sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mia Madre

Mia Madre (Mia Madre, Itália / França / Alemanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – Nanni Moretti
Elenco – Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti, Beatrice Mancini.

Margherita (Margherita Buy) é uma cineasta famosa trabalhando em seu novo filme e tendo de lidar com um excêntrico ator americano (John Turturro) que se enrola todo para falar em italiano. Seu irmão Giovanni (Nanni Moretti) é um engenheiro que aparenta não estar feliz com a carreira. 

Os dois reavaliam as próprias vidas ao terem de lidar com a doença da mãe (Giulia Lazzarini), uma professora inteligente, adorada pelos ex-alunos, mas que a cada dia fica mais próxima da morte. 

O diretor, produtor e roteirista Nanni Moretti é especialista em dramas sobre pessoas comuns e perdas. Em filmes como “Caos Calmo”, onde ele apenas é o roteirista e em “O Quarto do Filho”, a dor pela perda é o ponto principal. Aqui, o sentimento dos irmãos é pela iminente perda, focando no sofrimento das pessoas que convivem com familiares que tem pouco tempo de vida. 

O roteiro explora a ainda as frustrações pessoais, principalmente da personagem de Margherita Buy, que não consegue manter um relacionamento. 

É um filme sensível que atinge principalmente quem já passou pela situação de perder um pai ou um mãe. Ver um familiar sofrer é tão difícil quanto aceitar a partida do mesmo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Splice - A Nova Espécie & A Experiência


Splice – A Nova Espécie (Splice, Canadá / França / EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chaneac, Brandon McGibbon, David Hewlett, Simona Maicanescu, Abigail Chu.

Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) são um casal de cientistas que conseguiram desenvolver em laboratório uma nova criatura a partir da mistura de células de diversos animais. A corporação que financia o projeto espera conseguir uma nova proteína para alimentar gado, enquanto o sonho do casal é testar células humanas no experimento. Mesmo proibidos pela empresa, eles decidem seguir o projeto em paralelo e conseguem um aparente sucesso. Uma estranho bebê é gerado, dando início a uma série de consequências inesperadas e bizarras.

O diretor Vincenzo Natali é especialista em filmes B de ficção. Seu melhor trabalho é o ótimo “Cubo”. Aqui, a trama lembra os longas de ficção dos anos cinquenta, em que experimentos bizarros resultam em criaturas que fogem ao controle dos cientistas. O roteiro explora a discussão sobre até que ponto a ciência pode chegar e por incrível que pareça, discute ainda a questão de ter ou não filhos. As cenas de suspense e os efeitos da criatura são competentes. O filme perde pontos pela narrativa irregular e por alguns furos no roteiro.

Indicado para quem curte o gênero.

A Experiência (Species, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Ben Kingsley, Michael Madsen, Forest Whitaker, Alfred Molina, Marg Helgenberger, Natasha Henstridge, Michelle Williams.

Um centro de observação espacial recebe uma mensagem desconhecida do que seria um código genético alienígena. Acreditando ser algo útil para o avanço da ciência, o governo americano financia um projeto para criar um ser híbrido. O cientista Xavier Fitch (Ben Knigsley) consegue sucesso no projeto, resultado em uma garotinha (Michelle Williams). 

Ao perceber que existe algo de errado com a criação, eles tentaram neutralizar a criatura, que foge em busca de um parceiro para acasalar. Ela consegue “tomar” o corpo de uma bela mulher (Natasha Henstridge) e se torna uma ameaça para o governo, que envia um grupo liderado pelo mercenário Preston Lennox (Michael Madesen) para caçar a criatura. Junto com Preston seguem um cientista (Alfred Molina), um sensitivo (Forest Whitaker) e uma bióloga (Marg Helgenberger). 

Mesmo com falhas no roteiro, alguns absurdos e uma história clichê semelhante a uma caçada a um serial killer, esta mistura de ficção e terror fez sucesso na época, principalmente no mercado de dvd. Além de clichê, a trama é basicamente de um filme B disfarçada pelos efeitos especiais que hoje parecem envelhecidos, mas que na época eram de primeiro linha, inclusive a criatura desenvolvida pelo famoso H. R. Giger, criador da sinistra ameaça de “Alien – O Oitavo Passageiro”. Vale destacar a beleza e a nudez de Natasha Henstridge e o elenco recheado de rostos conhecidos, inclusive uma ainda adolescente Michelle Williams. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Toda Prova

A Toda Prova (Haywire, Irlanda / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Angarano, Bill Paxton, Mathieu Kassovitz.

