ser analisada de formas diferentes. A parte técnica é belíssima, tanto nos enquadramentos da paisagem natural da região, como na reconstituição de época e no figurino. 

O elenco tem altos e baixos. Os destaques ficam para Selton Mello interpretando o rude Paco e o sempre competente Vincent Cassel com seu português quase perfeito. Por outro lado, o protagonista Johnny Massaro parece muito frágil para o papel, inclusive com um mudança de comportamento um pouco forçada na sequência final da festa. A participação de Rolando Boldrin é mais uma homenagem ao veterano ator, cantor e apresentador. A importância de seu personagem na história é zero. 

A história que é baseada em livro de Antonio Skármeta, que faz uma ponta como o dono do bordel, também é clichê, lembra uma novela de época. Até mesmo a revelação da parte final está longe de ser surpreendente. 

Selton Mello novamente mostra talento como diretor, mesmo com uma história apenas razoável.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Sabotador & Os 39 Degraus


Sabotador (Saboteur, EUA, 1942) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hithcock
Elenco – Robert Cummings, Priscilla Lane, Otto Kruger, Alan Baxter, Clem Bevans, Norman Lloyd, Alma Kruger.

Um incêndio ocorre no galpão de uma fábrica de aviões. Ao tentar apagar o fogo utilizando um extintor, um funcionário morre queimado. Seu amigo Barry Kane (Robert Cummings) havia recebido o extintor de outro sujeito (Norman Lloyd), sem saber que o mesmo estava cheio de gasolina. Barry é acusado pelo crime, pois o outro homem desapareceu. Antes de ser preso, ele consegue fugir para procurar o sujeito e tentar esclarecer o que ocorreu, sem imaginar que o crime faz parte de uma grande conspiração.

O tema do inocente acusado injustamente é comum na filmografia de Hitchcock. Longas como “Os 39 Degraus” e “O Homem Errado” exploram este tema. Aqui, o roteiro aumenta o grau da acusação ao mostrar o crime como um ato de terrorismo em plena Segunda Guerra Mundial.

É interessante também a escolha do diretor em colocar como vilões personagens americanos, deixando de lado o esteriótipo do estrangeiro tentando destruir a América. Por outro lado, o filme perde alguns pontos ao fazer com que o protagonista atravesse o país como muita facilidade.

Finalizando, vale destacar a cena dos tiros dentro do cinema, que mistura o som do filme na tela com os tiros disparados por um vilão. Como todo filme de Hitchcock, é uma obra que merece ser conferida.

Os 39 Degraus (The 39 Steps, Inglaterra, 1935) – Nota 7
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Robert Donat, Madeleine Carroll, Lucie Manheim, Peggy Ashcroft.

Richard Hannay (Robert Donat) está passando férias em Londres e decide assistir a uma famosa peça de teatro. Sem explicação, tiros são disparados durante o espetáculo e as pessoas correm para fugir do local. Na saída do teatro, Hannay cruza o caminho de uma jovem que lhe conta uma história sobre conspiração. Ele leva a garota para o hotel. Na mesma noite, a jovem é assassinada e Hannay se torna o grande suspeito do crime, tendo de correr contra o tempo para provar sua inocência. 

Ainda na fase inglesa de Hitchcock, este longa apresenta situações que o diretor voltaria a explorar várias vezes na carreira. O acusado tentando provar sua inocência, uma personagem feminina misteriosa, a clássica conspiração e as cenas de suspense criativas. Por mais que tenha envelhecido bastante na forma e na ingenuidade de algumas situações, o trabalho ainda merece destaque pela carisma do protagonista e até pelo bom humor da narrativa.  

domingo, 20 de agosto de 2017

Borboleta Negra

Borboleta Negra (Black Butterfly, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Brian Goodman
Elenco – Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers, Piper Perabo, Abel Ferrara.

Paul (Antonio Banderas) é um escritor espanhol que vive em uma casa isolada no interior dos EUA. Separado da esposa e enfrentando um bloqueio criativo, Paul ainda se envolve em um conflito dentro de um restaurante. 

O fato faz Paul se aproximar de Jack (Jonathan Rhys Meyers), que o ajuda e que diz estar viajando pelo país sem rumo. Paul deixa o jovem ficar alguns dias em sua casa, mesmo sem saber nada de sua vida. Aos poucos, ele passa a desconfiar que Jack seja um serial killer que está sendo procurado pela polícia. 

O roteiro esconde duas grandes reviravoltas que vem à tona no terço final. A primeira, por mais interessante que pareça a princípio, se mostra exagerada ao ser analisada com frieza e nos detalhes. A surpresa final é muito mais verdadeira, ao mesmo tempo em que praticamente tira um sarro da cara do espectador. 

Não é um filme ruim, mas também está longe de ser uma obra marcante. É um daqueles filmes que geram discussões após a sessão para entender o que realmente aconteceu, mas que logo são esquecidos.   

sábado, 19 de agosto de 2017

Tudo em Família

Tudo em Família (The Family Stone, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Thomas Bezucha
Elenco – Diane Keaton, Dermot Mulroney, Sarah Jessica Parker, Claire Danes, Craig T. Nelson, Luke Wilson, Rachel McAdams, Tyrone Giordano, Brian White, Elizabeth Reaser.

Meredith (Sarah Jessica Parker) é uma típica mulher de Nova York. Sempre preocupada com o trabalho e com a aparência, ela se mostra insegura quando seu namorado Everett (Dermot Mulroney) a convida para conhecer seus pais durante os festejos de final de ano. 

Ao chegar na casa dos sogros, ela logo se sente julgada pela família de estilo liberal. Os poucos dias de convivência resultarão em discussões e lavagem de roupa suja. 

A premissa de mostrar conflitos familiares já foi explorada dezenas de vezes pelo cinema. O diferencial de qualidade está quando se une bom elenco, personagens próximos da realidade e roteiro afiado. Infelizmente, nesse longa pouca coisa se salva. 

Os personagens são caricatos e o roteiro totalmente clichê, incluindo um forçado final feliz e uma patética sequência que beira o pastelão. Entre os familiares temos a mãe liberal, o pai observador, o irmão gay, o outro irmão irresponsável, a irmã rebelde e outra irmã caxias. 

O resultado é uma total perda de tempo para o espectador.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mia Madre

Mia Madre (Mia Madre, Itália / França / Alemanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – Nanni Moretti
Elenco – Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti, Beatrice Mancini.

Margherita (Margherita Buy) é uma cineasta famosa trabalhando em seu novo filme e tendo de lidar com um excêntrico ator americano (John Turturro) que se enrola todo para falar em italiano. Seu irmão Giovanni (Nanni Moretti) é um engenheiro que aparenta não estar feliz com a carreira. 

Os dois reavaliam as próprias vidas ao terem de lidar com a doença da mãe (Giulia Lazzarini), uma professora inteligente, adorada pelos ex-alunos, mas que a cada dia fica mais próxima da morte. 

O diretor, produtor e roteirista Nanni Moretti é especialista em dramas sobre pessoas comuns e perdas. Em filmes como “Caos Calmo”, onde ele apenas é o roteirista e em “O Quarto do Filho”, a dor pela perda é o ponto principal. Aqui, o sentimento dos irmãos é pela iminente perda, focando no sofrimento das pessoas que convivem com familiares que tem pouco tempo de vida. 

O roteiro explora a ainda as frustrações pessoais, principalmente da personagem de Margherita Buy, que não consegue manter um relacionamento. 

É um filme sensível que atinge principalmente quem já passou pela situação de perder um pai ou um mãe. Ver um familiar sofrer é tão difícil quanto aceitar a partida do mesmo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Splice - A Nova Espécie & A Experiência


Splice – A Nova Espécie (Splice, Canadá / França / EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chaneac, Brandon McGibbon, David Hewlett, Simona Maicanescu, Abigail Chu.

Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) são um casal de cientistas que conseguiram desenvolver em laboratório uma nova criatura a partir da mistura de células de diversos animais. A corporação que financia o projeto espera conseguir uma nova proteína para alimentar gado, enquanto o sonho do casal é testar células humanas no experimento. Mesmo proibidos pela empresa, eles decidem seguir o projeto em paralelo e conseguem um aparente sucesso. Uma estranho bebê é gerado, dando início a uma série de consequências inesperadas e bizarras.

O diretor Vincenzo Natali é especialista em filmes B de ficção. Seu melhor trabalho é o ótimo “Cubo”. Aqui, a trama lembra os longas de ficção dos anos cinquenta, em que experimentos bizarros resultam em criaturas que fogem ao controle dos cientistas. O roteiro explora a discussão sobre até que ponto a ciência pode chegar e por incrível que pareça, discute ainda a questão de ter ou não filhos. As cenas de suspense e os efeitos da criatura são competentes. O filme perde pontos pela narrativa irregular e por alguns furos no roteiro.

Indicado para quem curte o gênero.

A Experiência (Species, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Ben Kingsley, Michael Madsen, Forest Whitaker, Alfred Molina, Marg Helgenberger, Natasha Henstridge, Michelle Williams.

Um centro de observação espacial recebe uma mensagem desconhecida do que seria um código genético alienígena. Acreditando ser algo útil para o avanço da ciência, o governo americano financia um projeto para criar um ser híbrido. O cientista Xavier Fitch (Ben Knigsley) consegue sucesso no projeto, resultado em uma garotinha (Michelle Williams). 

Ao perceber que existe algo de errado com a criação, eles tentaram neutralizar a criatura, que foge em busca de um parceiro para acasalar. Ela consegue “tomar” o corpo de uma bela mulher (Natasha Henstridge) e se torna uma ameaça para o governo, que envia um grupo liderado pelo mercenário Preston Lennox (Michael Madesen) para caçar a criatura. Junto com Preston seguem um cientista (Alfred Molina), um sensitivo (Forest Whitaker) e uma bióloga (Marg Helgenberger). 

Mesmo com falhas no roteiro, alguns absurdos e uma história clichê semelhante a uma caçada a um serial killer, esta mistura de ficção e terror fez sucesso na época, principalmente no mercado de dvd. Além de clichê, a trama é basicamente de um filme B disfarçada pelos efeitos especiais que hoje parecem envelhecidos, mas que na época eram de primeiro linha, inclusive a criatura desenvolvida pelo famoso H. R. Giger, criador da sinistra ameaça de “Alien – O Oitavo Passageiro”. Vale destacar a beleza e a nudez de Natasha Henstridge e o elenco recheado de rostos conhecidos, inclusive uma ainda adolescente Michelle Williams. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Toda Prova

A Toda Prova (Haywire, Irlanda / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Angarano, Bill Paxton, Mathieu Kassovitz.