Mallory Kane (a lutadora de MMA Gina Carano) é uma ex-agente de operações especiais do governo que trabalha para uma empresa privada de segurança internacional. 

Uma missão para resgatar um dissidente chinês termina em traição e Mallory escapa por pouco de ser assassinada. A partir daí, ela precisa descobrir quem planejou sua morte. 

A aparente complexidade do roteiro esconde uma previsível trama de vingança. Os personagens também são mal desenvolvidos e a protagonista Gina Carano se destaca apenas pela beleza e a destreza nas cenas de lutas, que por sinal são o melhor do filme. 

A estranha trilha sonora que parece ter saído direto de algum filme de baixo orçamento dos anos setenta é outra coisa que incomoda. 

Levando em conta também os coadjuvantes famosos e a direção de Steven Soderbergh, o filme fica abaixo do esperado.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Espaço Entre Nós

O Espaço Entre Nós (The Space Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Peter Chelsom
Elenco – Asa Butterfield, Gary Oldman, Carla Gugino, Britt Robertson, Janet Montgomery.

A primeira expedição em direção a Marte parte com cinco astronautas homens e uma mulher (Janet Montgomery). Para surpresa geral, a mulher descobre que está grávida durante a viagem. Ela dá luz chegando na colônia em Marte, mas acaba falecendo. O fato abala o cientista responsável pela viagem (Gary Oldman), mesmo com ele tendo ficado na Terra. Ele decide esconder a história da imprensa e abandona o trabalho em seguida. 

Dezesseis anos depois, o adolescente Gardner (Asa Butterfield) continua vivendo na colônia em Marte, mas sonha em voltar para Terra e encontrar seu pai, sujeito que ele conhece apenas por uma foto e sequer sabe o nome. Ao mesmo tempo, Gardner conversa por uma espécie de internet espacial com a jovem Tulsa (Britt Robertson), que vive em Oklahoma com o pai beberrão. 

Esta ficção é mais um exemplo de uma boa premissa desperdiçada. A questão das implicações de marketing sobre a imagem da Nasa e também de saúde para manter o jovem em Marte são interessantes, mas infelizmente o filme se perde completamente quando o protagonista viaja para Terra. São situações absurdas e grandes furos no roteiro, lembrando o estilo de muitas aventuras adolescentes dos anos oitenta, em que a única preocupação era a correria. O roteiro ainda guarda uma surpresa que o cinéfilo mais atento descobrirá logo no início do filme. 

É uma pena, além da premissa, o longa desperdiça também a ótima produção e o bom elenco.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Garota Desconhecida

A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue, Bélgica / França, 2016) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minella, Olivier Goumert, Fabrizio Rongione.

Jenny Davin (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a trocar o pequeno consultório na periferia de Liege na Bélgica, por um trabalho em uma clínica que atende a classe alta. 

Poucos dias antes da mudança, Jenny não atende uma pessoa que toca a campainha após o consultório estar fechado. No dia seguinte, a polícia a procura informando que uma jovem desconhecida morreu próximo ao local, provavelmente assassinada. Abalada por acreditar que teria salvo a vida da mulher se a atendesse, Jenny decide investigar para tentar descobrir a identidade da vítima. 

Os irmãos Dardenne são cineastas autorais como Michael Haneke e Gaspar Noé por exemplo. O cinema da dupla foca sempre em pessoas comuns que vivem situações complicadas envolvendo temas atuais. 

Aqui, o roteiro foca em duas questões principais: A exploração dos imigrantes no submundo das cidades européias e a dúvida dos jovens em escolher seguir a carreira que deseja ou almejar apenas o dinheiro. 

A protagonista vive este dilema ao conhecer os dois lados da carreira analisando em qual deles seu trabalho seria mais útil e também onde ela seria mais feliz. 

É interessante também ver um trabalho que praticamente não existe mais em nosso país, o do médico dedicado que atende com preço popular e interesse nos pacientes, além de ainda fazer visitas em casa. É algo simples que infelizmente se perdeu por aqui em troca do lucro fácil através de consultas caras e impessoais. 

Como informação, coadjuvantes como Jeremie Renier, Olivier Goumet e Fabrizio Rongione são parceiros habituais dos irmãos Dardenne.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Hora da Vingança & A Floresta Petrificada


A Hora da Vingança (Deadline – U.S.A., EUA, 1952) – Nota 8
Direção – Richard Brooks
Elenco – Humphrey Bogart, Ethel Barrymore, Kim Hunter, Ed Begley, Warren Stevens, Paul Stewart, Martin Gabel.