Mallory Kane (a lutadora de MMA Gina Carano) é uma ex-agente de operações especiais do governo que trabalha para uma empresa privada de segurança internacional. 

Uma missão para resgatar um dissidente chinês termina em traição e Mallory escapa por pouco de ser assassinada. A partir daí, ela precisa descobrir quem planejou sua morte. 

A aparente complexidade do roteiro esconde uma previsível trama de vingança. Os personagens também são mal desenvolvidos e a protagonista Gina Carano se destaca apenas pela beleza e a destreza nas cenas de lutas, que por sinal são o melhor do filme. 

A estranha trilha sonora que parece ter saído direto de algum filme de baixo orçamento dos anos setenta é outra coisa que incomoda. 

Levando em conta também os coadjuvantes famosos e a direção de Steven Soderbergh, o filme fica abaixo do esperado.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Espaço Entre Nós

O Espaço Entre Nós (The Space Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Peter Chelsom
Elenco – Asa Butterfield, Gary Oldman, Carla Gugino, Britt Robertson, Janet Montgomery.

A primeira expedição em direção a Marte parte com cinco astronautas homens e uma mulher (Janet Montgomery). Para surpresa geral, a mulher descobre que está grávida durante a viagem. Ela dá luz chegando na colônia em Marte, mas acaba falecendo. O fato abala o cientista responsável pela viagem (Gary Oldman), mesmo com ele tendo ficado na Terra. Ele decide esconder a história da imprensa e abandona o trabalho em seguida. 

Dezesseis anos depois, o adolescente Gardner (Asa Butterfield) continua vivendo na colônia em Marte, mas sonha em voltar para Terra e encontrar seu pai, sujeito que ele conhece apenas por uma foto e sequer sabe o nome. Ao mesmo tempo, Gardner conversa por uma espécie de internet espacial com a jovem Tulsa (Britt Robertson), que vive em Oklahoma com o pai beberrão. 

Esta ficção é mais um exemplo de uma boa premissa desperdiçada. A questão das implicações de marketing sobre a imagem da Nasa e também de saúde para manter o jovem em Marte são interessantes, mas infelizmente o filme se perde completamente quando o protagonista viaja para Terra. São situações absurdas e grandes furos no roteiro, lembrando o estilo de muitas aventuras adolescentes dos anos oitenta, em que a única preocupação era a correria. O roteiro ainda guarda uma surpresa que o cinéfilo mais atento descobrirá logo no início do filme. 

É uma pena, além da premissa, o longa desperdiça também a ótima produção e o bom elenco.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Garota Desconhecida

A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue, Bélgica / França, 2016) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minella, Olivier Goumert, Fabrizio Rongione.

Jenny Davin (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a trocar o pequeno consultório na periferia de Liege na Bélgica, por um trabalho em uma clínica que atende a classe alta. 

Poucos dias antes da mudança, Jenny não atende uma pessoa que toca a campainha após o consultório estar fechado. No dia seguinte, a polícia a procura informando que uma jovem desconhecida morreu próximo ao local, provavelmente assassinada. Abalada por acreditar que teria salvo a vida da mulher se a atendesse, Jenny decide investigar para tentar descobrir a identidade da vítima. 

Os irmãos Dardenne são cineastas autorais como Michael Haneke e Gaspar Noé por exemplo. O cinema da dupla foca sempre em pessoas comuns que vivem situações complicadas envolvendo temas atuais. 

Aqui, o roteiro foca em duas questões principais: A exploração dos imigrantes no submundo das cidades européias e a dúvida dos jovens em escolher seguir a carreira que deseja ou almejar apenas o dinheiro. 

A protagonista vive este dilema ao conhecer os dois lados da carreira analisando em qual deles seu trabalho seria mais útil e também onde ela seria mais feliz. 

É interessante também ver um trabalho que praticamente não existe mais em nosso país, o do médico dedicado que atende com preço popular e interesse nos pacientes, além de ainda fazer visitas em casa. É algo simples que infelizmente se perdeu por aqui em troca do lucro fácil através de consultas caras e impessoais. 

Como informação, coadjuvantes como Jeremie Renier, Olivier Goumet e Fabrizio Rongione são parceiros habituais dos irmãos Dardenne.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Hora da Vingança & A Floresta Petrificada


A Hora da Vingança (Deadline – U.S.A., EUA, 1952) – Nota 8
Direção – Richard Brooks
Elenco – Humphrey Bogart, Ethel Barrymore, Kim Hunter, Ed Begley, Warren Stevens, Paul Stewart, Martin Gabel.

Ed Hutcheson (Humphrey Bogart) é o editor do jornal “New York Day”, conhecido por ser um veículo de notícias totalmente independente. A morte do proprietário e fundador do jornal coloca a sucessão da empresa nas mãos das duas filhas que desejam vendê-la para um concorrente e de sua viúva (Ethel Barrymore) que a princípio não se manifesta contra a venda. 

Sabendo que o comprador seria um concorrente alinhado a políticos e que o jornal perderia sua essência, Ed faz de tudo para tentar mudar a ideia das herdeiras, ao mesmo tempo em que investiga um mafioso (Martin Gabel) que teria assassinado sua amante para esconder o pagamento de suborno a um senador. 

Sessenta e cinco anos após ser produzido, o tema deste longa escrito e dirigido por Richard Brooks (“Os Profissionais”, “A Sangue Frio”) continua extremamente atual. A fusão de veículos de imprensa com o objetivo de criar um monopólio, pressionar e boicotar os profissionais que prezam a verdade utilizando até mesmo de violência e a família que se preocupa apenas com o dinheiro deixado pelo patriarca ignorando seu legado são situações atuais, além é claro da corrupção envolvendo políticos e autoridades. Hoje é cada vez mais difícil existirem profissionais como o corajoso protagonista vivido por Humphrey Bogart. 

É um belo filme sobre liberdade de imprensa.  

A Floresta Petrificada (The Petrified Forest, EUA, 1936) – Nota 6,5
Direção – Archie Mayo
Elenco – Leslie Howard, Bette Davis, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joe Sawyer, Porter Hall, Charley Grapewin, Paul Harvey.

Gabrielle (Bette Davis), seu pai Jason (Porter Hall) e seu avô (Charley Grapewin) são os donos de um pequeno restaurante de beira de estrada no meio do deserto de Nevada. A vida tranquila e isolada da família muda completamente em apenas um dia. A chegada de um escritor inglês (Leslie Howard) que viaja sem rumo desperta uma paixão em Gabrielle e posteriormente a “visita” de uma quadrilha de assaltantes liderada por Duke Mantee (Humphrey Bogart) transforma o local em alvo da polícia. 

Produzido há mais de oitenta anos, este longa mistura algumas situações ingênuas com diálogos afiados e um final explosivo. As atuações teatrais de Leslie Howard e Bette Davis podem incomodar um pouco, assim como a locação quase toda filmada com fundo falso. Por outro lado, vale destacar os personagens do avô falastrão vivido por Charley Grapewin e um Humphrey Bogart como vilão antes de se tornar astro. 

É um filme que vale como curiosidade para quem curte obras antigas.

sábado, 12 de agosto de 2017

The Fall

The Fall (The Fall, Inglaterra, 2013 a 2016)
Direção – Allan Cubitt
Elenco – Gillian Anderson, Jamie Dornan, John Lynch, Aisling Franciosi, Niamh McGrady, Bronagh Waugh, Stuart Graham, Colin Morgan, Archie Panjabi.

Em Belfast na Irlanda do Norte, duas mulheres na casa dos trinta anos são encontradas mortas por estrangulamento. A polícia inglesa envia a investigadora Stella Gibson (Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”) para cuidar do caso. As poucas pistas levam a acreditar que os crimes sejam obra de um meticuloso serial killer. 

Em paralelo, o roteiro detalha a vida e as obsessões do assassino. Paul Spector (Jamie Dornan) é casado, pai de um casal de filhos pequenos e trabalha como uma espécie de assistente social aconselhando pessoas. A investigação e alguns novos crimes resultam num verdadeiro jogo de gato e rato entre polícia e assassino. 

Esta competente série policial tem dezessete episódios de uma hora cada, divididos em três temporadas. O roteiro acerta em não esconder a identidade do assassino e principalmente por explorar sua obsessão em detalhes, assim como desenvolve também de forma correta a protagonista vivida por Gillian Anderson. Assim como o assassino, ela também é detalhista e obcecada em resolver o caso. Em várias sequências suas emoções vem à tona, deixando de lado a frieza que demonstra para os homens a sua volta. 

O desenvolvimento dos coadjuvantes também é competente, com destaque para o chefe de polícia (John Lynch), para a esposa do assassino (Bronagh Waugh) e para a adolescente rebelde que se apaixona pelo psicopata (Aisling Franciosi). Todos terão suas vidas marcadas para sempre em consequência dos crimes. 

A grande falha da série é a duração de uma hora para cada episódio. Muitas sequências como interrogatórios, depoimentos e discussões são longas, passando a impressão de que o roteiro precisava se estender para preencher o tempo programado. Isso termina cansando um pouco. 

Destaque também para o tenso e ao mesmo tempo melancólico episódio final.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Quase 18

Quase 18 (The Edge of Seventeen, EUA / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Kelly Fremon Craig
Elenco – Hailee Steinfeld, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Haley Lu Richardson, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keenleyside.

Ao completar dezessete anos, Nadine (Hailee Steinfeld) entra numa grande crise quando sua melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar com seu irmão Darian (Blake Jenner). 

Narrado pela protagonista, o longa mostra em flashbacks como desde criança Nadine teve dificuldades em conviver com o irmão e principalmente com a mãe (Kyra Sedgwick), fato que piorou após a morte do pai. Com esta introdução, o roteiro explora as crises e dificuldades enfrentadas por Nadine no dias atuais. 

Este simpático longa tem como destaques principais a atuação espontânea da jovem Hailee Steinfeld e o roteiro escrito pela diretora estreante Kelly Fremon Craig, que acerta no tom ao explorar as crises da adolescência de uma forma realista, sem apelar para piadas ofensivas ou personagens caricatos. 

Não chega a ser um alívio cômico, mas mesmo assim as pitadas engraçadas ficam a cargo de Woody Harrelson como o veterano professor de história. 