Ed Hutcheson (Humphrey Bogart) é o editor do jornal “New York Day”, conhecido por ser um veículo de notícias totalmente independente. A morte do proprietário e fundador do jornal coloca a sucessão da empresa nas mãos das duas filhas que desejam vendê-la para um concorrente e de sua viúva (Ethel Barrymore) que a princípio não se manifesta contra a venda. 

Sabendo que o comprador seria um concorrente alinhado a políticos e que o jornal perderia sua essência, Ed faz de tudo para tentar mudar a ideia das herdeiras, ao mesmo tempo em que investiga um mafioso (Martin Gabel) que teria assassinado sua amante para esconder o pagamento de suborno a um senador. 

Sessenta e cinco anos após ser produzido, o tema deste longa escrito e dirigido por Richard Brooks (“Os Profissionais”, “A Sangue Frio”) continua extremamente atual. A fusão de veículos de imprensa com o objetivo de criar um monopólio, pressionar e boicotar os profissionais que prezam a verdade utilizando até mesmo de violência e a família que se preocupa apenas com o dinheiro deixado pelo patriarca ignorando seu legado são situações atuais, além é claro da corrupção envolvendo políticos e autoridades. Hoje é cada vez mais difícil existirem profissionais como o corajoso protagonista vivido por Humphrey Bogart. 

É um belo filme sobre liberdade de imprensa.  

A Floresta Petrificada (The Petrified Forest, EUA, 1936) – Nota 6,5
Direção – Archie Mayo
Elenco – Leslie Howard, Bette Davis, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joe Sawyer, Porter Hall, Charley Grapewin, Paul Harvey.

Gabrielle (Bette Davis), seu pai Jason (Porter Hall) e seu avô (Charley Grapewin) são os donos de um pequeno restaurante de beira de estrada no meio do deserto de Nevada. A vida tranquila e isolada da família muda completamente em apenas um dia. A chegada de um escritor inglês (Leslie Howard) que viaja sem rumo desperta uma paixão em Gabrielle e posteriormente a “visita” de uma quadrilha de assaltantes liderada por Duke Mantee (Humphrey Bogart) transforma o local em alvo da polícia. 

Produzido há mais de oitenta anos, este longa mistura algumas situações ingênuas com diálogos afiados e um final explosivo. As atuações teatrais de Leslie Howard e Bette Davis podem incomodar um pouco, assim como a locação quase toda filmada com fundo falso. Por outro lado, vale destacar os personagens do avô falastrão vivido por Charley Grapewin e um Humphrey Bogart como vilão antes de se tornar astro. 

É um filme que vale como curiosidade para quem curte obras antigas.

sábado, 12 de agosto de 2017

The Fall

The Fall (The Fall, Inglaterra, 2013 a 2016)
Direção – Allan Cubitt
Elenco – Gillian Anderson, Jamie Dornan, John Lynch, Aisling Franciosi, Niamh McGrady, Bronagh Waugh, Stuart Graham, Colin Morgan, Archie Panjabi.

Em Belfast na Irlanda do Norte, duas mulheres na casa dos trinta anos são encontradas mortas por estrangulamento. A polícia inglesa envia a investigadora Stella Gibson (Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”) para cuidar do caso. As poucas pistas levam a acreditar que os crimes sejam obra de um meticuloso serial killer. 

Em paralelo, o roteiro detalha a vida e as obsessões do assassino. Paul Spector (Jamie Dornan) é casado, pai de um casal de filhos pequenos e trabalha como uma espécie de assistente social aconselhando pessoas. A investigação e alguns novos crimes resultam num verdadeiro jogo de gato e rato entre polícia e assassino. 

Esta competente série policial tem dezessete episódios de uma hora cada, divididos em três temporadas. O roteiro acerta em não esconder a identidade do assassino e principalmente por explorar sua obsessão em detalhes, assim como desenvolve também de forma correta a protagonista vivida por Gillian Anderson. Assim como o assassino, ela também é detalhista e obcecada em resolver o caso. Em várias sequências suas emoções vem à tona, deixando de lado a frieza que demonstra para os homens a sua volta. 

O desenvolvimento dos coadjuvantes também é competente, com destaque para o chefe de polícia (John Lynch), para a esposa do assassino (Bronagh Waugh) e para a adolescente rebelde que se apaixona pelo psicopata (Aisling Franciosi). Todos terão suas vidas marcadas para sempre em consequência dos crimes. 

A grande falha da série é a duração de uma hora para cada episódio. Muitas sequências como interrogatórios, depoimentos e discussões são longas, passando a impressão de que o roteiro precisava se estender para preencher o tempo programado. Isso termina cansando um pouco. 