É um filme que mostra como uma história bem contada e personagens próximos da realidade são os pilares para um bom drama. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jolene & À Procura de Mr. Goodbar


Jolene (Jolene, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Dan Ireland
Elenco – Jessica Chastain, Dermot Mulroney, Frances Fisher, Theresa Russell, Rupert Friend, Zeb Newman, Chazz Palminteri, Denise Richards, Michael Vartan.

Este longa é baseado num livro de E. L. Doctorow, que acompanha uma verdadeira saga de vida da protagonista Jolene vivida com brilhantismo e ousadia por uma então desconhecida Jessica Chastain, que estreava no cinema após alguns trabalhos na tv.

A trama detalha a vida da orfã Jolene dos quinze aos vinte e cinco anos, passando por quatro cidades, vários relacionamentos, crises e tragédias. Por mais que algumas passagens sejam um pouco exageradas, o longa prende atenção pela fluidez da narrativa e pelas mudanças da protagonista. As roupas e as atitudes mudam em cada segmento, como se a difícil vida de orfã tivesse feito com que a jovem fosse obrigada a se adaptar as novas situações.

Um ponto interessante são as contradições nas atitudes de Jolene. Ela varia entre o frescor adolescente, a ingenuidade em algumas situações, se transforma em manipuladora em outras e sabe muito bem usar sua sexualidade para conquistar o que deseja. Esta complexa personalidade é o que dá vida ao filme.

À Procura de Mr. Goodbar (Looking for Mr. Goodbar, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Richard Brooks
Elenco – Diane Keaton, Tuesday Weld, William Atherton, Richard Gere, Richard Kiley, Alan Feinstein, Tom Berenger, Priscilla Pointer, Julius Harris, LeVar Burton.    

Theresa (Diane Keaton) é uma jovem estudante de pedagogia que se envolve com seu professor. Ele se torna o primeiro homem de sua vida. Ao se formar e iniciar sua carreira como professora, Theresa é dispensada pelo amante que é casado. A partir daí, ela decide sair de casa para morar sozinha e aproveitar a liberdade curtindo bares noturnos e relações com desconhecidos. 

Com cenas ousadas de sexo e nudez para a época, este longa tem como ponto principal mostrar de forma crua como as mulheres estavam aproveitando a liberdade sexual nos anos setenta. A protagonista explora esta situação com coragem, desejo e até mesmo de forma ingênua. Ela entra em conflito com o pai moralista, é confidente da irmã que sempre escolhe homens errados e ela mesma enfrenta amantes abusivos e mentirosos. 

Mesmo com uma narrativa datada, algumas cenas noturnas repetitivas e um final que pode ser considerado um castigo, o longa é ousado e retrata um novo mundo que a geração anterior tinha dificuldades em aceitar. É acima de tudo um filme marcante, mesmo com seus defeitos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos (The Most Hated Woman in America, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Tommy O’Haver
Elenco – Melissa Leo, Josh Lucas, Juno Temple, Michael Chernus, Brandon Mychal Smith, Adam Scott, Vicent Kartheiser, Rory Cochrane, Alex Frost, Sally Kirkland, Ryan Cutrona, José Zuñiga.

Texas, 1995. A ativista fundadora da organização dos “American Atheists” Madalyn Murray O’Hair (Melissa Leo), seu filho Garth (Michael Chernus) e a neta Robin (Juno Temple) são vítimas de sequestro. 

Conhecida e odiada por sua luta contra as imposições das religiões, seu desaparecimento é tratado com desprezo pela polícia e pela imprensa, que acreditam ser uma jogada de marketing da mulher. 

Apenas um funcionário da sua organização (Brandon Mychal Smith) luta para provar que a família foi sequestrada, nem mesmo Bill (Vincent Kartheiser), filho mais velho de Madalyn que havia se afastado da família acredita na história. 

Baseado numa bizarra história real, este longa se divide em duas narrativas. A principal se passa em 1995 focando no sequestro e a segunda em flashbacks que seguem dos anos sessenta quando Madalyn começou sua luta, até os anos noventa. 

São muitos detalhes e situações que foram condensados em apenas uma hora e meia. Vários fatos vem à tona sem grandes explicações, a narrativa parece correr para fechar a trama em um tempo pré-determinado. O filme não chega a ser ruim, mas fica claro que faltou um roteiro melhor detalhado para a complexa história. 

Determinada, manipuladora e com uma personalidade forte, a protagonista era uma mulher que vivia entre polêmicas e contradições, criando uma oportunidade para Melissa Leo entregar uma ótima interpretação. 

Finalizando, o filme é uma produção da Netflix.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Acordo & Rápida Vingança


O Acordo (Snitch, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2013) – Nota 7
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Dwayne Johnson, Barry Pepper, Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael Kenneth Williams, Rafi Gavron, Melina Kanakaredes, Benjamin Brett, Lela Loren, David Harbour, Harold Perrineau.

Para ajudar um amigo, o jovem Jason (Rafi Gavron) recebe em casa um pacote com muitos comprimidos de ecstasy e termina preso por agentes federais. A única chance de Jason diminuir sua pena é ajudar os agentes e a promotora (Susan Sarandon) a prender algum outro traficante, ou seja, repetir o que o amigo fez com ele. Jason se nega a fazer o acordo. Para tentar cumprir o acordo no lugar do filho, seu pai John (Dwayne Johnson) decide se infiltrar em uma quadrilha de traficantes e ajudar os agentes a realizarem uma grande prisão.