Destaque também para o tenso e ao mesmo tempo melancólico episódio final.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Quase 18

Quase 18 (The Edge of Seventeen, EUA / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Kelly Fremon Craig
Elenco – Hailee Steinfeld, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Haley Lu Richardson, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keenleyside.

Ao completar dezessete anos, Nadine (Hailee Steinfeld) entra numa grande crise quando sua melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar com seu irmão Darian (Blake Jenner). 

Narrado pela protagonista, o longa mostra em flashbacks como desde criança Nadine teve dificuldades em conviver com o irmão e principalmente com a mãe (Kyra Sedgwick), fato que piorou após a morte do pai. Com esta introdução, o roteiro explora as crises e dificuldades enfrentadas por Nadine no dias atuais. 

Este simpático longa tem como destaques principais a atuação espontânea da jovem Hailee Steinfeld e o roteiro escrito pela diretora estreante Kelly Fremon Craig, que acerta no tom ao explorar as crises da adolescência de uma forma realista, sem apelar para piadas ofensivas ou personagens caricatos. 

Não chega a ser um alívio cômico, mas mesmo assim as pitadas engraçadas ficam a cargo de Woody Harrelson como o veterano professor de história. 

É um filme que mostra como uma história bem contada e personagens próximos da realidade são os pilares para um bom drama. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jolene & À Procura de Mr. Goodbar


Jolene (Jolene, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Dan Ireland
Elenco – Jessica Chastain, Dermot Mulroney, Frances Fisher, Theresa Russell, Rupert Friend, Zeb Newman, Chazz Palminteri, Denise Richards, Michael Vartan.

Este longa é baseado num livro de E. L. Doctorow, que acompanha uma verdadeira saga de vida da protagonista Jolene vivida com brilhantismo e ousadia por uma então desconhecida Jessica Chastain, que estreava no cinema após alguns trabalhos na tv.

A trama detalha a vida da orfã Jolene dos quinze aos vinte e cinco anos, passando por quatro cidades, vários relacionamentos, crises e tragédias. Por mais que algumas passagens sejam um pouco exageradas, o longa prende atenção pela fluidez da narrativa e pelas mudanças da protagonista. As roupas e as atitudes mudam em cada segmento, como se a difícil vida de orfã tivesse feito com que a jovem fosse obrigada a se adaptar as novas situações.

Um ponto interessante são as contradições nas atitudes de Jolene. Ela varia entre o frescor adolescente, a ingenuidade em algumas situações, se transforma em manipuladora em outras e sabe muito bem usar sua sexualidade para conquistar o que deseja. Esta complexa personalidade é o que dá vida ao filme.

À Procura de Mr. Goodbar (Looking for Mr. Goodbar, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Richard Brooks
Elenco – Diane Keaton, Tuesday Weld, William Atherton, Richard Gere, Richard Kiley, Alan Feinstein, Tom Berenger, Priscilla Pointer, Julius Harris, LeVar Burton.    

Theresa (Diane Keaton) é uma jovem estudante de pedagogia que se envolve com seu professor. Ele se torna o primeiro homem de sua vida. Ao se formar e iniciar sua carreira como professora, Theresa é dispensada pelo amante que é casado. A partir daí, ela decide sair de casa para morar sozinha e aproveitar a liberdade curtindo bares noturnos e relações com desconhecidos. 

Com cenas ousadas de sexo e nudez para a época, este longa tem como ponto principal mostrar de forma crua como as mulheres estavam aproveitando a liberdade sexual nos anos setenta. A protagonista explora esta situação com coragem, desejo e até mesmo de forma ingênua. Ela entra em conflito com o pai moralista, é confidente da irmã que sempre escolhe homens errados e ela mesma enfrenta amantes abusivos e mentirosos. 

Mesmo com uma narrativa datada, algumas cenas noturnas repetitivas e um final que pode ser considerado um castigo, o longa é ousado e retrata um novo mundo que a geração anterior tinha dificuldades em aceitar. É acima de tudo um filme marcante, mesmo com seus defeitos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos (The Most Hated Woman in America, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Tommy O’Haver
Elenco – Melissa Leo, Josh Lucas, Juno Temple, Michael Chernus, Brandon Mychal Smith, Adam Scott, Vicent Kartheiser, Rory Cochrane, Alex Frost, Sally Kirkland, Ryan Cutrona, José Zuñiga.

Texas, 1995. A ativista fundadora da organização dos “American Atheists” Madalyn Murray O’Hair (Melissa Leo), seu filho Garth (Michael Chernus) e a neta Robin (Juno Temple) são vítimas de sequestro. 