Inspirado em uma história real, este longa surpreende por causa do roteiro bem amarrado, da boa narrativa e até pela atuação de Dwayne Johnson, que aqui interpreta um sujeito comum, diferente dos brutamontes violentos que está acostumado a viver. Lógico que o filme tem algumas boas cenas de ação e violência, com destaque para a perseguição na estrada entre um caminhão e vários carros. O filme ainda tem bons coadjuvantes, como o ex-detento que auxilia o protagonista vivido por Jon Bernthal e o sempre assustador Michael Kenneth Williams novamente interpretando um traficante.

Para quem gosta do gênero, o longa é uma boa opção.

Rápida Vingança (Faster, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – George Tillman Jr
Elenco – Dwayne Johnson, Billy Bob Thornton, Oliver Jackson Cohen, Carla Gugino, Maggie Grace, Adewale Akinnuoye Agbaje, Matt Gerald, Moon Bloodgood, Courtney Gains, Mike Epps, Tom Berenger, Xander Berkeley, John Cirigliano.

Após cumprir pena por assalto, um sujeito (Dwayne Johnson) sai da cadeia em busca de vingança pela morte do irmão. Ele tem uma lista com quatro nomes para serem eliminados. Após assassinar o primeiro da lista, um matador profissional (Oliver Jackson Cohen) é contratado por um desconhecido para eliminar o ex-presidiário. O terceiro elo da trama segue um policial viciado em drogas (Billy Bob Thorton) e sua parceira (Carla Gugino) que são encarregados de investigar o primeiro assassinato. 

O roteiro explora a clássica trama de vingança através de uma roupagem moderna, com sequências estilosas em câmera lenta e ângulos inusitados, além de guardar um segredo para o final, mesmo não sendo tão surpreendente assim. Por outro lado, o filme tem uma narrativa irregular e vários furos no roteiro. O romance entre o matador de aluguel e a bela Maggie Grace também parece algo deslocado do resto da trama. 

É uma diversão passageira, razoável e esquecível.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Homem das Mil Caras

O Homem das Mil Caras (El Hombre de Las Mil Caras, Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Alberto Rodriguez
Elenco – José Coronado, Eduard Fernandez, Carlos Santos, Marta Etura, Christian Stamm, Emilio Gutierrez Caba.

No final dos anos oitenta, Francisco “Paco” Paesa (Eduard Fernandez) comandou uma investigação que desmantelou parte do grupo terrorista basco ETA. Mesmo assim, pouco tempo depois, Paco foi tratado com desprezo pelo governo espanhol. 

A chance de vingança surge quando um político chamado Luis Roldan (Carlos Santos) se vê envolvido em um grande caso de corrupção. Roldan contrata os serviços de Paco para fugir do país junto com a esposa (Marta Etura) e lavar seu dinheiro sujo. É o início de uma rocambolesca história real que transformou Roldan no espanhol mais procurado do mundo na época. 

A trama é narrada em off pelo personagem de Jesus Camões (José Coronado), um piloto de avião que era parceiro de Paco e que utilizava sua facilidade em viajar pelo mundo para auxiliar o amigo a esconder o foragido Roldan. 

O diretor Alberto Rodriguez é responsável por dois outros ótimos filmes espanhóis. O violento “Grupo7” e o também complexo “Pecados Antigos, Longas Sombras”. O talento do diretor em envolver o espectador através de uma narrativa fluente sem apelar para a ação é o grande trunfo deste trabalho. Ele aproveita imagens de telejornais verdadeiros da época da fuga de Roldan para mostrar como a imprensa e as autoridades espanholas estavam perdidas, enquanto o inteligente Paco armava um verdadeiro jogo de xadrez para manter o “cliente” a salvo. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma ótima opção.

domingo, 6 de agosto de 2017

Charada

Charada (Charade, EUA, 1963) – Nota 6,5
Direção – Stanley Donen
Elenco – Cary Grant, Audrey Hepburn, Walter Matthau, James Coburn, George Kennedy, Ned Glass, Dominique Minot.

Ao voltar para Paris após férias nos Alpes Suíços, Regina Lampert (Audrey Hepburn) se surpreende ao ser informada que seu marido foi assassinado. A surpresa não é tanto pela perda do marido, a quem ela pensava em pedir o divórcio, mas por descobrir que ele tinha em mãos 250 mil dólares que desapareceram. 

No velório, Regina é abordada por três estranhos (James Coburn, George Kennedy e Ned Glass) que estão à procura do dinheiro. Ela termina por pedir ajuda a um novo flerte, o americano Peter Joshua (Cary Grant), além de ser abordada também por um agente da CIA (Walter Matthau). 

Por mais que a história cheia de mistérios e algumas mortes lembre as obras de Hitchcock, o longa perde pontos pela insistência do roteiro em inserir diálogos engraçadinhos e cenas de humor. O filme intercala sequências românticas bobas, como Cary Grant tomando banho de roupa, com uma interessante perseguição pela estação de metrô. Esta mistura não convence. Vale destacar a trilha sonora de Henry Mancini, a produção caprichada e o elenco. 

Compreendo que muitos críticos adorem o filme, principalmente por ter a cara do cinema clássico dos anos sessenta, mas para em meu gosto o resultado é apenas razoável.

sábado, 5 de agosto de 2017

O Sétimo Continente

O Sétimo Continente (Der Siebente Kontinent, Áustria, 1989) – Nota 6
Direção – Michael Haneke
Elenco – Birgit Doll, Dieter Berner, Leni Tanzer.