Conhecida e odiada por sua luta contra as imposições das religiões, seu desaparecimento é tratado com desprezo pela polícia e pela imprensa, que acreditam ser uma jogada de marketing da mulher. 

Apenas um funcionário da sua organização (Brandon Mychal Smith) luta para provar que a família foi sequestrada, nem mesmo Bill (Vincent Kartheiser), filho mais velho de Madalyn que havia se afastado da família acredita na história. 

Baseado numa bizarra história real, este longa se divide em duas narrativas. A principal se passa em 1995 focando no sequestro e a segunda em flashbacks que seguem dos anos sessenta quando Madalyn começou sua luta, até os anos noventa. 

São muitos detalhes e situações que foram condensados em apenas uma hora e meia. Vários fatos vem à tona sem grandes explicações, a narrativa parece correr para fechar a trama em um tempo pré-determinado. O filme não chega a ser ruim, mas fica claro que faltou um roteiro melhor detalhado para a complexa história. 

Determinada, manipuladora e com uma personalidade forte, a protagonista era uma mulher que vivia entre polêmicas e contradições, criando uma oportunidade para Melissa Leo entregar uma ótima interpretação. 

Finalizando, o filme é uma produção da Netflix.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Acordo & Rápida Vingança


O Acordo (Snitch, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2013) – Nota 7
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Dwayne Johnson, Barry Pepper, Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael Kenneth Williams, Rafi Gavron, Melina Kanakaredes, Benjamin Brett, Lela Loren, David Harbour, Harold Perrineau.

Para ajudar um amigo, o jovem Jason (Rafi Gavron) recebe em casa um pacote com muitos comprimidos de ecstasy e termina preso por agentes federais. A única chance de Jason diminuir sua pena é ajudar os agentes e a promotora (Susan Sarandon) a prender algum outro traficante, ou seja, repetir o que o amigo fez com ele. Jason se nega a fazer o acordo. Para tentar cumprir o acordo no lugar do filho, seu pai John (Dwayne Johnson) decide se infiltrar em uma quadrilha de traficantes e ajudar os agentes a realizarem uma grande prisão.

Inspirado em uma história real, este longa surpreende por causa do roteiro bem amarrado, da boa narrativa e até pela atuação de Dwayne Johnson, que aqui interpreta um sujeito comum, diferente dos brutamontes violentos que está acostumado a viver. Lógico que o filme tem algumas boas cenas de ação e violência, com destaque para a perseguição na estrada entre um caminhão e vários carros. O filme ainda tem bons coadjuvantes, como o ex-detento que auxilia o protagonista vivido por Jon Bernthal e o sempre assustador Michael Kenneth Williams novamente interpretando um traficante.

Para quem gosta do gênero, o longa é uma boa opção.

Rápida Vingança (Faster, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – George Tillman Jr
Elenco – Dwayne Johnson, Billy Bob Thornton, Oliver Jackson Cohen, Carla Gugino, Maggie Grace, Adewale Akinnuoye Agbaje, Matt Gerald, Moon Bloodgood, Courtney Gains, Mike Epps, Tom Berenger, Xander Berkeley, John Cirigliano.

Após cumprir pena por assalto, um sujeito (Dwayne Johnson) sai da cadeia em busca de vingança pela morte do irmão. Ele tem uma lista com quatro nomes para serem eliminados. Após assassinar o primeiro da lista, um matador profissional (Oliver Jackson Cohen) é contratado por um desconhecido para eliminar o ex-presidiário. O terceiro elo da trama segue um policial viciado em drogas (Billy Bob Thorton) e sua parceira (Carla Gugino) que são encarregados de investigar o primeiro assassinato. 

O roteiro explora a clássica trama de vingança através de uma roupagem moderna, com sequências estilosas em câmera lenta e ângulos inusitados, além de guardar um segredo para o final, mesmo não sendo tão surpreendente assim. Por outro lado, o filme tem uma narrativa irregular e vários furos no roteiro. O romance entre o matador de aluguel e a bela Maggie Grace também parece algo deslocado do resto da trama. 

É uma diversão passageira, razoável e esquecível.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Homem das Mil Caras

O Homem das Mil Caras (El Hombre de Las Mil Caras, Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Alberto Rodriguez
Elenco – José Coronado, Eduard Fernandez, Carlos Santos, Marta Etura, Christian Stamm, Emilio Gutierrez Caba.

No final dos anos oitenta, Francisco “Paco” Paesa (Eduard Fernandez) comandou uma investigação que desmantelou parte do grupo terrorista basco ETA. Mesmo assim, pouco tempo depois, Paco foi tratado com desprezo pelo governo espanhol. 

A chance de vingança surge quando um político chamado Luis Roldan (Carlos Santos) se vê envolvido em um grande caso de corrupção. Roldan contrata os serviços de Paco para fugir do país junto com a esposa (Marta Etura) e lavar seu dinheiro sujo. É o início de uma rocambolesca história real que transformou Roldan no espanhol mais procurado do mundo na época. 

A trama é narrada em off pelo personagem de Jesus Camões (José Coronado), um piloto de avião que era parceiro de Paco e que utilizava sua facilidade em viajar pelo mundo para auxiliar o amigo a esconder o foragido Roldan. 

O diretor Alberto Rodriguez é responsável por dois outros ótimos filmes espanhóis. O violento “Grupo7” e o também complexo “Pecados Antigos, Longas Sombras”. O talento do diretor em envolver o espectador através de uma narrativa fluente sem apelar para a ação é o grande trunfo deste trabalho. Ele aproveita imagens de telejornais verdadeiros da época da fuga de Roldan para mostrar como a imprensa e as autoridades espanholas estavam perdidas, enquanto o inteligente Paco armava um verdadeiro jogo de xadrez para manter o “cliente” a salvo. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma ótima opção.

domingo, 6 de agosto de 2017

Charada

Charada (Charade, EUA, 1963) – Nota 6,5
Direção – Stanley Donen
Elenco – Cary Grant, Audrey Hepburn, Walter Matthau, James Coburn, George Kennedy, Ned Glass, Dominique Minot.

Ao voltar para Paris após férias nos Alpes Suíços, Regina Lampert (Audrey Hepburn) se surpreende ao ser informada que seu marido foi assassinado. A surpresa não é tanto pela perda do marido, a quem ela pensava em pedir o divórcio, mas por descobrir que ele tinha em mãos 250 mil dólares que desapareceram. 

No velório, Regina é abordada por três estranhos (James Coburn, George Kennedy e Ned Glass) que estão à procura do dinheiro. Ela termina por pedir ajuda a um novo flerte, o americano Peter Joshua (Cary Grant), além de ser abordada também por um agente da CIA (Walter Matthau). 

Por mais que a história cheia de mistérios e algumas mortes lembre as obras de Hitchcock, o longa perde pontos pela insistência do roteiro em inserir diálogos engraçadinhos e cenas de humor. O filme intercala sequências românticas bobas, como Cary Grant tomando banho de roupa, com uma interessante perseguição pela estação de metrô. Esta mistura não convence. Vale destacar a trilha sonora de Henry Mancini, a produção caprichada e o elenco. 

Compreendo que muitos críticos adorem o filme, principalmente por ter a cara do cinema clássico dos anos sessenta, mas para em meu gosto o resultado é apenas razoável.

sábado, 5 de agosto de 2017

O Sétimo Continente

O Sétimo Continente (Der Siebente Kontinent, Áustria, 1989) – Nota 6
Direção – Michael Haneke
Elenco – Birgit Doll, Dieter Berner, Leni Tanzer.

Georg (Dieter Berner) é engenheiro e sua esposa Anna (Birgit Doll) oftalmologista. Junto com a filha pequena Evi (Leni Tanzer), eles aparentam ser a família perfeita. 

Os primeiros vinte minutos mostram a rotina familiar. No que seria o segundo ato, o espectador começa a presenciar os pequenos problemas e algumas atitudes estranhas de cada integrante da família. 

Georg se aproveita de um problema do chefe idoso e acaba sendo promovido, mas em momento algum demonstra felicidade. Anna também parece sofrer sem especificar o porquê. A situação fica mais complicada quando Evi finge na escola estar cega, como se enviasse uma mensagem para a falta de atenção dos pais. 

O terceiro ato foca na aparente decisão dos pais em se mudar para Austrália, quando na realidade é o início da decadência final da família. 

O diretor austríaco Michael Haneke estreou nos cinemas com este longa perturbador. Vale citar que ele tinha vários trabalhos anteriores para tv. Por mais que a crítica adore o filme e história seja cruel, a narrativa extremamente lenta prejudica bastante o resultado. 

O roteiro de Haneke faz uma crítica à vida moderna, em que muitas pessoas mesmo tendo um bom trabalho e uma família estruturada, sofrem por um vazio existencial quase impossível de ser preenchido. A forma como Haneke  aborda a situação é extremista. 