Georg (Dieter Berner) é engenheiro e sua esposa Anna (Birgit Doll) oftalmologista. Junto com a filha pequena Evi (Leni Tanzer), eles aparentam ser a família perfeita. 

Os primeiros vinte minutos mostram a rotina familiar. No que seria o segundo ato, o espectador começa a presenciar os pequenos problemas e algumas atitudes estranhas de cada integrante da família. 

Georg se aproveita de um problema do chefe idoso e acaba sendo promovido, mas em momento algum demonstra felicidade. Anna também parece sofrer sem especificar o porquê. A situação fica mais complicada quando Evi finge na escola estar cega, como se enviasse uma mensagem para a falta de atenção dos pais. 

O terceiro ato foca na aparente decisão dos pais em se mudar para Austrália, quando na realidade é o início da decadência final da família. 

O diretor austríaco Michael Haneke estreou nos cinemas com este longa perturbador. Vale citar que ele tinha vários trabalhos anteriores para tv. Por mais que a crítica adore o filme e história seja cruel, a narrativa extremamente lenta prejudica bastante o resultado. 

O roteiro de Haneke faz uma crítica à vida moderna, em que muitas pessoas mesmo tendo um bom trabalho e uma família estruturada, sofrem por um vazio existencial quase impossível de ser preenchido. A forma como Haneke  aborda a situação é extremista. 

Vale citar com certo destaque as cartas que o casal escreve para os pais do marido tentando explicar como eles se sentem. 

Mesmo entendendo e até gostando do estilo cru do diretor, este primeiro trabalho por mais que seja impactante como história, termina sendo arrastado como cinema. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um Divã Para Dois & Kinsey


Um Divã Para Dois (Hope Springs, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – David Frankel
Elenco – Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Jean Smart, Becky Ann Baker, Elisabeth Shue, Mimi Rogers.

Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) estão casados há trinta e um anos. Os filhos saíram de casa e eles levam uma aparente vida tranquila, até que Kay começa a questionar a falta de interesse do marido, tanto em conversar, como no apetite sexual. Ela praticamente obriga Arnold a tirar uma semana de férias e viajar para a pequena Hope Springs, local onde o famoso terapeuta Dr. Feld (Steve Carell) atende casais em crise. As sessões com o doutor revelam frustrações dos dois lados, colocando o casamento em perigo.

A proposta do roteiro em desnudar uma relação desgastada pelo tempo de convivência é interessante. Com certeza, muitos casais verão nos protagonistas reflexos de suas próprias vidas. Vários diálogos durante as sessões abordam os problemas sexuais do casal de forma crua.

Ao mesmo tempo que a proposta é boa, o filme peca por ser um pouco cansativo e previsível, inclusive na escolha do final. O personagem de Steve Carell também se mostra comum demais. Suas abordagens com o casal são básicas, com opiniões que qualquer pessoa poderia dar. É um filme indicado para quem gosta de discussões sobre relacionamentos.&nbsp

Kinsey – Vamos Falar de Sexo (Kinsey, EUA / Alemanha, 2004) – Nota 7
Direção – Bill Condon
Elenco – Liam Neeson, Laura Linney, Chris O’Donnell, Peter Sarsgaard, Timothy Hutton, John Lithgow, Tim Curry, Oliver Platt, Dylan Baker, William Sadler, Julianne Nicholson, Veronica Cartwright, John McMartin.

Criado em uma família religiosa com um pai que era pastor (John Lithgow), o tímido Alfred Kinsey (Liam Neeson) passa a ser interessar pelo estudo do sexo ao conhecer sua futura esposa Clara (Laura Linney) na universidade durante os anos quarenta. Sua curiosidade o leva a coletar dados de pessoas sobre todo o tipo de atividade sexual, resultando no controverso livro "Sexual Behavior in the Human Male" lançado em 1948.

O roteiro escrito pelo diretor Bill Condon detalha a vida do polêmico Alfred Kinsey, que para muitos foi considerado um sujeito corajoso que abriu a discussão para um assunto que era tabu, enquanto outros o viam como um charlatão que falsificou dados e que teria utilizado a pesquisa para encobrir a realização de seus desejos sexuais. Seus detratores o acusaram até mesmo de pedofilia, pois os dados das pesquisas citavam também experiências com adolescentes.&nbsp

O filme fica em cima do muro. Kinsey é descrito como um sujeito estranho, que não demonstra suas emoções e que trata o sexo como algo banal, encorajando seus pupilos e assistentes a experimentarem novidades e depois coletarem seus dados. O próprio Kinsey se fez de cobaia, inclusive em uma relação homossexual. As interpretações sóbrias de Liam Neeson e Laura Linney são os destaques do elenco. É um filme interessante, mesmo não mostrando toda a verdade sobre a vida de Kinsey. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Círculo

O Círculo (The Circle, Emirados Árabes Unidos / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillan, John Boyega, Ellar Coltrane, Bill Paxton, Glenne Headly, Patton Oswalt.

A jovem Mae (Emma Watson) fica eufórica quando sua amiga Annie (Karen Gillan) consegue para ela uma entrevista na maior empresa de tecnologia do mundo chamada The Circle. Mae é aprovada e começa a trabalhar no setor de atendimento. 