Vale citar com certo destaque as cartas que o casal escreve para os pais do marido tentando explicar como eles se sentem. 

Mesmo entendendo e até gostando do estilo cru do diretor, este primeiro trabalho por mais que seja impactante como história, termina sendo arrastado como cinema. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um Divã Para Dois & Kinsey


Um Divã Para Dois (Hope Springs, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – David Frankel
Elenco – Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Jean Smart, Becky Ann Baker, Elisabeth Shue, Mimi Rogers.

Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) estão casados há trinta e um anos. Os filhos saíram de casa e eles levam uma aparente vida tranquila, até que Kay começa a questionar a falta de interesse do marido, tanto em conversar, como no apetite sexual. Ela praticamente obriga Arnold a tirar uma semana de férias e viajar para a pequena Hope Springs, local onde o famoso terapeuta Dr. Feld (Steve Carell) atende casais em crise. As sessões com o doutor revelam frustrações dos dois lados, colocando o casamento em perigo.

A proposta do roteiro em desnudar uma relação desgastada pelo tempo de convivência é interessante. Com certeza, muitos casais verão nos protagonistas reflexos de suas próprias vidas. Vários diálogos durante as sessões abordam os problemas sexuais do casal de forma crua.

Ao mesmo tempo que a proposta é boa, o filme peca por ser um pouco cansativo e previsível, inclusive na escolha do final. O personagem de Steve Carell também se mostra comum demais. Suas abordagens com o casal são básicas, com opiniões que qualquer pessoa poderia dar. É um filme indicado para quem gosta de discussões sobre relacionamentos.&nbsp

Kinsey – Vamos Falar de Sexo (Kinsey, EUA / Alemanha, 2004) – Nota 7
Direção – Bill Condon
Elenco – Liam Neeson, Laura Linney, Chris O’Donnell, Peter Sarsgaard, Timothy Hutton, John Lithgow, Tim Curry, Oliver Platt, Dylan Baker, William Sadler, Julianne Nicholson, Veronica Cartwright, John McMartin.

Criado em uma família religiosa com um pai que era pastor (John Lithgow), o tímido Alfred Kinsey (Liam Neeson) passa a ser interessar pelo estudo do sexo ao conhecer sua futura esposa Clara (Laura Linney) na universidade durante os anos quarenta. Sua curiosidade o leva a coletar dados de pessoas sobre todo o tipo de atividade sexual, resultando no controverso livro "Sexual Behavior in the Human Male" lançado em 1948.

O roteiro escrito pelo diretor Bill Condon detalha a vida do polêmico Alfred Kinsey, que para muitos foi considerado um sujeito corajoso que abriu a discussão para um assunto que era tabu, enquanto outros o viam como um charlatão que falsificou dados e que teria utilizado a pesquisa para encobrir a realização de seus desejos sexuais. Seus detratores o acusaram até mesmo de pedofilia, pois os dados das pesquisas citavam também experiências com adolescentes.&nbsp

O filme fica em cima do muro. Kinsey é descrito como um sujeito estranho, que não demonstra suas emoções e que trata o sexo como algo banal, encorajando seus pupilos e assistentes a experimentarem novidades e depois coletarem seus dados. O próprio Kinsey se fez de cobaia, inclusive em uma relação homossexual. As interpretações sóbrias de Liam Neeson e Laura Linney são os destaques do elenco. É um filme interessante, mesmo não mostrando toda a verdade sobre a vida de Kinsey. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Círculo

O Círculo (The Circle, Emirados Árabes Unidos / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillan, John Boyega, Ellar Coltrane, Bill Paxton, Glenne Headly, Patton Oswalt.

A jovem Mae (Emma Watson) fica eufórica quando sua amiga Annie (Karen Gillan) consegue para ela uma entrevista na maior empresa de tecnologia do mundo chamada The Circle. Mae é aprovada e começa a trabalhar no setor de atendimento. 

Ela se surpreende com a grandiosidade da empresa, com a importância que os colaboradores dão para o relacionamento interpessoal, para o interesse de algumas pessoas em ajudar seu pai (Bill Paxton) que sofre com um doença degenerativa e pelo carisma do fundador Eamon Bailey (Tom Hanks). Ao mesmo tempo em que Mae percebe que os produtos da empresa visam um domínio global, ela se deixa levar pelo ego e pelas vantagens pessoais. 

O roteiro escrito pelo diretor James Ponsoldt apresenta uma premissa interessantíssima. A crítica as grandes empresas de tecnologia (Google e Facebook principalmente) que visam um controle exagerado das informações é extremamente atual, porém o problema é que o roteiro se perde à partir do momento em que se transforma numa espécie de Big Brother. Surgem as alfinetadas contra os patrulheiros virtuais, o perigo da exposição exagerada e outras situações relacionadas ao assunto, mas sem qualquer tipo de aprofundamento. 