Ela se surpreende com a grandiosidade da empresa, com a importância que os colaboradores dão para o relacionamento interpessoal, para o interesse de algumas pessoas em ajudar seu pai (Bill Paxton) que sofre com um doença degenerativa e pelo carisma do fundador Eamon Bailey (Tom Hanks). Ao mesmo tempo em que Mae percebe que os produtos da empresa visam um domínio global, ela se deixa levar pelo ego e pelas vantagens pessoais. 

O roteiro escrito pelo diretor James Ponsoldt apresenta uma premissa interessantíssima. A crítica as grandes empresas de tecnologia (Google e Facebook principalmente) que visam um controle exagerado das informações é extremamente atual, porém o problema é que o roteiro se perde à partir do momento em que se transforma numa espécie de Big Brother. Surgem as alfinetadas contra os patrulheiros virtuais, o perigo da exposição exagerada e outras situações relacionadas ao assunto, mas sem qualquer tipo de aprofundamento. 

Voltando a primeira parte do longa, um ponto extremamente bem pensado é a forma como a protagonista é tratada assim que começa a trabalhar. Quem trabalha ou trabalhou em uma grande empresa com certeza presenciou ou até sentiu na pele a pressão exercida para “fazer parte do time”, muitas vezes disfarçada de sorrisos e palavras de apoio, quando na verdade o objetivo é “domar” o colaborador, evitando qualquer tipo de questionamento ou rebeldia. 

O elenco não se destaca. A bela Emma Watson não chega a comprometer, mas não também não brilha, enquanto Tom Hanks parece apenas se divertir enquanto espera receber o cachê pelo trabalho. 

Finalizando, se nossas urnas eletrônicas são merecidamente questionadas, imagine se algum dia nosso voto fosse computado direto pelo perfil do Facebook ou do Google? En determinado momento o roteiro coloca a possibilidade em discussão, fato que parece absurdo, mas que não é impossível ocorrer no futuro.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Cura

A Cura (A Cure for Wellness, EUA / Alemanha, 2016) – Nota 6,5
Direção – Gore Verbinski
Elenco – Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Ivo Nandi, Adrian Schiller, Celia Imrie.

Após ser promovido em uma grande empresa de investimentos, Lockhart (Dane DeHaan) é chamado pelos conselheiros e recebe um misto de proposta e chantagem.

Descobriram que ele fraudou investimentos, porém ao invés de denunciá-lo para polícia, eles oferecem uma saída diferente e aparentemente bem menos traumática. 

Lockhart precisará buscar o CEO da empresa que foi passar algum tempo em uma espécie de SPA nos Alpes Suíços e decidiu abandonar o cargo. O conselho precisa da assinatura do homem para confirmar uma fusão. 

Acreditando ser uma missão simples, Lockhart segue até o local, um enorme castelo medieval onde pessoas ricas se hospedam com o objetivo de se “curar” da vida louca da cidade. Não demora para o jovem descobrir que existe algo sinistro naquele local e que será extremamente difícil sair de lá. 

O longa tem algumas semelhanças na locação e no clima com o muito superior “Ilha do Medo” de Martin Scorsese, inclusive com o protagonista Dane DeHaan lembrando um pouco o astro Leonardo DiCaprio. 

Infelizmente as semelhanças ficam por aí. A longa duração (quase duas horas e meia) deixa o filme cansativo e esconde uma trama previsível. As atuações também não são das melhores, inclusive com coadjuvantes que são abandonados no meio da trama. 

Por outro lado, o filme ganha pontos pela produção caprichada e as belas locações. O castelo onde se passa quase toda a história é sensacional. 

É um longa que ficou abaixo do esperado.  

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Terra Tranquila

Terra Tranquila (The Quiet Earth, Nova Zelândia, 1985) – Nota 6
Direção – Geoff Murphy
Elenco – Bruno Lawrence, Alison Routledge, Pete Smith, Anzac Wallace.

Ao acordar em um dia qualquer, o cientista Zac Hobson (Bruno Lawrence) descobre que está sozinho no mundo. Ele segue até seu local de trabalho, um observatório onde era desenvolvido um projeto secreto. 

Sem saber se o projeto foi a causa da catástrofe e o porquê dele estar vivo, Zac decide aproveitar o mundo como se fosse seu parque de diversões particular. Após encontrar uma sobrevivente (Alison Routledge) e outro sujeito também vivo (Pete Smith), Zac começa a questionar se vale a pena viver no mundo que restou. 

Tratado como cult por muitos cinéfilos, este longa neozelandês explora a premissa dos clássicos B “Mortos Que Matam” e “A Última Esperança da Terra”, incluindo questionamentos filósoficos, principalmente colocando na mesa a discussão sobre a necessidade do homem em se relacionar com outras pessoas. 

Infelizmente o filme é cansativo. A primeira parte enquanto o personagem visita o observatório é interessante e cria até um certo suspense. O filme se torna bizarro quando o protagonista começa a explorar a cidade e se perde totalmente na parte final quando o roteiro se volta para a loucura. 

A obra abriu as portas de Hollywood para o diretor Geoff Murphy, que teria sucesso apenas em seu primeiro trabalho americano, o western “Jovem Demais Para Morrer”. 

No final, fica claro que a fama de cult é maior do que a qualidade do longa.