Voltando a primeira parte do longa, um ponto extremamente bem pensado é a forma como a protagonista é tratada assim que começa a trabalhar. Quem trabalha ou trabalhou em uma grande empresa com certeza presenciou ou até sentiu na pele a pressão exercida para “fazer parte do time”, muitas vezes disfarçada de sorrisos e palavras de apoio, quando na verdade o objetivo é “domar” o colaborador, evitando qualquer tipo de questionamento ou rebeldia. 

O elenco não se destaca. A bela Emma Watson não chega a comprometer, mas não também não brilha, enquanto Tom Hanks parece apenas se divertir enquanto espera receber o cachê pelo trabalho. 

Finalizando, se nossas urnas eletrônicas são merecidamente questionadas, imagine se algum dia nosso voto fosse computado direto pelo perfil do Facebook ou do Google? En determinado momento o roteiro coloca a possibilidade em discussão, fato que parece absurdo, mas que não é impossível ocorrer no futuro.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Cura

A Cura (A Cure for Wellness, EUA / Alemanha, 2016) – Nota 6,5
Direção – Gore Verbinski
Elenco – Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Ivo Nandi, Adrian Schiller, Celia Imrie.

Após ser promovido em uma grande empresa de investimentos, Lockhart (Dane DeHaan) é chamado pelos conselheiros e recebe um misto de proposta e chantagem.

Descobriram que ele fraudou investimentos, porém ao invés de denunciá-lo para polícia, eles oferecem uma saída diferente e aparentemente bem menos traumática. 

Lockhart precisará buscar o CEO da empresa que foi passar algum tempo em uma espécie de SPA nos Alpes Suíços e decidiu abandonar o cargo. O conselho precisa da assinatura do homem para confirmar uma fusão. 

Acreditando ser uma missão simples, Lockhart segue até o local, um enorme castelo medieval onde pessoas ricas se hospedam com o objetivo de se “curar” da vida louca da cidade. Não demora para o jovem descobrir que existe algo sinistro naquele local e que será extremamente difícil sair de lá. 

O longa tem algumas semelhanças na locação e no clima com o muito superior “Ilha do Medo” de Martin Scorsese, inclusive com o protagonista Dane DeHaan lembrando um pouco o astro Leonardo DiCaprio. 

Infelizmente as semelhanças ficam por aí. A longa duração (quase duas horas e meia) deixa o filme cansativo e esconde uma trama previsível. As atuações também não são das melhores, inclusive com coadjuvantes que são abandonados no meio da trama. 

Por outro lado, o filme ganha pontos pela produção caprichada e as belas locações. O castelo onde se passa quase toda a história é sensacional. 

É um longa que ficou abaixo do esperado.  

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Terra Tranquila

Terra Tranquila (The Quiet Earth, Nova Zelândia, 1985) – Nota 6
Direção – Geoff Murphy
Elenco – Bruno Lawrence, Alison Routledge, Pete Smith, Anzac Wallace.

Ao acordar em um dia qualquer, o cientista Zac Hobson (Bruno Lawrence) descobre que está sozinho no mundo. Ele segue até seu local de trabalho, um observatório onde era desenvolvido um projeto secreto. 

Sem saber se o projeto foi a causa da catástrofe e o porquê dele estar vivo, Zac decide aproveitar o mundo como se fosse seu parque de diversões particular. Após encontrar uma sobrevivente (Alison Routledge) e outro sujeito também vivo (Pete Smith), Zac começa a questionar se vale a pena viver no mundo que restou. 

Tratado como cult por muitos cinéfilos, este longa neozelandês explora a premissa dos clássicos B “Mortos Que Matam” e “A Última Esperança da Terra”, incluindo questionamentos filósoficos, principalmente colocando na mesa a discussão sobre a necessidade do homem em se relacionar com outras pessoas. 

Infelizmente o filme é cansativo. A primeira parte enquanto o personagem visita o observatório é interessante e cria até um certo suspense. O filme se torna bizarro quando o protagonista começa a explorar a cidade e se perde totalmente na parte final quando o roteiro se volta para a loucura. 

A obra abriu as portas de Hollywood para o diretor Geoff Murphy, que teria sucesso apenas em seu primeiro trabalho americano, o western “Jovem Demais Para Morrer”. 

No final, fica claro que a fama de cult é maior do que a qualidade do longa.